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De Marin a Gallo, Brasil Sub-17 sucumbe por imediatismo e time de força

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De Marin a Gallo, Brasil Sub-17 sucumbe por imediatismo e time de força

Gallo lamenta eliminação do Brasil: faltou técnica e sobrou vigor no Mundial Sub-17

Vencer ou vencer. A “ordem” foi entregue por José Maria Marin a Alexandre Gallo, que não mediu esforços para tentar cumprir. Eliminado nos pênaltis pelas quartas de final contra o México no Mundial Sub-17, o Brasil era um time obcecado pelo título no pior sentido sobre o que se imagina formação de talentos para o futuro. No grupo, muita força, muitos jogadores grandes e uma equipe que, a despeito inúmeras possibilidades com tantas boas promessas nascidas entre 1996 e 1997, teve escolhas imediatistas.

Há dois índices objetivos que sustentam o raciocínio de que a Seleção Brasileira de Gallo era mais imposição e menos talento. Entre as oito finalistas do Mundial, o Brasil era o que tinha mais jogadores nascidos no primeiro trimestre de 1996 (13 de 21), o que naturalmente supõe jogadores mais fortes e maiores. Isso é ratificado por outro levantamento: com média de 1,78 m, a Seleção tinha o segundo elenco mais alto entre oito finalistas, só atrás da Suécia (1,81 m).

Uma análise fria sobre o modelo de jogo brasileiro também mostrará uma equipe de mais velocidade, excessivamente dependente das bolas escoradas por seu centroavante, Mosquito (96). Exceto em lances geniais de Nathan (96), grande figura do Brasil no Mundial, a equipe de Gallo teve pouca circulação de bola, em parte por jogar com um volante talentoso próximo aos zagueiros (Gustavo Hebling, 96) e outro de muito vigor e pouca técnica (Danilo, 96).

Acostumado a ser protagonista, o Brasil alterou seu modelo tático de poucas variações (4-2-3-1) para encaixar o jogo ao dos mexicanos (3-4-3). Ocasionalmente vazado em lance de bola aérea, tinha em campo três zagueiros, um volante marcador na ala esquerda e dois centroavantes. Na base do abafa, empatou na insistência de Nathan, certamente o grande acerto de Gallo. Que acertaria mais se olhasse com carinho para Robert (96), Ewandro (96), Íkaro (96), Maykon (97), Fernando Medeiros (96), Jorge (96), Matheus Queiroz (96), Elvis (96), Bruno Gomes (96) e Gerson (97), todos jogadores de técnica deixados no Brasil.

É difícil saber ao certo até que ponto Gallo é culpado ou vítima sobre o que se passou. Ao receber o cargo de Marin no início do ano, ouviu que precisava de títulos que abafassem a ridícula prestação do Brasil no Sul-Americano Sub-20. Pouco importava a formação de alguma base para os Jogos de 2016. Pouco importava o que iria se construir para o futuro da Seleção Brasileira. Importante mesmo era transmitir a impressão de que tudo estava bem no reino da CBF, que Marco Polo Del Nero será o melhor nas eleições de abril.

A quem não acredita na interferência da direção em resultados, a quem acredita que montar times de base é apenas selecionar os melhores, as decepções com as Seleções Sub-20 e Sub-17 do Brasil nesta temporada trazem respostas pedagógicas. Sobre a primeira, de como o descaso pode relegar os brasileiros à vala comum. Sobre a mais recente, de que era possível pensar mais no futuro e menos no presente, mais no talento e menos no título que não veio.

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Confira as notas dos jogadores mais utilizados no Mundial Sub-17:

Marcos (Fluminense) – 6,5 – Não comprometeu, até apareceu bem em alguns momentos, mas também não brilhou

Auro (São Paulo) – 7,0 – Muita personalidade, vigor e uma indicação de que 2013 é o melhor ano de sua carreira até aqui

Lucão (São Paulo) – 7,5 – Muito bom passe, velocidade e seriedade. Será jogador para a Seleção principal

Eduardo (Internacional) – 5,0 – Estabanado em alguns momentos, não passou segurança

Abner (Coritiba) – 6,5 – Sua lesão no terceiro jogo abalou a equipe brasileira. Era grande válvula de escape

Gustavo (São Paulo) – 6,5 – Discreto, inteligente e eficiente, dá pinta de que vai crescer nos juniores

Danilo (Vasco) – 6,0 – Sobra força e vigor, mas falta mais qualidade. Evidenciou virtudes e defeitos no Mundial

Boschilia (São Paulo) – 8,0 – Grandes atuações, principalmente por seu poder de decisão. Se evoluir, pode ser um craque

Nathan (Atlético-PR) – 8,5 – O melhor brasileiro. Grande técnica, visão de jogo e sempre escolhas corretas. Encantou

Caio Rangel (Flamengo) – 6,0 – Ficou abaixo do que pode, mas não jogou mal

Mosquito (Atlético-PR) – 7,5 – Fez o que dele se espera, com apurado faro de gol e muito bom trabalho de pivô

Thiago Maia (Santos) – 5,0 – Cumpre o que pedido, mas dificilmente será jogador de Seleção principal

Índio (Vasco) – 5,0 – Em queda na carreira, precisará jogar muito mais após o Mundial

Gabriel (Santos) – 5,5 – Perde ponto pela cobrança de pênalti ruim, mas cresceu como jogador na Seleção

Kenedy (Fluminense) – 5,5 – Partiu para o sacrifício e não conseguiu brilhar como no Sul-Americano

Nathan chegou como surpresa e saiu como estrela do Mundial


Fonte: Dassler Marques – Terra

Fotos: Getty Images

 

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