Bahia era um ‘clube sem regras’

Eleita há 51 dias, diretoria diz ter encontrado um clube sem regras

A crítica pela ausência de documentos e processos formais é repetida pelo diretor de negócios, Pablo Ramos

O Bahia treina no Fazendão, praticamente, de favor. A escritura do centro de treinamento já foi transferida pelo clube e, oficialmente, pertence a OAS, que comprou o local. O novo CT, em Dias D’Ávila, município na Região Metropolitana de Salvador, tecnicamente está pronto. Mas a data da mudança é desconhecida.

“Ainda não conversamos com a OAS, mas não houve permuta dos locais. Houve compra e venda. A escritura do Fazendão já está passada em nome da OAS. Teoricamente, o prazo para o Bahia sair seria o fim do ano, mas não podemos adiantar. Depende do relatório da comissão”, diz o diretor institucional e de patrimônio, Antonio Miranda.

A comissão para avaliar o negócio em que o Bahia investiria cerca de R$ 10 milhões tem seis membros indicados por diretoria e conselho. A OAS é a patrocinadora máster do clube e sócia do consórcio Arena Fonte Nova. Além de discutir a mudança do CT, cabe à diretoria de patrimônio catalogar as propriedades do clube. “Nada do patrimônio móvel está inventariado. É de cabeça e sem cabeça”, brinca Miranda, antes de voltar ao tom. “Vamos cuidar de bens permanentes, da vigilância…E os troféus do Bahia vão ser restaurados antes de serem agregados ao memorial que o Bahia vai instalar na Fonte Nova. E qualquer mesa, cadeira ou computador adquirido estará registrado”.

Passados 50 dias de gestão, a crítica pela ausência de documentos e processos formais é repetida pelo diretor de negócios, Pablo Ramos. Sua missão é ampliar as receitas através de patrocínios, cotas de TV, sócios e torcedores. “Minha formação é em gerenciamento de projetos, processos, gerenciar fluxogramas, rotinas… E até hoje não encontrei nenhum processo desenhado, seja de negócio ou de apoio. Não tem. Existe uma gestão oral”, fala.

“Toda empresa tem que ser processual, e não personalista, porque as coisas precisam acontecer a partir de processos definidos”, comenta. No período de 51 dias desde a posse, Ramos comemora o aumento no quadro de sócios e de público no estádio. “Hoje, são 14 mil sócios ativos e três mil não ativos (pendências de pagamento). Isso em 35 dias de venda, entre intervenção e diretoria eleita. Nos últimos 30 dias, cerca de 10 mil pagaram. Ano que vem, a receita com torcedor será a segunda maior, perdendo só para televisão”, visualiza.

“Acredito que nos próximos quatro ou cinco anos se torne a principal receita”. Além do ganho financeiro, o sócio preenche um cadastro cujo banco de dados será analisado para ações futuras. “É nossa melhor pesquisa. Eu não tenho só a receita da mensalidade do sócio. Eu consigo desenvolver serviços, produtos, promoções que façam com que os R$ 40 sejam alavancados. São ações de captação e de fidelização. É lidar com a emoção depois coma razão”.

Vamos votar:

A maior Torcida do Nordeste

A BELA Tricolor Katiely Kathissumi precisa do seu voto

Não deixe de ler:

MGF x Sidônio: Mais um enfadonho 'bate-boca'

Confira também:

Liga dos Campeões – Classificação – Tabela e Regulamento

Tabela interativa da Série A com atualização online

Os melhores vídeos – YouTube União Tricolor Bahia

Inchado – A quantidade de funcionários impressionou o diretor administrativo e financeiro, Reub Celestino. “Nós pegamos o clube com 378 pessoas. Se um time jogam 11, são 367 trabalhando para 11. Claro que estou exagerando, porque tem reservas, outros setores…Mas é uma coisa desmedida. Tem pessoas fantasmas, trazidas graciosamente.

Não digo que são muitos, mas existem”, reclama. E justifica por que as mudanças têm sido graduais com exemplo dado pelo presidente, Fernando Schmidt, em reunião interna.  “O incêndio era tão grande que estávamos mais preocupados em cuidar das chamas que criar um novo processo de trabalho. Mas só vai resolver com tecnologia, capacitação, práticas de eficiência e organização pra cumprir objetivos”. Assim, demissões em massa seguem descartadas no momento.

“Tivemos redução, mas ainda não substancial. No momento que a gente conseguir implementar métodos, comportamentos, capacitações, aí sim. Por que não parte para o caos? Eu, particularmente, adoro gestão pelo caos. O caos lhe traz soluções. Toda guerra traz novas tecnologias. Você sai do conforto. Mas tem o nosso consumidor, a paixão do torcedor. Se criasse o caos, a gente poderia prejudicar essa paixão. A gente ia cair mais ainda para depois soerguer. Nós preferimos a cautela”.


Fonte: Marcelo Sant´Ana – IBahia

Foto: Robson Mendes – Correio