Futebol!

FUTEBOL!

Quem não se surpreendeu com esses dois triunfos do Bahia? Imaginar essa posição e pontuação a essa altura é realmente uma surpresa. Para se ter uma ideia, nos Brasileiros de 2011 e 2012 o tricolor não alcançou em rodada alguma a primeira página da tabela. Agora, em duas, foi décimo após o triunfo contra o Inter; sexto ao bater o Botafogo e terminará em sétimo ao final da rodada. O que isso quer dizer? Futebol supera incompetência! A diretoria, consciente ou inconscientemente, fez quase tudo ao alcance para o time terminar essa primeira etapa pré-Copa das Confederações, zerado.

Para o grupo que fez o pior primeiro semestre da história do Bahia, até agora, chegaram apenas Potita, Fernandão e Lucas Fonseca, que tem jogado muito. Sei que chegarão outros (Rafael Miranda foi anunciado. Costumava ser bom jogador), mas falo desse momento inicial. O elenco está enxuto e com refugos dele próprio. Ryder foi loucamente colocado em uma lista de dispensa. Madson era injustamente o terceiro reserva. Jussandro havia caído em desgraça. Fernandão chegou sendo tratado como piada. O trio de volantes foi mantido. Salários atrasados e reformulação no departamento. O rosto da humilhação estava fotografado. Era nítida a cara de fim de feira, porém, nunca se pode brincar com o futebol!

O grande mérito está no banco de reservas. Cristóvão Borges, que já era o nome preferido para assumir após a queda de Jorginho, mas foi suplantado por alguma mística maluca em cima de Joel Santana, é o acerto atrasado de Marcelo Guimarães Filho esse ano. Sério, trabalhador e conhecedor de futebol, o treinador nesse pouco tempo implantou um esquema e fez o sistema funcionar. Conseguiu recuperar a determinação o espírito de luta em alguns jogadores e apostou em garotos puxados por Chiquinho de Assis, para a final do Baiano. Sem meias, manteve a trinca de volantes, dando liberdade e movimentação para Diones e Hélder. Faz variações no posicionamento da marcação. Hora avança, hora recua. A aposta ofensiva é na velocidade e triangulações. Fez o time ser agudo e ainda conta com ultrapassagens dos laterais, principalmente Madson.

Não me entendam mal. Não estou achando o melhor futebol do mundo ou um time sem erros. Apenas apontei a mudança na estrutura da equipe, antes inexistente. É aquele clichê que quase todos falam. O elenco é ruim, mas não é pior que Conquista, Itabaiana, Juazeirense, Ceará, Abc, Luverdense, entre outros. Faltava organização tática e hoje, mesmo com tão pouco tempo de trabalho, já tem. Entretanto, os maiores problemas continuam: a falta de qualidade técnica do elenco, peças de reposição e de organização, visão e respeito da diretoria com os atletas e funcionários do clube. Será que Cristóvão vai sobreviver a tudo isso? Espero que sim e que tenha o apoio não dado pela diretoria a Jorginho, se precisar enfrentar os figurões do elenco. Eles sempre voltam a mostrar os dentes.

Fernandão tem sido tão surpreendente quanto o time. Eu fui um dos que achou, na época, uma contratação sem proposito, só para tapar o buraco em curto prazo pelas lesões de Souza e Obina. E não foi por falta de conhecimento e sim pelas circunstâncias e desempenho nos últimos clubes que ele passou, apresentavam. É extremamente dedicado, não desiste de nenhum lance e caiu como uma luva em um grupo que precisava de fibra. Taticamente faz bem o pivô e enxerga bem os espaços. Um lance contra o Botafogo me chamou atenção. Ele havia recuado para a intermediária por alguma situação de jogo. Lucas avançou com a bola desde a defesa e acabou desarmado no campo de ataque. Fernandão, que já aparentava cansaço, voltou para ajudar na cobertura. Acabou tomando uma bola entre as pernas de Seedorf, no entanto, caso não tivesse voltado, o holandês teria completa liberdade para dar andamento ao lance com velocidade. É assim que se faz!

Madson, Jussandro e Ryder têm ido muito bem e estão evoluindo jogo a jogo. Nessa parada para as Confederações, é preponderante que sejam trabalhadas as deficiências de fundamentos. Taticamente, Madson está voando (sem analogia com René Simões e Boquita), mas tem pecado muito no último passe e cruzamentos. Ainda falta (muita) confiança também. Em uma posição carente mundialmente, Madson, se bem trabalhada essas carências, pode se tornar um jogador diferenciado. É melhor apostar e trabalhar na evolução dele, do que buscar um novo Neto. Ryder o Bahia negocia a permanência com a Fiorentina. É um jogador que precisa ser mais objetivo. Tem habilidade, força, velocidade e comprometimento tático.

Está longe de ser um novo Jones Carioca, como afirmou meu amigo ranzinza Eduardo Rocha, em coluna no Correio, contudo, Ryder precisa por os pés no chão e ter mais tranquilidade. Enfeita demais em algumas jogadas e toma cartões bobos. Contra o Botafogo, Jussandro fez sua melhor partida no profissional. A lateral esquerda também é uma posição complicada. Por isso, a comissão técnica precisa trabalhar um fortalecimento muscular e treinar fundamentos na mesma intensidade que Madson. O posicionamento defensivo também é deficiente. Jussandro é o que precisa de mais ajustes.

Alef, Ítalo Melo, Guilherme e Maracás. Todos com potencial para serem úteis e até diferenciados em um médio e longo prazo perdidos por nada. Fico a me perguntar até quando vai essa malandragem de playgound, de não cumprir com as obrigações assinadas pelo presidente? Isso é depredação de patrimônio! Marcelo Guimarães Filho, que não abre de mão de maneira nenhuma do cargo, deveria assumir a culpa das dívidas e perdas. Quando for obrigado a tirar do próprio bolso, quero ver não ter responsabilidade. Como costuma dizer meu amigo Flávio Novais, enquanto o Bahia não respeitar os funcionários, nada mudará. Se com Mansur MGF levou para o lado pessoal e não aprendeu a lição, espero que agora aprenda. E, tomara, que a base não vire terra arrasada com mais saídas via Justiça de outras promessas. Acorda ou pede pra sair, brother!

Fonte: Bahia Notícias, Via >> Éder Ferrari