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‘A regra não mudou’, diz instrutor Fifa

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"A regra não mudou", diz instrutor Fifa sobre recentes polêmicas do apito

Larrionda explica recomendações sobre mão na bola e bola na mão em reunião da CBF com árbitros e capitães. E diz que Meira Ricci errou em Fla x Corinthians

Sergio Corrêa, presidente da comissão de arbitragem da CBF, quer esclarecer interpretação sobre pênaltis polêmicos

A comissão de arbitragem da CBF convocou para a tarde desta quinta-feira uma reunião na sede da entidade com árbitros que atuarão na próxima rodada, a cúpula da comissão, instrutores, capitães das 20 equipes da Série A do Campeonato Brasileiro e o instrutor da Fifa Jorge Larrionda. O objetivo foi, além de esclarecer as recomendações da entidade em certos tipos de situações, analisar lances em vídeo, além de debater e esclarecer especialmente as recomendações da Fifa para interpretação de lance de mão na bola ou bola na mão. Depois da Copa do Mundo, a Fifa transmitiu a recomendação para suas filiadas de maior rigor na avaliação deste tipo de lance e, desde então, houve um aumento de pênaltis marcados em decorrência de toques na mão dentro da área.

De acordo com Larrionda, que usou vídeos de partidas da Copa do Mundo no Brasil para dar explicações – México x Camarões, Uruguai x Inglaterra, Alemanha x Nigéria e Honduras x Equador -, falhas por parte da arbitragem merecem cuidado maior.

– A regra não mudou, é claro, mas não mudou o fato de que os árbitros seguem tendo problemas. Por isso tentamos dar a eles parâmetros objetivos para resolver estas situações.

O jogador pode fazer a ação defensiva sem usar o braço de forma irresponsável.

Jorge Larrionda, instrutor da Fifa

Ampliar o espaço do corpo, posição antinatural, ação deliberada… Larrionda aproveitou o encontro com árbitros, ex-árbitros, representantes de clubes, dirigentes e jornalistas para esclarecer o que vem gerando tanta polêmica: é bola na mão ou mão na bola? Quando deve ser marcada a falta? O instrutor da Fifa explicou:

– O que sabemos agora é que os jogadores cada vez mais vão tentar bloquear essas situações utilizando todo o corpo. O que podemos fazer é observar o risco que assume. O jogador pode fazer a ação defensiva sem usar o braço de forma irresponsável.

A regra considera infração quando o atleta “tocar na bola com as mãos intencionalmente (exceto goleiro dentro da sua própria área penal)” Mas há algumas diretrizes. E nelas o árbitro precisa considerar o movimento da mão em direção à bola; a distância entre o adversário e a bola; se a posição da mão pressupõe necessariamente uma infração.

As instruções específicas disseminadas nos últimos anos, porém, causaram dúvidas. A intenção de Larrionda foi exatamente reduzi-las durante a reunião.

– O jogador não pode ganhar vantagem com seus braços quando tem uma posição não natural e ação deliberada. O que temos que focar é a ação defensiva, o ganho com os braços.

E ele tentou em 26 vídeos, entre eles jogos da Copa do Mundo, Copa das Confederações, Mundial de Clubes, Libertadores e o próprio Campeonato Brasileiro. No lance marcado a favor do Flamengo, contra o Corinthians, por exemplo, pela 21ª rodada do Brasileirão (assista ao vídeo acima), houve erro de Sandro Meira Ricci ao marcar a penalidade a favor dos rubro-negros, segundo Larrionda.  

– Não é só de acertos (que vivem os árbitros). O mesmo árbitro que dirigiu a final do Mundial de Clubes e acertou, que dirigiu jogos na Copa do Mundo, aqui em seu país falhou. Qual é o problema? Queremos minimizar os erros, claro, mas pode passar alguma coisa. Que ação de bloqueio que vimos nesse lance? Ele fecha o braço e não aumenta o volume do corpo, não assume o erro. Então, não devemos marcar.

Marin: confiança na arbitragem

Nem todos os capitães estiveram presentes, mas compareceram jogadores como Fábio Santos, do Corinthians, Tinga, do Cruzeiro, e Índio, do Internacional. O evento também foi acompanhado pelo procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, e aberto pessoalmente pelo presidente da CBF, José Maria Marin.

