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História Tricolor: Campeão Brasileiro de 1988

Relembre a segunda conquista nacional do Esquadrão de Aço

Em 1988, o Bahia possuía uma grande hegemonia estadual e vinha fazendo campanhas competitivas nos campeonatos nacionais, mas não havia conquistado nenhum título nacional desde a Taça Brasil de 1959. Naquele ano, o Tricolor havia conquistado o tricampeonato baiano e por conta disso, a direção, através do presidente Paulo Maracajá, via como missão do Bahia a conquista do Campeonato Brasileiro.

Nessa época, o futebol brasileiro vivia uma grande confusão administrativa. Com a briga entre o Clube dos 13 e a CBF, os clubes resolveram organizar o Campeonato Brasileiro, que tinha o nome de Copa União.

Com isso, o campeonato passou a ter menos clubes que os anos anteriores, tendo 24 equipes e pela primeira vez, um sistema de rebaixamento foi adotado.

O regulamento era o seguinte:

Primeira Fase: os 24 clubes foram divididos em 2 grupos. No primeiro turno (doze rodadas), os clubes de um grupo enfrentaram os clubes do outro grupo. No segundo turno (onze rodadas), todos os jogos foram entre clubes do mesmo grupo. Classificaram-se para a fase seguinte os dois primeiros colocados de cada grupo. Os quatro últimos colocados no total geral de pontos foram rebaixados à Série B de 1989.

Fase Final (com quartas de final, semifinais e final): oito clubes em sistema eliminatório, com jogos de ida e volta e mando de campo do segundo jogo para o clube com melhor campanha. Em caso de empate na soma dos placares, prorrogação de trinta minutos no segundo jogo; permanecendo o empate, vantagem para o clube com melhor campanha, desaparecendo assim, nessa fase, a regra que estabelecia disputa de pênaltis em caso de empate.

Além disso, o sistema de pontuação foi alterado, em caráter experimental. Cada partida passou a valer três pontos: em caso de vitória no tempo normal, o vencedor ficava com os três pontos e o perdedor, com zero; em caso de empate, cada clube ficava com pelo menos um ponto, e o terceiro ponto era disputado em cobranças de pênaltis. Porém, na fase final, permaneceu o sistema de contagem de pontos tradicional: dois pontos por vitória, um por empate e zero por derrota.

O ELENCO DO BAHIA NA CAMPANHA

Fonte: Imortais do Futebol

Ronaldo (goleiro): cria das categorias de base do Bahia, substituiu Sidmar durante o Brasileiro de 1988 e não decepcionou. Com reflexos apurados, muita elasticidade e segurança, Ronaldo garantiu vários resultados positivos para o Bahia e foi fantástico na final contra o Inter, defendendo bolas dificílimas. Ídolo histórico no clube tricolor.

Sidmar (goleiro): foi titular em grande parte do Brasileiro de 1988, mas deixou o time justo na reta final porque ficou sem contrato. Com isso, deixou o caminho livre para Ronaldo brilhar. No período em que esteve o gol tricolor, foi bem e não comprometeu.

Zanata (lateral direito): lateral-direito de muita técnica e poder ofensivo, Zanata foi ídolo no Bahia dos anos 80. Foi um dos titulares absolutos na campanha do tricampeonato estadual, mas deixou o time durante o Brasileiro de 1988 para jogar no Palmeiras. Deve ter se arrependido profundamente…

Tarantini (lateral direito): com a saída de Zanata, o bigodudo Tarantini assumiu a lateral direita do tricolor e foi muito bem com força na marcação e apoio ao meio de campo. Não atacava como seu antecessor, mas foi essencial para o baixo número de gols sofridos do Bahia no Brasileiro daquele ano.

João Marcelo (zagueiro): ótimo zagueiro e cria das bases do clube, João Marcelo tinha uma calma impressionante dentro da área, além de ser muito técnico e se impor fisicamente perante os atacantes rivais. Fez um Brasileiro sensacional em 1988 e foi um dos responsáveis pela qualidade defensiva daquele time na reta final. Jogou ainda no rival Vitória e disputou outra final de Brasileiro em 1993, mas perdeu para o super Palmeiras de Roberto Carlos, Edmundo e Cia.

