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Vendo Bahia superior, Enderson Moreira exalta Zé Rafael e revela que Edigar tem limitação física

Treinador concedeu entrevista coletiva após o triunfo sobre o Ceará, que praticamente garantiu a permanência do Tricolor na Série A

Enderson Moreira concede entrevista coletiva (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)
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Nesta quarta-feira (14), o Bahia venceu o Ceará por 2 a 1, na Arena Fonte Nova, pelo Campeonato Brasileiro. O técnico Enderson Moreira concedeu entrevista coletiva após o triunfo, que praticamente selou a permanência do Tricolor na elite do futebol nacional. A equipe foi superior ao adversário durante toda a partida, mas sofreu um gol aos sete minutos de jogo e conseguiu a virada apenas aos 47 minutos do segundo tempo, com Edigar Junio.

Analisando o desempenho do Bahia na partida, Enderson Moreira declarou que o Tricolor foi bastante superior ao adversário:

O Bahia, se não foi o time que mais jogou foi um dos que mais jogaram. O poder dos atletas de manter o nível de competitividade é impressionante. Não me lembro… Antes de mais nada, quero enaltecer esse grupo, pela dedicação, empenho, capacidade de enfrentamento, que é a coisa que eu mais cobro deles. Está difícil? Dê um passo à frente. Vá lá, dispute, jogue, tente fazer, porque só assim a gente sai de algumas situações que podem ser complicadas. Enaltecer o trabalho dos atletas. Eu tenho uma visão um pouco diferente, porque vivo do futebol e preciso encontrar resultados e algumas observações, independente do resultado mesmo. Eu acho que a equipe do Bahia hoje foi extremamente superior à equipe do Ceará, criou muitas oportunidades, jogou no campo do Ceará quase o jogo inteiro, proporcionou pouquíssimos contra-ataques. E mesmo com uma equipe que é muito bem montada pelo Lisca, equipe que tem uma transição muito forte, que marca muito bem, conseguimos criar situações, mesmo saindo atrás no placar, com paciência. E a gente precisa enaltecer os atletas, que se empenharam muito. Muitas vezes não entende por que a gente mantém alguns atletas, mesmo que tecnicamente tenha caído um pouquinho. Porque a gente não pode pegar um jogador que jogue mal um jogo e colocar outro no dia seguinte, porque você vai criar uma instabilidade enorme. Então o jogador entra em campo e não pode jogar mal? Ele tem o dia dele. Às vezes, as coisas acontecem positivamente, tem vezes que não. O importante é que possam continuar tentando, tendo a nossa confiança, e é essa mensagem que eu tento passar, que a gente possa abraçar esse grupo.

Após o triunfo, o Bahia chegou à 10ª posição, com 44 pontos, apenas um ponto abaixo dos 45, considerado o “número mágico” para a permanência na Série A. Enderson Moreira admitiu que o objetivo do Tricolor está bastante próximo:

Não sei o que vai dar, se vai conseguir o 10º, 11º lugar. A gente está perto de se salvar do rebaixamento. Dificilmente a pontuação passa de 44, mas não é nada matemático. Vamos olhar para frente, jogar esses últimos cinco jogos com toda energia. A palavra que pedi a eles foi comprometimento, concentração, até a última rodada. Se a gente vai conseguir três pontos até o fim, é o máximo que a gente vai conseguir. Porque o grupo se sacrificou tanto… No finalzinho, vai até o fim. Estou cansado também, fazendo meu 61º jogo da temporada. Eu não estive aqui no começo, estava em outro clube e também estou com a ziguizira começando, a pressão começa a ficar alta, mas não vou relaxar, vou até a última gota. E os atletas, nosso compromisso foi claro. Independente do que acontecer, vamos fazer o melhor até a última gota.

Enderson Moreira elogiou os dois autores dos gols do Bahia: Zé Rafael e Edigar Junio. O treinador elogiou a dedicação de Zé, mesmo assediado por outras equipes, e revelou que Edigar está com uma limitação física:

Edigar teve um ano difícil de lesões. Isso tirou ele da possibilidade de fazer uma boa preparação para esse ano. Edigar convive com dores que não são fáceis de poder administrar. Tem uma limitação em termos de trabalho de impacto. Precisa sempre ser poupado um pouco dessas atividades. É um jogador guerreiro. Conheço ele, trabalhei com ele no sub-20 do Atlético-PR. Competitivo, tem uma força absurda. Sempre falo com ele de poder… Na verdade, vocês utilizam a palavra que “fulano foi sacado”. Não foi sacado. A gente fez algumas opções para um jogo, para terminar um jogo… Lá fora isso é tão comum. Aqui parece que cria uma carga diferente. São opções táticas, como fez contra o Atlético-PR, quando a gente colocou um time diferente, porque o jogo era diferente. Pode ser que, contra o Atlético-MG, eu possa tomar uma decisão diferente em função do adversário. A gente cria, na impossibilidade de treinar, a gente quase não tem tempo para treinar, então a gente vai criando situações com as características dos jogadores, para que possa minimizar a falta de treinos com encaixes diferentes. Passei para eles isso para ter tranquilidade, confiança, e treinar bem. Todo mundo confia nele, acredita, sabe o potencial. Ele tem uma limitação física esse ano em termos de não estar no mesmo nível do ano passado, mas tem que saber lidar com isso no finalzinho e se preparar muito bem para a próxima temporada.

