‘Bora Rátis Minha Porra!’

Não há o que temer com a intervenção

 


 

A popularidade do interventor é proporcional à impopularidade do presidente destituído. E nessa equação, vitória no tribunal + vitória em campo = euforia. “O interventor já mudou o Bahia”, piscou a mensagem SMS assim que Fahel empurrou para as redes a virada tricolor. “Bora Rátis Minha Porra!”, emendou o parceiro de bar, como se tivesse lido o torpedo. E quando a tevê deu visibilidade ao cartaz “MGF nunca +”, tudo pareceu se encaixar. A estratégia do medo foi derrotada junto com o São Paulo: não, os jogadores não deixarão de cumprir com honestidade seu papel em campo – muito menos haverá prejuízo técnico à equipe; tampouco serão anulados os contratos de patrocínio; os pagamentos serão respeitados, os funcionários receberão salários, a divisão de base segue trabalhando… Não, o clube não vive em completa anarquia, está sob intervenção.

Designado pela Justiça uma terceira vez, Carlos Rátis tem como principal desafio devolver a transparência ao Bahia (se é que algum dia houve transparência). Por isso, a primeira medida é acertadamente fazer com que se saiba abertamente quem são os sócios do clube, quem está em dia com suas obrigações, enfim, os tricolores que podem participar legalmente da vida política da instituição. E na impossibilidade de se ter acesso a todos os documentos, é perfeitamente aceitável estabelecer um recadastramento – assim como o Governo Federal faz com seus programas sociais, por exemplo.

Convoque-se eleições, não em 2014, mas o mais rápido possível, assim que todos os mecanismos eleitorais estejam em perfeito funcionamento. A função de Rátis e seus três auxiliares termina assim que seja eleito um novo presidente – ou que fique comprovado que não houve irregularidades na última eleição.

Esqueçam o discurso pouco inteligente do “tirar o presidente para colocar quem?” ou “o clube está sem comando”. No processo democrático, que não é bem o forte dos clubes de futebol, os candidatos expõem suas ideias, se submetem à aprovação dos eleitores e quem faz melhor o jogo político é eleito – o que pode acontecer em 30 dias, dois meses ou um trimestre, enquanto o Bahia disputa tranquilamente o Campeonato Brasileiro. Não é a intervenção quem vai roubar a vaga na Libertadores ou decretar a queda para a segunda divisão. Na verdade, analisando friamente a questão, não há muito o que temer.

Temeria eu, se fosse o presidente destituído do clube, a enorme rejeição da torcida ao seu nome, alavancada pelos resultados do início da temporada, um sentimento de indignação coletiva e o ressurgimento de movimentos adormecidos – cientes do momento propício. O próximo passo do Bahia da

Torcida é mostrar a jogadores e torcida que a rejeição é ao ex-mandatário, não ao clube. Perdendo ou ganhando em Campinas, a promessa é de comparecimento em massa ao aeroporto, no domingo, para receber o time.

Parte daquele “jogo político” democrático em que o próximo passo é auxiliar o interventor a convocar novas eleições. E, óbvio, emplacar o novo presidente.

Kakay

Com todo o respeito ao renomadíssimo advogado quando ele diz que conversa com presidentes de clubes e representantes da CBF e ouve: “meu Deus, o que não acontece na Bahia, não acontece em lugar algum do mundo”. Fico feliz que sejamos nós os primeiros a levar a Justiça a ao menos discutir questões relacionadas às caixas-pretas que se tornaram os clubes de futebol. Se a decisão de decretar intervenção no Bahia não tem precedentes, palmas para o nosso TJ. O que não é possível é manter feudos estabelecidos em agremiações esportivas como se faz há anos no futebol brasileiro. Se isso incomoda o senhor Antonio Carlos Castro, o Kakay, a Justiça também está à sua disposição.


Tabela interativa da Série A com atualização online

http://uniaotricolorba.com.br/tabelaseriea.asp


Fonte: Eduardo Rocha – Correio*

Foto: beraltocartun