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EC Bahia: estamos em obras

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EC Bahia: estamos em obras

"Como dar parabéns a quem no primeiro aniversário da democracia resolve se fechar aos novos sócios? Ninguém mais do que os sócios transmitem os valores e a lealdade a um clube"

O Bahia comemora hoje, independência do Brasil, um ano da sua independência com a primeira eleição para presidente a partir do voto direto dos sócios. É um orgulho para todos os tricolores.

Ao mesmo tempo, é uma pena o time passar a data jogando com portões fechados, na Fonte Nova, palco da histórica votação; e o clube estar fechado a novos sócios até as próximas eleições. A democracia merecia uma festa. Mas, hoje, o torcedor foi deixado do lado de fora. Mudar é complicado.

A partida sem público contra o Coritiba é culpa exclusiva da diretoria. A punição se deve à superlotação do Joia da Princesa, contra o Santos, quando foram vendidos mais ingressos do que a capacidade do estádio. Já o veto ao lançamento de novos títulos é uma das competências do Conselho, conforme prevê o Artigo 24, inciso VI, desde que aprovado por 2/3 dos membros. Nos dois casos, este colunista enxerga equívocos nas tomadas de decisões.

A maioria dos torcedores tem no futebol uma alternativa de lazer para relaxar, para se desconectar, voltar à infância, sonhar. A maioria quer ganhar três pontos, ver gol, comprar a sua camisa, a do filho, umas canecas, uma pólo ou uma regata para dar de presente, brincar com amigos, fazer chacota com os adversários. Quer torcer sem vínculo político. Quer aproveitar as emoções do esporte.

Proibir novas associações, além de afastar quem deseja construir o clube e não apenas sentir as experiências do jogo, é agir contra a única nova fonte de receita desde a destituição do ex-presidente Marcelo Guimarães Filho. O clube continua em crise financeira por anos de gestões temerárias, perdeu patrocínios desde o fim do ano passado e, ontem, voluntariamente, fechou outra torneira. O esporte é um campo infinito para as contradições humanas.

Qual será o sentido de o Bahia fazer campanha de sócios nas TVs aberta e fechada, nas redes sociais ou manter a marca do programa de sócios na camisa se estão proibidas novas adesões? De que serve divulgar produto, mostrar as vantagens, despertar o desejo e não colocá-lo disponível pelos próximos três meses? Como dar parabéns a quem no primeiro aniversário da democracia resolve se fechar aos novos sócios? Ninguém mais do que os sócios transmitem os valores e a lealdade a um clube. Os sócios defendem a torcida, o escudo e a camisa.

A decisão de ontem do Conselho é um retrocesso. Um caminho alternativo seria, por exemplo, definir a carência mínima de três meses para o sócio ter direito ao voto, mas nunca proibir a associação. É justo adaptar leis para melhorar as práticas. É fundamental não alterar as regras com o jogo em andamento, especialmente, se a mudança, na teoria, beneficia quem está no poder.

Como a eleição para presidente será no dia 13 (sábado) ou no dia 14 (domingo) de dezembro, logo após o Brasileiro, poder-se-ia ter dado esta semana como última chance de o tricolor virar sócio e votar na eleição para presidente e para o novo Conselho. Futuramente, em paralelo à mudança cultural, defendo até a ampliação da carência para um ano, três anos, nove anos…

A justificativa de “evitar o abuso do poder econômico” é compreensível, mas a própria eleição de Fernando Schmidt correu este risco. Ontem, por sua vez, houve “abuso do poder político”.

Sentir medo do que o futuro reserva não dá direito a quem está no poder de blindar o clube de novas associações. Foi por medo de perder o poder que o cartola deposto nunca reformou o estatuto – assim como aqueles que o apoiaram, os quais nunca mais desejo ver administrando o Bahia. É também por medo de ter interesses contrariados que a atual diretoria e o atual Conselho fecharão o Bahia por três meses. O Bahia é a maior vítima dos seus próprios medos.

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