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Futebol Baiano: Mentes miúdas e outras pequenesas

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O futebol baiano e nossos clubes vão ser, durante muitos anos ou para o hoje e sempre, pequenos. Existe um pacto silencioso entre imprensa, dirigentes e os próprios torcedores em defesa do pensar pequeno. Aflora inconscientemente. A mentalidade está errada

É parte da nossa cultura futebolística dizer que não dá para competir contra o Sul e Sudeste. Gostamos daquela conversa de preguiçoso e incompetente que não dá para mudar certas coisas. Em São Paulo e no Rio, os patrocinadores pagam mais e em Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte a renda da população é maior. Pronto. E assim, desnutridos de ideias, nos acomodamos com as migalhas.

Somos ignorantes. Ignoramos que quem não sabe aprende. Quem não tenta aprender e crescer, naturalmente, está mais próximo da morte. Temos sido assim. O futebol baiano segue degringolando campeonato após campeonato. Acordamos um pouco quando batemos na Série C. Mas parece até que nós já nos esquemos como é se dar o respeito.

Este ano, Bahia e Vitória estão juntos na Série A após 10 anos. Tratamos como se tivéssemos embarcado no Castelo de Caras. Mas o Bahia, em crise técnica, moral e institucional, é favorito nos bares e campos do Brasil a estar entre os rebaixados.

O atacante Deivid, do Coritiba, ao desembarcar em Salvador, deu uma aula de crise do Bahia em entrevista ao Globoesporte. Falou da falta de identificação da torcida, das goleadas para o Vitória e citou os 7×3. Os jogadores que recusam propostas do Bahia também sabem. Não é preconceito. A crise é nacional. A marca também é. Mas cadê habilidade para vender o lado bom?

O Bahia perdeu por 3×1 para o Criciúma e teve quem notou melhora. Otimismo ou cinismo? Cristóvão não fará mágica com uma base que lutou para não cair por dois anos e já deu três fiascos em 2013. Ao invés de cortar na carne, é mais fácil vender-se como vítima. Só migué.

Em Salvador, o Vitória empatou por 2×2 com o Internacional e escutei que foi ótimo resultado. Foi, desde que você considere que o Inter briga por vaga na Libertadores e o Vitória não. Se o Vitória lutasse lá em cima, o correto seria dizer que perdeu dois pontos. Afinal, o Inter seria concorrente direto e foi em casa.

Hoje, elenco por elenco, o Vitória está abaixo. Ok. Mas não se pode aceitar o universo de expectativas que separam os torcedores baianos dos “demais”. Certo foi ontem, contra o Náutico. Pegou um adversário mais fraco e ganhou. Tem que ser assim.

Até parece que Inter, Grêmio, Atlético-MG e Cruzeiro são queridinhos da mídia, dos patrocinadores ou controlados por xeques dos petrodólares. Não são! Colhem frutos do trabalho.

Não importa a velocidade que você anda, desde que você nunca pare, como acontece há décadas com Bahia e Vitória. É onde entra o pacto silencioso entre imprensa, dirigentes e os próprios torcedores. Somos todos culpados. Somos acomodados.

Desde os anos 1990, quando passei a acompanhar e ler sobre futebol, muitas desculpas são as mesmas. A falta de soluções e de projetos também. Bahia e Vitória reclamam de dinheiro, mas se fecham para a receita dos sócios. O Vitória tem um estádio, mas não o explora, não o reforma, não o desenvolve. Qual a estratégia da dupla Ba-Vi para crescer e disputar de verdade?

Para o nosso futebol, no Brasil, sobram os resultados pobres, os fiascos e as zonas de humilhação. Nada é muito seguro. Quase sempre estamos perto do risco, onde as alegrias são reduzidas.

O futebol baiano tem escassas alegrias em âmbito nacional. A maioria fica satisfeita com a chacota interna, com o amigo de rua ou de trabalho. A Bahia é forte na engenharia, tecnologia, agricultura, na cultura então… Mas nosso futebol está distante de dar um grito de independência.

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Fonte: Marcelo Sant’Ana – Colunistas – Correio da Bahia em 30/05/2013

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