Pereira (zagueiro): titular absoluto da zaga do Bahia na campanha do tricampeonato estadual e em grande parte do Brasileiro, o zagueiro Pereira viveu a mesma situação que o colega Sidmar: ficou sem contrato e não jogou na reta final. Mesmo assim, pode ser considerado campeão pelas ótimas partidas que fez e pelos gols importantes. Era bom em cobranças de falta e nas jogadas aéreas.

Claudir (zagueiro): zagueiro viril e que se impunha dentro da área, Claudir fez várias partidas como titular e jogou, inclusive, as finais contra o Inter. Manteve a segurança do setor com inteligência e vontade.

Newmar (zagueiro): chegou ao Bahia já consagrado pelas conquistas dos Brasileiros de 1981, pelo Grêmio, e de 1985, pelo Coritiba. Com isso, se tornou um dos poucos jogadores tricampeões nacionais com o título de 1988 pelo Bahia. Não foi titular, mas quando entrou, deu conta do recado.

Paulo Róbson (lateral esquerdo): titular da lateral-esquerda do Bahia, foi um dos grandes nomes da conquista com seriedade na defesa e no ataque. Uma curiosidade é que também ostentava um largo bigode e fazia muitos torcedores pensarem que ele e Tarantini eram gêmeos, não só pela fisionomia, mas também pelo futebol apresentado na campanha do título brasileiro.

Edinho (lateral esquerdo): foi lateral reserva do time e jogou na primeira partida da final contra o Inter. Disputou vários jogos como coringa, podendo atuar tanto na esquerda quanto na direita.

Gil (volante): volante de muita garra e força no ataque, Gil foi herói na classificação do Bahia para a final. Foi dele o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Fluminense. Marcava muito e aparecia como elemento surpresa na frente. Depois do brilho em 1988, jogou no rival Vitória e passou por várias outras equipes em meados dos anos 90.

Paulo Rodrigues (volante): era a elegância no meio de campo do Bahia. Não só marcava muito bem como também municiava o ataque com lançamentos precisos e passes eficientes. Seu auge foi exatamente naquele ano, mas já estava na casa dos 30 anos, tarde para almejar uma convocação para a seleção, por exemplo. Foi um grande ídolo da torcida.

Zé Carlos (meia-atacante): foi o artilheiro do Bahia no Brasileiro de 1988 com nove gols e uma das principais peças de ataque. Jogava muito pela direita, como um verdadeiro ponta, e dava cruzamentos precisos para os atacantes (ou Bobô) fazerem a festa. Habilidoso e incansável, Zé Carlos foi genial naquele ano e muito querido pelos torcedores.

Bobô (meia): com toques rápidos, grande visão de jogo e genialidade, Bobô foi, sem dúvida alguma, o maior nome do Bahia no tricampeonato estadual e, principalmente, no Brasileiro de 1988. O jogador virou ídolo instantâneo dos torcedores, ficou conhecido em todo o Brasil e orquestrou com muita habilidade o meio de campo e o ataque daquele Bahia inesquecível. Bobô é tido por muitos como o maior craque da história do clube e virou até letra de música de Caetano Veloso, que disse: “quem não amou a elegância sutil de Bobô”. E Veloso estava certo, pois todos amaram. Uma pena o craque não ter brilhado nos outros clubes que passou após 1988. Ele foi feito mesmo para o Bahia.

Osmar (meia-atacante): foi o artilheiro do Campeonato Baiano de 1988 com 19 gols, mas deixou a desejar no Brasileiro e perdeu espaço para a dupla Charles e Marquinhos. Podia jogar como atacante ou meia-atacante, e tinha muita habilidade e velocidade.

Charles (atacante): ao lado de Bobô, Charles foi uma das estrelas do Bahia na reta final do Brasileiro. Marcou gols decisivos, infernizou zagas adversárias e mostrou um futebol virtuoso que arrebatou o coração dos tricolores. Seu lindo gol contra o Corinthians, aos 45 minutos do segundo tempo, lhe rendeu o apelido de “Anjo 45”. O sucesso de Charles foi tão grande que sua ausência em uma convocação para um jogo da seleção brasileira contra a Venezuela na Fonte Nova, em 1989, motivou um boicote à equipe de Lazaroni. Com isso, apenas 13 mil torcedores estiveram no estádio. Charles, posteriormente, ganhou chances na equipe verde e amarela, foi bem, mas perdeu a vaga para outros nomes como Bebeto e Renato Gaúcho. Seu talento chamou a atenção, inclusive, de Maradona, que comprou seu passe em 1991. Porém, o atacante não conseguiu repetir o futebol leve e bonito dos tempos de Bahia e sucumbiu no futebol argentino.

