Com ou sem camisa

Rumo à Fonte, com ou sem camisa

 


 

Semana passada, imaginei um fictício Manual do Torcedor de Arena ao me referir sobre o comportamento de alguns torcedores nos estádios reformados para a Copa 2014. A surpresa – desagradável – é que o manual já não é fictício. Até assusta, mas é verdade: o consórcio que administra o Maracanã está preparando uma cartilha para ensinar os flamenguistas, vascaínos, botafoguenses e tricolores de lá a torcer no novo “Maraca” pasteurizado, e uma das novas regras é a proibição de ficar sem camisa dentro do estádio.

Existe absurdo maior? Com certeza não, escreveria, se possível fosse, Nelson Rodrigues numa crônica deliciosamente letal. Mas, sem Nelson nas tribunas do Maraca, dá para imaginar o que ainda vem por aí. Proibir vestir camisa pirata do time? Proibir o uso de chinelo? Bermuda, só se for lisa, pois as camisas dos quatro grandes clubes cariocas são listradas? Esse novo Maracanã esporte fino se envergonha e tenta se desfazer do seu DNA popular. Quer proibir tirar a camisa, instrumentos de percussão e tudo mais que cheire ao suor do povo. Ignora que, com medidas assim, em questão de tempo o grande templo do futebol brasileiro se tornará mais um estádio qualquer.

Ainda bem que na Fonte Nova a torcida ainda tem o direito de torcer. E por isso vamos todos no domingo. É Ba-Vi, dia de celebração. E não é qualquer clássico. É um reencontro após dez anos, é o Ba-Vi Chega de Saudade, dia de lembrar que o lugar de tricolores e rubro-negros é junto um do outro na 1ª divisão. E, surpresa boa, o clássico terá os dois times brigando na parte de cima da tabela, motivo para todos chegarem esperançosos no estádio. Os rubro-negros mais ainda, afinal, depois de um 5×1 e um 7×3, nunca se sabe o que Maxi e Dinei guardam para o próximo final de semana.

O momento é interessante. Lomba, de atuação desastrosa no último Ba-Vi, chega fortalecido por algo que nenhum torcedor do Bahia imaginava que ele seria capaz. Acho até que nem o Sobrenatural de Almeida explica como o goleiro tricolor, que nunca tinha defendido um pênalti na carreira, pegou dois numa noite só contra a Ponte Preta. Ele que, dias antes do jogo lá em Campinas, disse ao repórter Miro Palma, neste mesmo CORREIO, que queria recuperar a confiança do torcedor após as falhas no primeiro semestre. Pois bem, São Lomba fez mais que isso e teve seu dia de Lessa: um goleiro, uma garantia.

O Bahia jogará desfalcado de Marquinhos Gabriel, o único entre os 11 titulares que sabe driblar; e perdeu também Fahel e Diones, dupla que, além de fazer falta, aparece na frente e faz gol – principalmente Fahel.  Mas volante é o que não falta para Cristóvão, que usa pelo menos cinco por jogo e não abre mão nem quando está com um jogador a mais em campo.

Postura totalmente diferente do rival Caio Júnior, cuja ousadia leva o Vitória não só ao ataque, como à vice-liderança do campeonato. Ontem, o Leão já vencia o São Paulo por 3×2 e tinha um jogador a mais em campo quando o volante Cáceres deu lugar a Vander. Quatro dias antes, Cristóvão tinha um a mais contra o mesmo São Paulo e empatava em 1×1, mas fez a substituição oposta: sacou o meia Talisca, autor do gol, e botou um volante (Feijão).

Será que a coragem fará diferença no Ba-Vi? Só domingo pra saber. Mas, se o Bahia vacilar, Maxi faz. Artilheiro isolado do Brasileirão, agora com seis gols, o argentino é o destaque do Vitória e, sem exagero, também do campeonato. Com velocidade de pensamento e de drible e aparecendo na esquerda, na direita e na área, ele quase sempre acha uma boa chance de finalizar. E joga num time já entrosado, que construiu um padrão de jogo desde o estadual. Será um clássico e tanto.


Tabela interativa da Série A com atualização online


Fonte: Herbem Gramacho – Correio*

Imagem: Internet