As goleadas sem lição e os escorpiões tricolores

As goleadas sem lição e os escorpiões tricolores

Vai completar seis meses agora em novembro da histórica goleada por 7×3 do Vitória sobre o Bahia no primeiro jogo da final do Campeonato Baiano, que derrubou técnico, diretor de futebol e até presidente e diretoria do Tricolor, mas parece não ter servido de lição sobre futebol. Seis meses atrás, a goleada foi resultado da superioridade técnica do time rubro-negro sobre o seu rival, já constatada nos 5×1 do Ba-Vi da inauguração da Arena Fonte Nova. Nesses seis meses, o Vitória se reforçou, contratando bons jogadores para substituir as baixas da temporada: no melhor exemplo, os laterais titulares, Nino e Mansur, foram substituídos por Aírton e Juan, o Leão perdeu em velocidade, mas ganhou em saída de bola. No domingo, a espinha dorsal do time que venceu o Fluminense era a mesma da goleada por 7×3: Victor Ramos, Michel, Cáceres, Cajá, Escudero e Dinei, com Marquinhos fazendo o papel decisivo de Maxi.

Nesses seis meses, o Bahia se reforçou pouco e não dá para dizer que se reforçou bem. A base das goleadas foi mantida: Lomba, Titi, Demerson, Helder, Fahel, Feijão e Talisca estiveram em campo nos 7×3. Caiu diretoria, entrou interventor, elegeu-se diretoria e não veio um reforço de peso: Wallyson é um atacante que dribla e faz gol, mas ainda não convenceu técnico e torcida. Rafael Miranda e Fabrício Lusa são… volantes. William Barbio é um atacante que corre muito e não faz gol. Wrangler ainda está para mostrar o que é. Manteve-se a base do time que foi eliminado na primeira fase na Copa do Nordeste, penou para superar adversários medíocres no Campeonato Baiano e levou duas goleadas históricas do maior rival. E tem gente que ainda pega no pé de Cristóvão Borges…

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A torcida do Bahia não tem o que reclamar, nem do treinador nem dos jogadores. Cristóvão estabeleceu um esquema tático que tornou o time compacto e competitivo: ninguém tem vida mansa com o Bahia, onde todo mundo marca. Não por acaso Fernandão é um dos jogadores que mais cometeram faltas no Brasileiro: o artilheiro do time é o primeiro defensor. Foi assim, roubando os espaços do adversário e forçando erros (o que é facilitado pela baixa qualidade de muitos times, principalmente na defesa), que o Tricolor conseguiu estar no lado de cima da tabela durante parte do Brasileiro. Não falta entrega e disposição dos jogadores – com exceção de um ou outro que a torcida identifica melhor até do que eu – para cumprir as estratégias traçadas por Cristóvão. Os torcedores reclamam hoje que falta ousadia: olho para o elenco do Bahia e não consigo identificar qualquer razão para ser ousado. É necessário disciplina e prudência para seguir o plano que deu certo até aqui e manter o Tricolor na primeira divisão.

A torcida do Bahia passou boa parte do ano se enganando com a tese de que as goleadas e os fracassos eram culpa apenas da antiga diretoria.  Eles têm culpa, obviamente, pela falta de reforços, mas faltou aquele coro insistente – "ôôôô, queremos jogador" – nos ouvidos de presidente, interventor e presidente para que o Bahia não chegasse à reta final do Brasileiro com elenco tão limitado e sem opções.

Escorpiões

Acho que todo mundo conhece a fábula do sapo e do escorpião. O escorpião pede uma carona para atravessar o rio; o sapo nega com medo de ser picado; o escorpião o convence com o argumento que, se fizer isso, morrem os dois. Durante a travessia do rio, o escorpião pica o sapo que, antes de os dois afundarem, pergunta: ‘por que você fez isso?’. E o escorpião: ‘porque é a minha natureza’. Pois há tricolores cuja natureza não é torcer pelo Bahia, mas contra o Vitória. Só isso explica as comemorações ouvidas no gol da Portuguesa há 10 dias e da torcida pelo Fluminense domingo passado. São escorpiões tricolores: preferem ver o Bahia se afogar na segunda divisão a ver o Vitória chegar na Libertadores.


Fonte: Oscar Valporto – Colunistas – Correio