Confira o que Enderson Moreira declarou em entrevista coletiva

Mudanças forçadas no jogo
– Alterações que acontecem no jogo. A gente vem com um plano na cabeça, o jogo te leva para alguns outros caminhos que não são os que a preparou. Tive a capacidade de, mesmo não tendo a possibilidade de alterar muito, manter a equipe viva, organizada, para que pudesse buscar o triunfo até o final, como aconteceu.

Ausência de Gilberto
– Gilberto é um jogador que a gente sabe o retrospecto. Vamos pensar: que treinador não quer os seus principais atletas? Se o Gilberto não veio… Vocês têm que entender que eu tenho meu lado de burro, todo treinador é um pouco burro, mas não a esse ponto de ter um jogador desse em condições de participar e não trazer para o jogo. O Gilberto está começando um processo de readaptação. Muito precoce ainda. Ele não está com os movimentos certos. Sou especialista nisso, trabalho com isso há 20 anos. Há 20 anos, vejo jogadores todos os dias da vida, três a quatro horas por dia. A gente sabe quando ele está solto e preparado e quando não está ainda. Está com muito receio de bater na bola. A lesão dele não é tão grave em termos de cirurgia, mas é uma lesão chata, dolorida. Quem teve sabe. Toda hora que pegar ponta do pé, vai dar uma dor absurda. Mas ele não está ainda preparado para jogar. E a torcida pode ter certeza, a imprensa também, que, assim que ele tiver condições de participar, ele vai estar presente, no banco ou como titular, porque é um jogador com quem a gente quer contar. Se pudesse botar ontem, eu botava. Mas infelizmente, ele não está em condições. Ele está iniciando o processo. Apto de ir a campo não quer dizer que está apto a participar do jogo.

Quem joga contra o Atlético-MG?
– Tenho que ver muito. Não tenho condição de falar. Perdemos dois jogadores, já são duas modificações. Vou avaliar bem o trio nosso de frente, do meio-campo, Élber, Zé e Ramires. Preciso avaliar muito, porque eles estão num processo de desgaste enorme. Ramires é um menino, mas cansa. O que ele pedala é uma coisa impressionante. Élber, o que faz de recomposição… Zé jogou bola, correu. Preciso ter uma avaliação melhor para poder tomar a melhor decisão e não tentar buscar o resultado lá sem perder atletas que são importantíssimos na reta final. Quem tiver condição vai jogar. Quem estiver recuperado para participar vai participar. Mas os que não conseguirem se recuperar, temos que ter opções.

Cobrança da torcida para tirar Elton
– Alguns torcedores ficam ali atrás, a gente respeita, mas pedir para tirar o jogador com 10 minutos porque errou um passe… E a assistência para o gol de Zé Rafael? Se eu fosse tirar o jogador que erra um passe, a gente terminava o ano sem nenhum jogador. Ninguém joga para errar. Me perguntaram por que eu não tirei o Grolli. Porque ele tentou tirar a bola e errou? Não é o caminho. Se ele não tiver apoio meu, vai ter de quem? Se o torcedor não abraçar o jogador, ele vai ter apoio de quem? Eu tenho que brigar mesmo, para que esses jogadores possam ter confiança, que possam errar um lance e tentar acertar o próximo, e foi isso que aconteceu. Errou o passe e depois fez uma jogada maravilhosa. Deu chance de Zé fazer o gol. O Zé é um capítulo à parte. Imagina a cabeça dele, opção de compra do Palmeiras ou outro clube, e terminando o campeonato. Esse menino se dedica para poder, mesmo às vezes tecnicamente não estando no seu melhor, o que ele corre, se destaca nesse aspecto de competitividade é absurdo. E a gente tem que ter paciência para que as coisas aconteçam. Ele foi decisivo contra a Chapecoense aqui, pela jogada fantástica, passe para Élber. Hoje novamente ele jogou muito forte. Tanto que foi até o limite. De vez em quando, ele fala que não dá mais. Eu digo: “Vai mais que dá”. Às vezes encerra o jogo assim. O pessoal fala: “Por que não muda antes? Mexe rápido”. Eu estou com o cara o dia todo, sei que cada hora um apita uma coisa de cansaço. Eu fico esperando para ver. Imagina se eu fizesse hoje duas substituições no intervalo? Em seguida, Léo e Grolli saíram por problemas. A gente precisa ter tranquilidade para poder fazer os movimentos. Queria agradecer ao torcedor, que não deixou de apoiar, acreditou o tempo todo. Isso dá energia, força, quando as pernas não obedecem. De coração, agradecer aos torcedores que vieram passar energia. Foi um triunfo especial para eles todos poderem curtir o feriado com um grande resultado e sabendo que foram fundamentais para essa conquista.

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