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Enderson Moreira mostra orgulho pelo Bahia e diz que Atlético-PR teve sorte de campeão

Tricolor quebrou invencibilidade do Atlético-PR em casa, mas perdeu nos pênaltis e foi eliminado da Copa Sul-Americana

Enderson Moreira concede entrevista coletiva (Foto: Divulgação/EC Bahia)

O técnico Enderson Moreira concedeu entrevista coletiva após a eliminação do Bahia na Copa Sul-Americana. Nesta quarta-feira (31), o Tricolor venceu o Atlético-PR no tempo normal por 1 a 0, mas perdeu nos pênaltis por 4 a 1, na Arena da Baixada, no jogo de volta das quartas de final da competição continental.

Apesar da eliminação, Enderson Moreira mostrou estar orgulhoso com a atuação do Bahia, que quebrou a invencibilidade do Furacão, que não perdia há 13 jogos em casa. Parabenizando o adversário pela classificação, o treinador tricolor foi irônico ao lembrar que a sua equipe teve três gols anulados no confronto: dois no jogo de ida, na Arena Fonte Nova, e um no jogo de volta:

Parabenizar o Atlético-PR. Hoje eles têm que comemorar demais. Acho que eles estão com aquela sorte de campeões, porque, na história do Atlético-PR, eu duvido que eles tenham passado por um adversário que fez quatro gols neles e sofreu apenas um. Isso é uma coisa inédita. Não sei se, na história deles, tem algum confronto que aconteceu isso. Infelizmente, nos tiraram a possibilidade de poder nos classificar, mas eu estou muito orgulhoso dos atletas.

Enderson Moreira falou sobre as dificuldades do Bahia na grama sintética da Arena da Baixada, como por exemplo, em escanteios que não ganhavam altura. O treinador também reconheceu que o lado emocional do Atlético-PR na disputa de pênaltis foi superior:

Acho que é o emocional, um fato muito importante. Você sabe quantos escanteios que os nossos jogadores bateram que a bola não subiu? Será que eles erram tanto assim? Não. É porque a bola não fica sobre um espaço que a grama natural tem. Ela fica sobre um espaço duro, que é difícil de levantar a bola. Atleta de alto nível, quando você está em uma grama mais baixa, mais seca, isso tudo faz diferença. É adaptação. Bater pênalti para eles também aqui é tenso. A batida tem que o costume de ser mais no meio, às vezes pega mais em baixo, sobe, vai mais baixa… Também tem isso. Não é loteria no sentido de que as coisas acontecem. Tem competência, o lado emocional, e uma parcela de sorte também.

Na partida desta quarta, Enderson Moreira traçou uma estratégia para parar o adversário: o Bahia abdicou de trocar passas, apostando nas ligações diretas, fazendo com que o Atlético-PR ficasse longe do gol tricolor:

Acho que muita gente esteve preparado para jogar pedra no Enderson porque colocou três volantes…. Aqui a gente também estuda futebol. Eu estou nisso há vinte anos. Eu sabia o que fazer aqui dentro para fazer o atlético sentir dificuldade no jogo. Você não sabe a dificuldade que é para um atleta profissional jogar num campo sintético. É outro jogo. A gente teve que se adaptar ao posicionamento, tirar a bola do nosso campo. Não é um jogo bonito plasticamente, mas é eficiente, e foi assim a gente conseguiu reverter essa vantagem, e por muito pouco a gente poderia ter classificado também.

Ao Bahia agora, resta apenas o Campeonato Brasileiro nesta temporada. A equipe volta a campo neste domingo (4), às 19h, quando enfrenta a Chapecoense, na Arena Fonte Nova, pela 32ª rodada da competição.

Confira o que Enderson Moreira falou em entrevista coletiva

Volantes
– Vocês viram o Bahia em cima deles. Tem muita gente que fala: “Ah, vai para cima deles”, “tira os volantes”. Vou te falar uma coisa: eu tenho dó de quem joga de volante. Ô função maltratada nesse país. Lá fora os caras valorizam os volantes. O Xavi, que joga muito, o Busquets que joga demais, e aqui a gente mete o pau nos caras. São jogadores profissionais, tem qualidades técnicas. A função deles não quer dizer que não tem qualidade de jogo. A função deles está muito mais ampla do que antigamente. Antes era um cara que marca, mas todos hoje têm qualidade de jogo, trocam passes, chegam na área, então assim: queria enaltecer todo o departamento de futebol do Bahia, que nos oferece todas as condições de poder vim aqui e fazer o jogo que nós fizemos. Estou muito orgulhoso do torcedor, do clube. Chateado pela eliminação, mas tenho muito orgulho pelo o que eles fizeram aqui hoje. Hoje foi um dia que me diverti bastante à beira do campo. Isso sem poder treinar muito. Fizemos um único treinamento ontem. O Bahia tem 67 jogos. A gente não teve possibilidade de poupar jogar no sábado, não estamos com folga no brasileiro. O que eu faço sempre é colocar os que estão em melhor condição para o jogo. Depois que inicia a gente pode pensar em alternativas, mas o estudo que é feito, é com critério. Não tem invenção. Eu faço aquilo com base nos dados que eu tenho, com minha experiência no futebol. Acho que é importante para o clube e foi assim sempre. Hoje nós demonstramos a importância que nos demos para competição. Jogamos com alma, com determinação… se você for pegar o GPS do que esses caras correram hoje, é uma coisa absurda. É de tirar o chapéu. Infelizmente fomos eliminados.

Orientação do intervalo
– Mesma coisa: eu sei que é difícil manter a marcação, mas assim que tiver os gatilhos, esse momento sobe, nesse momento sobe. Não vamos colocar o time lá atrás, porque o time do Atlético-PR tem muita qualidade nos cruzamentos da intermediaria. Nós tiramos isso constantemente. Jogamos o time do atlético o mais longe do nosso gol, e essa foi nossa ideia.

Elogios ao grupo
– É o que a gente tem de expectativa, cara. Terminar bem o brasileiro, porque o Bahia tem jogado bem, tem enfrentado os adversários com uma postura gigantesca. Não é um time reativo, que joga só para trás, se defendendo, é um time que sabe o que fazer. Não canso de enaltecer esse grupo. É uma coisa especial para mim. Eu tenho tanto orgulho deles, cara… Mas é tão orgulhoso… eu tenho falado com eles. Eu tenho mais falado do que treinado. Eu falo para eles e eles conseguem fazer, cara. Eu fico espantado com a dedicação deles. Muito me orgulho e espero que o torcedor reconheça isso. Não foi fácil; a gente veio para quebrar um momento especial do Atlético e a gente tem que valorizar isso. Poderíamos ter saído classificados e seria merecido, mas a gente entende que é aquela sorte de campeão. Aquele negócio de fazermos quatro gols e apenas um ser validado.

Postura do Bahia
– Eu acho que fizemos partidas maravilhosas. Eu acho que a postura foi muito boa para esse tipo de jogo. O Bahia é um time que sabe tocar a bola, Bahia é um time que sai jogando, que argumenta o jogo, que tem posse de bola, que tem transição, tem que velocidade. A gente já fez ótimos jogos aí, e as vezes o resultado escapa de alguma forma. Hoje eu acho que foi o mais contraditório, porque todos acreditavam que a gente não teria a capacidade de poder fazer o jogo que nós fizemos.

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