Dante: Fala da emoção de jogar em casa

Torcedor tricolor, Dante quer a Bamor na Arena para Brasil x Itália; veja entrevista

Zagueiro baiano fala do grupo de Felipão e as sensações dos jogadores diante da possibilidade de ser campeão dentro de casa


Dante chegou à Seleção Brasileira em fevereiro, na primeira lista do técnico Luiz Felipe Scolari. Calouro aos 29 anos, o zagueiro, natural de Salvador, mostrou logo de cara que personalidade não ia faltar. Em um dos jantares, quando é normal os novatos subirem nas cadeiras para se apresentar, Dante Bonfim Costa Santos puxou o pagode “Pam panranram pampam”, do cantor Edcity. A mistura samba-futebol dá certo desde que Dante começou na Catuense e passou pelo Galícia antes de rodar na França e na Bélgica até ser titular do alemão Bayern de Munique.

Qual a expectativa para voltar a jogar em Salvador? Quem sabe tem um lugar contra a Itália, sábado, na Fonte Nova?

Eu já tinha jogado lá quando jogava no Juventude, em 2003. Mas é uma expectativa grande estar em Salvador com a Seleção Brasileira. Tem a família, os amigos todos presentes… Vai ser realmente especial. Espero com a Seleção chegar, fazer uma grande partida, classificar e honrar nossa terrinha.

Você assume torcer pelo Bahia. Vai ter apoio da torcida do Bahia?

Porra, se a torcida do Bahia não for nos apoiar… Tá de sacanagem! Eu conheço os caras da Bamor. Os caras só andam cantando. Eu estou lá direto. Se os caras não derem moral agora, vão dar quando? Bota lá no jornal (risos)!

Em Goiânia, você foi o primeiro a ir na grade do CT da Serrinha conversar com os torcedores. Queria que o contato na Seleção fosse maior?

É difícil falar porque eu moro fora há dez anos. Lá fora o pessoal tem essa cultura de vir e falar. Eu acho legal o cara falar: “Porra, Dante, jogou bem. Porra, que foi aquilo?” Eu respeito as maneiras de cada um pensar. A Seleção ainda está ganhando a confiança de todos. Tem vezes que você encontra uns torcedores apaixonados, outros estão decepcionados e expressam a decepção deles. Então é isso. Mas eu sou aberto, levo as críticas na melhor maneira possível.

Quem é mais fera no samba da concentração: você ou Daniel Alves? Vocês sempre chegam e saem dos treinos com instrumentos em mãos.

O Dani é fera. Dani arrebenta no tantam. É bom pra caramba (gargalhadas).

Mas e a história do Dante cantor e compositor?

(risos) Então… Eu não joguei a final da Copa da Alemanha, mas os torcedores e os jogadores me homenagearam e eu fiz uma música (risos). Em português, significa “Nós ganhamos o campeonato” (a canção lembra também os títulos da Champions e do Alemão). Fez o maior sucesso lá (tanto o clip na internet como a música). Então eu vou poder, com o dinheiro desta música, com o que for arrecadado, passar para o pessoal da ONG e também para as vítimas da enchente que teve lá na Alemanha.

Esta experiência na Alemanha foi uma mudança muito grande na sua carreira. Há dois anos, o Borussia Mönchengladbach estava na luta contra o rebaixamento. Em fevereiro deste ano, você chega à Seleção e ganha a tríplice coroa com o Bayern de Munique. Que virada…

Futebol é isso aí, amigão. Quem tem fé no trabalho, quem tem confiança, quem trabalha certo e com disciplina chega onde quer. Mas o problema do futebol, a merda, está aí: em três meses, você pode botar tudo a perder e virar do tudo um nada. Muita gente fala: “Te surpreende o que fez no Bayern de Munique?”. Eu digo que não porque eu trabalho assim faz tempo. Minha chegada na Seleção também. Minha cabeça já estava pronta para isso. Não é novidade pra mim. Claro, porra, que estou feliz pra caramba (risos). Isso aqui é o sonho de todo mundo, mas eu sou um cara que sempre trabalhei e tenho meu espaço com os companheiros.

E ser uma das primeiras opções de Felipão?

Fico feliz de ter esta oportunidade, de ajudar a mudar o esquema na hora que o time precisar. Mas o importante não vai ser quem jogue, mas ganhar as partidas e ser campeão das Confederações.

Chamam as Confederações de evento-teste para a Copa. E para você? É um teste também ou já sente que tem um lugarzinho no grupo?

Não. Consolidado nada. É continuar trabalhando. Você consolida algumas coisas quando continua trabalhando forte, com seriedade, com disciplina. Então, tudo bem, estou feliz aqui, por ser alternativa ao professor, mas futebol não tem moleza. Não dá para se contentar com as coisas que os outros falam. É pegar forte, ajudar o grupo, jogando ou não. Eu quero ver este time ser campeão. O pessoal tá trabalhando bem.

Quando você entra no time são mesmo dois zagueiros e o David Luiz de volante?

Sim, dois zagueiros. David de volante dando aquela proteção. Mas como ele tem características de zagueiro, ele fica mais, nos ajuda mais no combate, dá aquela proteção na frente da zaga. Ele é um jogador com versatilidade, joga no clube dele (Chelsea) de volante. Se Felipão optar por esta formação, vai ser eu e o Thiago (na zaga) e o David dando suporte na frente.

Para encerrar: e a expectativa de fazer história em casa no final do mês? É um sonho?

(Risos) Primeiramente, não é só um sonho. É estar dando alegria a quantos? A 195 milhões? Vamos botar 200 milhões (e abre o sorriso)? Já imaginou alegrar 200 milhões de pessoas? Isso aí é gratificante. Você chega a arrepiar, pô! Eu, quando era pequeno, lembro bem de ficar vendo jogo da Seleção e era apaixonado. Era uma coisa linda ficar vendo. Eu hoje tenho esta chance e quero dar alegria ao povo brasileiro.

Fonte: Marcelo Sant´Ana – iBahia.com

Foto: Raphael Ribeiro – CBF – iBahia.com