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Ex-conselheiro do Bahia se defende em nota: Utilizei um termo inadequado

Escudo do Bahia (Foto: Divulgação)

Após renunciar ao cargo de conselheiro do Esporte Clube Bahia, Gilson Pinheiro se defendeu das acusações de que tentou uma manobra para tentar barrar o voto online nas eleições do clube, marcadas para 2017

Na última sexta-feira (2), um áudio enviado por engano para o grupo do Conselho Deliberativo no aplicativo Whatsapp sugeria o plano.

“Não se pode abrir mão de um sistema de votação seguro em detrimento de quaisquer outras justificativas. Assim, não posso estar sendo acusado de tentativa de burla das eleições de 2017, como estão maliciosamente afirmando, até mesmo por não existir nenhum mecanismo ao meu alcance para isto”, disse, em nota enviada ao jornal Correio.

“Utilizei um termo inadequado, pegadinha, para tentar convencer conselheiros do grupo de oposição da retirada do texto – anteriormente proposto – de um quórum de 2/3 e a necessidade de certificação digital para a substituição pelo termo auditável”, indicou.

O objetivo do voto online é disponibilizar o pleito para sócios que não residem em Salvador. Confira a nota completa:

Primeiramente gostaria de informar que sou conselheiro do Esporte Clube Bahia há quase quatro anos, eleito e reeleito pelo voto direto dos sócios e escolhido nos dois mandatos para coordenar a comissão de reforma estatutária do clube, trabalho este que me dignei a fazer sempre com muita dedicação e austeridade, por diversas vezes bastante elogiado devido a condução técnica e isenta, por inúmeros Conselheiros integrantes dos mais diversos grupos do Conselho Deliberativo.

No ultimo dia 02/12 enviei um áudio que deveria ter por destino outro conselheiro do clube, no qual relatava sobre uma reunião que eu tinha participado no dia anterior, visando encontrar uma alternativa viável de texto que pudesse ser acolhida pela grande maioria dos grupos pertencentes ao Conselho. Nesta reunião chegamos a um consenso de que não conseguiríamos aprovar o texto proposto pela Comissão de reforma do Estatuto, o qual previa que o sistema de segurança para votação por meios eletrônicos deveria ser aprovado por 2/3 do Conselho Deliberativo, inclusive com alguns destaques preconizando a utilização da certificação digital, tal como proposto por alguns conselheiros do clube. Os grupos da situação mostraram-se contrários e não aceitam estes requisitos, já que desejam voto on-line com sistema de segurança aprovado por maioria simples do Conselho e sem a necessidade da certificação digital. Neste sentido, para resolver o impasse foi criada Comissão para propor texto de consenso, no entanto, ainda não atingido.

Ainda nesta reunião, após análise da palestra de técnico, especialista em TI, dada a um grupo de conselheiros do clube, percebeu-se que a única forma segura para a votação online seria com a utilização de sistema de terceira geração, “AUDITÁVEL”, sendo – então – sugerido texto que – obedecidos estes requisitos – poderia a proposta ser aprovada por maioria simples do Conselho, e sem necessidade da certificação digital e principalmente sem comprometer a segurança do processo de votação do clube, objetivo maior a ser atingido. Porém, o custo de um sistema como esse que somente poderia ser contratado através de empresas internacionais é de cerca de $ 45.000 Dólares, custo esse que poderia inviabilizar a votação online e obrigar que a mesma fosse realizada através da cédula de papel.

Daí, começamos a trabalhar para que as demais lideranças, tanto dos grupos de oposição quanto de situação aceitassem um novo texto com a obrigatoriedade de um sistema auditável para a votação online. Neste contexto, como demonstrado no áudio, o qual deveria ser enviado unicamente a um conselheiro de um grupo de oposição e – por equivoco – acabou seguindo para o grupo de conselheiros do clube, utilizei um termo inadequado, “pegadinha”, para tentar convencer conselheiros do grupo de oposição da retirada do texto – anteriormente proposto – de um quórum de 2/3 e a necessidade de certificação digital para a substituição pelo termo auditável.

Neste áudio ainda cito que poderíamos levar o especialista em TI a um programa de entrevistas esportivas, do qual conhecemos o entrevistador e tentaríamos participar para deixar clara a necessidade de que a única forma de segurança existente para a votação online seria através de sistema auditável.

Portanto, nada mais fiz do que trabalhar em prol da segurança institucional do clube, visando efetivação de um texto – no novo estatuto – que permitisse a utilização de um sistema de votação mais seguro, justamente para evitar a possibilidade de fraudes e/ou manipulação de votações.

Anos de dedicação, em um trabalho quase que diário e gratuito, sempre visando preservar o sistema democrático e a efetiva lisura no processo eleitoral do clube não podem – agora, em função de um equívoco – ser objeto de estratégias – nitidamente oportunistas – para denegrir a minha imagem, e do grupo a que pertenço, perante os sócios e torcedores do clube que amo.

Atribuíram – de forma vil e desumana – ao meu ato uma tentativa de retirar dos sócios que moram fora da Região Metropolitana de Salvador o direito a votar nas eleições do clube. Em momento algum faço comentários a este respeito, pois relato sim a condição de utilização de um sistema auditável. Apesar do custo, a utilização de sistema de votação seguro para a democracia do clube, apenas nas Assembleias Gerais de relevante importância, não inviabilizaria economicamente a votação online e o direito dos sócios residentes fora da Região Metropolitana de Salvador, em votar.

Não se pode abrir mão de um sistema de votação seguro em detrimento de quaisquer (sic) outra justificativa. Assim, não posso estar sendo acusado de tentativa de burla das eleições de 2017, como estão maliciosamente afirmando, até mesmo por não existir nenhum mecanismo ao meu alcance para isto! O que fiz foi apenas buscar um texto de consenso, preservando a segurança do processo eleitoral do clube – acima de tudo – utilizando de ferramentas legitimas de convencimento, no exercício da minha função, me preocupa muito quais interesses podem esta por traz da desvirtuação deste áudio.

Para finalizar, gostaria de informar que não sou mais Conselheiro do Esporte Clube Bahia, optei por renunciar ao meu mandato, pois tenho obrigação de zelar pelo meu nome e não consigo admitir tamanha repercussão negativa a ele. Renunciei ao mandato para preservar o meu nome e a minha família. Já vinha avaliando a possibilidade de me afastar em função do tempo que me consumia esta função, em detrimento do tempo dedicado aos meus familiares. Os últimos acontecimentos me desmotivaram a continuar nesta função e foram a gota d’água para esta tomada de decisão. Espero – apenas – que aqueles que darão continuidade aos trabalhos de elaboração do novo estatuto do clube tenham a dignidade de colocar – acima de quaisquer interesses – a preservação das instituições democráticas do clube e possam tratar o Bahia de acordo com o tamanho que ele possui.

Salvador, 04 de Dezembro de 2016

Gilson Pinheiro

Fonte: Bahia Notícias

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