Do Z-8, Bahia é o único que não trocou de técnico

Dos 8 últimos times da Série A, Bahia é o único que não trocou de técnico

Questionado sobre sua manutenção no cargo, Cristóvão Borges diz que não se preocupa com o assunto e admite: ‘Errei algumas vezes e vou errar’

Entra ano e sai ano, a história se repete. A certa altura do Campeonato Brasileiro, a dança dos treinadores tem início na competição nacional. Quando os times começam a definir suas situações no torneio, a coisa pode ficar feia para os técnicos das equipes que figuram na parte de baixo da tabela.

O ano de 2013 não é diferente. Às vésperas da 32ª rodada, dos últimos oito colocados do Brasileirão, todos trocaram seus treinadores, com exceção de um time. O Bahia, na 15ª posição com 37 pontos, se mantém firme com Cristóvão Borges à frente do grupo. Tirando o Tricolor, todas as equipes desde o Coritiba, 13º colocado, até o Náutico, lanterna, iniciaram a Série A sob um comando diferente do atual.

cristovão borges bahia vitória série A (Foto: Felipe Oliveira / Agência Estado)

Cristóvão Borges assumiu o Bahia em 17 de maio e permanece até hoje

Apesar dos dados, o técnico do Esquadrão de Aço não se preocupa. Com aproveitamento de 39,8% no Brasileirão, Cristóvão Borges mostra que confia no próprio taco.

– Não tem preocupação em relação a isso. Confio no que estou fazendo. Temos muito a melhorar até o fim do campeonato, com a certeza de que estamos no caminho – afirma o treinador, que tem nove vitórias, 10 empates e 12 derrotas nos 31 jogos da Série A disputados até agora.

Se for analisado o histórico das equipes da parte de baixo da tabela do Brasileirão, é fácil visualizar a dança dos treinadores. O Coxa iniciou a competição sob o comando de Marquinhos Santos, que resistiu no cargo até o fim de setembro, quando deu lugar a Péricles Chamusca. O 14º colocado, a Portuguesa, também teve dois treinadores na Série A: começou com Edson Pimenta, que deu lugar a Guto Ferreira na 10ª rodada da competição.

Equipe

Técnicos

Coritiba

– Marquinhos Santos
– Péricles Chamusca

Portuguesa

– Edson Pimenta
– Guto Ferreira

Bahia

Cristóvão Borges

Fluminense

– Abel Braga
– Luxemburgo

Ponte Preta

– Guto Ferreira
– Carpegiani
– Jorginho

Vasco

– Paulo Autuori
– Dorival Junior
– Adilson Batista

Criciúma

– Vadão
– Sílvio Criciúma
– Argel Fucks

Náutico

– Silas
– Zé Teodoro
– Jorginho
– Levi Gomes
– Martelotte

O Fluminense, que ocupa a 16ª posição, entrou no Brasileirão com Abel Braga à frente do time. Na 10ª rodada, no entanto, Luxemburgo já estava no comando da equipe carioca. Já a Ponte Preta, 17º na tabela, teve três técnicos no Campeonato Brasileiro: Guto Ferreira, Paulo César Carpegiani e, agora, Jorginho. Descendo uma posição, o Vasco aparece na 18ª colocação sob o comando do 3º treinador no Brasileirão: Adilson Batista, que foi precedido por Dorival Junior e Paulo Autuori.

O 19º, o Criciúma, também passou por três técnicos: começou com Vadão, que ficou até o fim de agosto e foi substituído por Sílvio Criciúma. Um mês depois, Argel Fucks era apresentado como novo treinador do time catarinense. O lanterna do Brasileirão, o Náutico, é o recordista entre as equipes analisadas: desde a 1ª rodada da competição, o Timbu teve quatro técnicos. O primeiro do torneio foi Silas, que só durou até a 3ª rodada. Zé Teodoro assumiu, mas deu lugar a Jorginho (ex-Bahia), que ficou no cargo até o início de setembro. Com a saída do treinador, o interino Levi Gomes foi efetivado, mas foi substituído no fim de setembro por Marcelo Martelotte.

Seguro, Cristóvão Borges não tem medo da substituição. O treinador mantém uma postura de pés no chão e admite seus erros à frente do Bahia. E mais: não nega que outros erros, naturais que são, ainda vão acontecer.

– Errei algumas vezes e vou errar. O erro acontece quando você não ganha. Foram algumas partidas que jogamos mal. Mas no jogo do São Paulo, eu estava muito satisfeito. Mas aí desorganizamos um pouco, e não soubemos aproveitar o jogador a mais. A pressão aumentou e a equipe não conseguiu se equilibrar. O que a equipe fez contra o Nacional-COL me satisfez bastante. Já contra o Atlético-PR, nada. No jogo, você tem que decidir. As escolhas às vezes funcionam, outras não. É igual a pênalti. Quando entra, é bem batido. Analisar erro no futebol é meio assim: vai muito em cima do resultado – analisa o técnico tricolor, que tem contrato com o Esquadrão até o fim de 2014.

A postura do clube é novidade para a torcida tricolor. Nos últimos anos, o Bahia não se intimidou para trocar de treinador. Na temporada passada, Joel Santana, Paulo Roberto Falcão, Caio Júnior e Jorginho passaram pelo time. Neste ano, Jorginho deu lugar a Joel Santana, que saiu para a chegada de Cristóvão Borges.

A mudança de atitude parece ser aprovada pelo elenco do Bahia. Nesta semana, o volante Rafael Miranda afirmou que a manutenção de Cristóvão no Tricolor é uma ‘decisão acertada’.

– Eu gosto dessa mentalidade que hoje foi implantada no Bahia. Trabalho de treinador é a longo prazo, porque a gente conhece a metodologia do treinador. Fizemos grandes partidas esse ano, o que significa que o time foi bem armado. Trocar treinador durante o campeonato não é uma boa ideia. O Bahia está tomando essa decisão acertada – afirmou o jogador.

Cristóvão Borges (Foto: Rafael Santana)

Cristóvão tem aproveitamento de 39,8% no Brasileirão

Com sete jogos até o fim do Brasileirão, Cristóvão tem a missão de manter o time baiano na elite do futebol nacional. Ciente da responsabilidade de carregar a nação tricolor a cada decisão, o treinador prefere trabalhar por partes e evita traçar metas para as partidas restantes da competição. Sempre sereno, o técnico dá uma receita simples para que possa comandar um Bahia de Série A em 2014.

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– Passa uma rodada e isso muda. Na nossa situação, como passamos muito tempo sem pontuar, para nós é simples: precisamos mudar isso. Quebrar e ganhar. Ganhar para somar pontos e ganhar moral. Não vai fugir disso. Vamos pensar jogo a jogo – finalizou.


Fonte: Rafael Santana e Tamires Fukutani – GE.COM

Foto: Felipe Oliveira/Agência Estado e Rafael Santana