Renato (atacante): foi bem na conquista do Campeonato Baiano e era titular na campanha do Brasileiro de 1988 até ter sua “cabeça” pedida pela torcida, que se mostrava indignada com a falta de eficiência do atacante dentro da área. Com isso, saiu queimado da Fonte Nova e perdeu espaço para os jovens Marquinhos e Charles.

Sandro (atacante): outro atacante que acabou perdendo espaço no decorrer do Brasileiro, Sandro tinha habilidade como ponta-esquerda e foi muito importante na campanha do tricampeonato baiano.

Marquinhos (atacante): muito veloz, o atacante Marquinhos foi outra grata surpresa do Bahia na reta final do Brasileiro de 1988. Podia jogar como ponta ou como segundo atacante pela esquerda. Brilhou ainda no Cruzeiro do começo dos anos 90.

Evaristo de Macedo (técnico): um dos maiores atacantes do futebol brasileiro nos anos 50 e 60 e ídolo de clubes como Flamengo e Barcelona, Evaristo de Macedo mostrou ter estrela, também, como técnico. Conseguiu montar uma equipe extremamente eficiente na defesa e precisa no ataque. O time conseguia impor dificuldades aos seus adversários não só na Fonte Nova, mas também fora de seus domínios. Jogar contra aquele Bahia era uma dureza. E Macedo conseguiu, depois de uma fracassada passagem pela seleção brasileira, dar a volta por cima. E em grande estilo.

A CAMPANHA DO BAHIA

PRIMEIRA FASE – PRIMEIRO TURNO

No primeiro turno, os times de um grupo enfrentavam os do outro grupo.

O Bahia estava no Grupo B, logo, enfrentava os times do Grupo A.

(02/09) Bahia 1×1 Bangu (Nos pênaltis, Bahia 6×5)
Gol: Renato

(07/09) Bahia 1×0 Vitória
Gol: Bobô

(10/09) Fluminense 3×0 Bahia

(18/09) Bahia 1×0 Flamengo
Gol: Bobô

(25/09) Goiás 2×2 Bahia (Nos pênaltis, Goiás 4×2)
Gols: Sandro e Zé Carlos

(02/10) Atlético-MG 1×1 Bahia (Nos pênaltis, Atlético-MG 4×1)
Gol: Zé Carlos

(09/10) Bahia 1×1 Sport (Nos pênaltis, Bahia 5×4)
Gol: Sandro

(16/10) Bahia 2×0 Atlético-PR
Gols: Renato e Zé Carlos

(22/10) São Paulo 0x2 Bahia
Gols: Zé Carlos e Bobô

(30/10) Bahia 1×0 Palmeiras
Gol: Pereira

(06/11) Internacional 3×0 Bahia

(09/11) Portuguesa 0x0 Bahia (Nos pênaltis, Bahia 5×4)

Com essa campanha, o Bahia terminou em terceiro lugar no Grupo B, atrás de Vasco e Grêmio.

Como os dois primeiros de cada grupo se garantiam nas quartas de final, se classificaram: Fluminense, Internacional, Vasco e Grêmio.

PRIMEIRA FASE – SEGUNDO TURNO

No segundo turno, os times se enfrentavam dentro dos grupos.

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(13/11) Bahia 2×1 Cruzeiro
Gols: Sandro e Zé Carlos

(16/11) Vasco 0x0 Bahia (Nos pênaltis, Vasco 5×3)

(20/11) Guarani 0x0 Bahia (Nos pênaltis, Bahia 4×3)

(24/11) Bahia 0x1 Botafogo

(27/11) Bahia 2×0 Corinthians
Gols: Charles e Pereira

(01/12) Criciúma 0x1 Bahia
Gol: Charles

(04/12) Coritiba 2×0 Bahia

(07/12) Bahia 5×1 Santos
Gols: Zé Carlos (2), Cássio (contra), Marquinhos e Charles

(11/12) Bahia 3×1 Grêmio
Gols: Marquinhos, Zé Carlos e Pereira

(15/12) Santa Cruz 2×1 Bahia
Gol: Marquinhos

(18/12) Bahia 2×1 América-RJ
Gols: Marquinhos e Zé Carlos

Com essa campanha, o Bahia terminou em quarto lugar no Grupo B, atrás de Vasco, Cruzeiro e Corinthians.