– Quero renovar a nossa confiança na nossa arbitragem, tivemos árbitro brasileiro apitando final de Copa do Mundo. Então, com relação ao material humano, reconheço, endosso e respondo por ela. É da melhor qualidade – afirmou Marin.

A regra não mudou, é claro, mas não mudou o fato de que os árbitros seguem tendo problemas."

Jorge Larrionda, instrutor da Fifa

O presidente da comissão de arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, explicou que espera, com a reunião, esclarecer definitivamente qual é a recomendação da Fifa para esse tipo de lance. Justamente por isso, convidou Larrionda, o instrutor da Fifa responsável por passar essa orientação aos árbitros brasileiros.

– Exatamente depois dessa polêmica, convidamos o Massimo Bussacca (presidente da comissão de arbitragem da Fifa), pedimos que representássemos as diretrizes, e nada melhor do que aquele instrutor que passou isso para os árbitros fazer a apresentação dos vídeos. A gente espera com isso esclarecer de vez essa questão criada, não pela arbitragem, mas pela interpretação, que é diferente para cada um.

Corrêa explicou que um encontro semelhante já ocorreu somente com os capitães de cada equipe para que ficassem mais claras as orientações recebidas pelos árbitros. Agora, diante das recentes polêmicas, a entidade decidiu convocar também o instrutor da Fifa, árbitros e jornalistas.

Jorge Larrionda cbf (Foto: Vicente Seda)

Jorge Larrionda, ex-árbitro, hoje instrutor da Fifa, usa vídeos de partidas da Copa do Mundo no Brasil para dar explicações sobre lances polêmicos de bola na mão ou mão na bola

– Na rodada passada, convidamos os capitães, já apresentamos uma série de vídeos para eles entenderem quais movimentos poderiam gerar essa interpretação. Hoje preferimos trazer todo mundo para que as pessoas possam entender quais são as orientações que a Fifa passou. Aqui no Brasil isso tomou uma dimensão muito elevada, e queremos mostrar como foi passado.

Ficou claro que, quando der carrinho, a chance de a falta ser marcada é grande. O lance do carrinho… pegou na mão é falta.

Fábio Santos, do Corinthians

O dirigente também pediu paciência com novos árbitros. Comparou o amadurecimento deles na função ao desenvolvimento de um jogador de futebol.

– É uma transição, estamos com 12 a 15 árbitros jovens, vindo para a Série A. É como um jogador novo, as pessoas nem sempre têm paciência, criticam muito e isso acaba prejudicando um pouco. Mas a arbitragem evoluiu sim e tenho dados que comprovam isso.

Capitão e árbitro

Fábio Santos, lateral-esquerdo do Corinthians, considera essencial a participação dos jogadores na discussão:

– Tem muita coisa para ser ajustada. Por isso é boa a iniciativa. Às vezes a gente reclama demais e faz pouca coisa para ajudar. É importante procurar ajudar a arbitragem, entender a regra do motivo de dar falta ou não. É complicado em campo, e a iniciativa é importante para melhorar o futebol. Por isso, nós, do Corinthians, estamos aqui. Isso (mão na bola ou bola na mão) confundiu até nós, jogadores. Tem jogos que ficamos confusos porque o juiz marca um lance e não o outro. Hoje ficou claro e deu para perceber. Isso vai facilitar. Ficou claro que, quando der carrinho, a chance de a falta ser marcada é grande. O lance do carrinho… pegou na mão é falta.

Segundo Igor Junio Benevenutto, árbitro da CBF – foi ele quem expulsou Emerson Sheik e Julio Cesar no episódio no qual o atacante afirmou diante da câmera de TV que a CBF é uma vergonha -, a reunião é importante para esclarecer dúvidas. E reconheceu falhas de interpretação também do quadro de arbitragem.

– A explicação deles tem sido clara, didática, passada com perfeição. Mas, às vezes, a imprensa e os jogadores não têm o conhecimento do que tem acontecido e isso gera dúvida mais para os jogadores do que para a arbitragem. Às vezes, marcamos de forma equivocada. Não é porque não entendemos, mas o ser humano falha também. Vem numa hora boa essa reunião.

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