O Bahia conseguiu a classificação para as quartas de final porque o Vasco ficou entre os dois primeiros nos dois turnos. O Tricolor tinha feito a melhor campanha entre os não classificados e ficou com a vaga.

No segundo turno, se classificaram para as quartas de final: Sport, Flamengo, Cruzeiro e Bahia.

QUARTAS DE FINAL

Com a quarta melhor campanha da primeira fase, o Bahia enfrentou o Sport (quinta melhor campanha) nas quartas de final.

Por ter melhor campanha que o Sport, o Bahia tinha a vantagem de dois resultados iguais e se fez valer do regulamento.

(29/01/1989) Sport 1×1 Bahia (Ilha do Retiro)
Gol: Charles

(01/02/1989) Bahia 0x0 Sport (Fonte Nova)

Com os dois empates, o Bahia passou para as semifinais.

Nos outros confrontos, o Fluminense eliminou o Vasco, que havia feito a melhor campanha; o Grêmio passou pelo Flamengo e o Internacional eliminou o Cruzeiro.

SEMIFINAIS

O último obstáculo do Bahia antes da decisão era o time do Fluminense. Por ter feito melhor campanha, o Bahia decidiria a vaga na Fonte Nova. Esse jogo acabou sendo o maior público da história do estádio, com 110.438 pessoas. A torcida empurrou o Bahia rumo à decisão e o Esquadrão bateu o time carioca por 2×1.

(09/02/1989) Fluminense 0x0 Bahia (Maracanã)

(12/02/1989) Bahia 2×1 Fluminense (Fonte Nova)
Gols: Bobô e Gil

Abaixo, a íntegra do jogo:

Na decisão, o Bahia enfrentaria o Internacional, que bateu o Grêmio, no que foi chamado de o “Gre-Nal do século”

A GRANDE FINAL

Bahia e Internacional fizeram a grande decisão daquele Campeonato Brasileiro.

O time gaúcho era favorito, já que tinha batido o Bahia na primeira fase, tinha a vantagem de dois empates, decidiria em casa e tinha grandes jogadores como Taffarel e o atacante Nílson, artilheiro daquele campeonato, com 15 gols.

Sem ligar pra nada disso, mais de 90 mil pessoas lotaram a Fonte Nova pro jogo de ida da final e empurraram o Tricolor rumo ao triunfo de virada. Bobô, capitão e maestro daquele time, foi o herói da final, marcando os dois gols.

(15/02/1989) Bahia 2×1 Internacional (Fonte Nova)

Bahia: Ronaldo; Tarantini, João Marcelo, Claudir e Edinho; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô; Osmar, Charles (Sandro) e Marquinhos. Técnico: Evaristo de Macedo.

Internacional: Taffarel; Luís Carlos Winck (Diego Aguirre), Aguirregaray, Nenê e João Luís; Norberto, Luís Carlos Martins e Leomir; Maurício (Heider), Nílson e Edu. Técnico: Abel Braga.

Gols: Leomir (19/1º), Bobô (36/1º), Bobô (5/2º)

Abaixo, a íntegra do jogo:

No jogo de volta, num Beira-Rio com quase 80 mil pessoas, o Bahia tinha a vantagem do empate.

O Inter tentou apelar até mesmo para as forças sobrenaturais, colocando uma macumba no vestiário do Bahia. Mas nada disso adiantou. Num jogo truncado, a defesa do Bahia prevaleceu, o Tricolor segurou o ímpeto gaúcho e num 0x0, garantiu o bicampeonato brasileiro. O Bahia era o campeão do Brasil!

(19/02/1989) Internacional 0x0 Bahia (Beira-Rio)

Internacional: Taffarel; Luiz Carlos Winck, Aguirregaray, Norton e Casemiro; Norberto, Luis Fernando e Luís Carlos Martins; Maurício (Heider), Nílson e Edu. Técnico: Abel Braga.

Bahia: Ronaldo; Tarantini, João Marcelo, Claudir (Newmar) e Paulo Róbson; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô (Osmar); Gil Sergipano, Charles e Marquinhos. Técnico: Evaristo de Macedo.

Abaixo, a íntegra do jogo:

BAHIA CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1988!

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