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Guto Ferreira falou: Elenco, Diretor de Futebol, Base e Aprendizado na Alemanha

Guto Ferreira pretende contar com 34 jogadores neste início de temporada. Com Armero como único reforço anunciado, treinador prega cautela para vinda de novos atletas

Guto espera contar com grupo formado
Guto espera contar com grupo formado por 34 jogadores (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)

Com a reapresentação de Edigar Junio na manhã desta terça-feira, o Bahia chegou a 27 jogadores integrados à pré-temporada realizada pelo clube no Fazendão. O grupo, contudo, deve ganhar novos membros nos próximos dias. Único reforço oficializado pelo Bahia até o momento, o lateral-esquerdo colombiano Pablo Armero tem desembarque em Salvador previsto para esta terça. Nos próximos dias, o clube também deve confirmar a contratação de outros novos jogadores.

Para o técnico Guto Ferreira, a ideia da comissão técnica tricolor é ter um bom grupo de atletas à disposição para suportar a maratona de jogos prevista para este primeiro semestre. Além da Flórida Cup, torneio internacional realizado entre os dias 8 e 21 de janeiro, na Flórida, Estados Unidos, o Bahia também tem participação confirmada em outras três competições: Campeonato Baiano, Copa do Nordeste e Copa do Brasil.

– Vamos estar com duas competições. Na realidade, três incluindo a Copa do Brasil. Essa situação coloca o Bahia numa condição de estar obrigatoriamente jogando duas vezes por semana. Esse tipo de situação faz com que não exista recuperação nem tempo hábil de treinamento se você não tiver uma estratégia. E a nossa estratégia é estar com um grupo um pouquinho mais avolumado para que a gente possa rodar e possa trabalhar esses jogadores. Porque, se você não trabalhar, e botar todo mundo para jogar o tempo todo, não vai suportar, vai lesionar fatalmente, e vai chegar na reta final do campeonato num pico físico de caída e não de subida. Então você tem que montar estratégias nessa estruturação, para que você possa ter um grupo que te possibilite jogar as partidas rodando jogadores, para que eles descansem e treinem, para que você consiga aplicar treinamentos que façam, o grupo evoluir no aspecto tático, técnico e físico, sem o risco de lesionar – explica Guto.

Guto afirma que, nesse primeiro momento, pretende trabalhar, ao todo, com um grupo de 34 jogadores. O objetivo do treinador é mesclar atletas experientes e também dar oportunidade a garotos formados na divisão de base do clube. A partir desta temporada, Rodrigo Becão, Júnior Ramos, Kaynan, Sávio, Rodrigo Rodrigues, Mateus Peixoto e Luís Fernando passam a integrar o elenco profissional do Esquadrão.

– Para isso, nós estaremos trabalhando com 23 jogadores numa situação de jogadores contratados ou com mais cancha dentro do profissional. Como Éder, que veio da base, mas já tem uma cancha dentro do Bahia. Seriam 23 jogadores nessa faixa, mais 11 jogadores que seriam juniores ou primeiro ano de profissional. Talvez um ou outro em processo de recuperação, segundo ano de profissional. E aí seriam todos da casa. Com esse grupo, teria condições de estar treinando e jogando, desde que eles dessem resultados. Porque tudo gira em torno do resultado. Aí você teria condições, administrando da melhor maneira possível, de muitos deles terem semana cheia, para recuperar, elevar seu nível técnico, e também para a gente trabalhar questões táticas dentro da equipe. Fazendo assim, seria esse número inicial. “Ah, e no Brasileiro, como seria?”. Aí já são outros 500. Essa primeira fase do ano. Depois a gente teria que, dependendo da situação, rever ou não. Porque o número de jogos pode continuar o mesmo, só que as competições têm um nível maior. Aí quem evoluiu e está dando resposta permanece. Quem não está não tem por que estar ali – acredita o técnico do Bahia.

Quanto à busca por outros jogadores para encorpar o elenco, Guto Ferreira pregou cautela e evitou falar sobre o interesse dele em possíveis reforços. Segundo o treinador, a postura tem como objetivo evitar a valorização do atleta no mercado. Embora o técnico não tenha confirmado, o Bahia está perto de anunciar o empréstimo do atacante Gustavo, que disputou o Campeonato Brasileiro do ano passado pelo Corinthians. Além do centroavante, o Tricolor também negocia com o lateral-direito Wellington Silva, do Fluminense.

– Vocês perguntam, mas a gente não tem como responder. Porque cada vez que você chega aqui e se manifesta a respeito de um jogador, você está expondo uma série de situações e faz com que até os adversários, os outros clubes, notem… Você está valorizando o jogador para uma pedida mais alta, outros clubes chegam e começa a ter concorrência. Quando você demonstra interesse também, tem a situação de que pode não dar certo. Então deixa oficializar. A partir daí, as coisas serão transmitidas a vocês. Aí passa a ser notícia. Enquanto é suposição, não é notícia. Notícia é quando existe a efetividade. Aí têm as pessoas do clube também, responsáveis por passar por todo esse planejamento.

Sem revelar quais os interesses no mercado, Guto elogiou o único reforço contratado pelo clube até aqui. Aos 30 anos, o lateral Armero assinou com a equipe até o final de 2017.

– O Armero é um jogador experiente, com rodagem de Copa do Mundo, em uma seleção que foi destaque. Não chegou mais longe por causa do Brasil. Mas é uma seleção que atingiu destaque e seguiu bem. O Armero era titular dessa seleção. É um jogador que, jogando lá fora, desenvolveu muito o processo da linha de quatro. É um jogador intenso. A gente espera que ele possa ter alegria, que sempre teve, e nos ajudar com experiência. Que ele possa tomar conta da posição e conquistar a torcida.

SAÍDA DO DIRETOR DE FUTEBOL

– Quanto ao Nei [Pandolfo], a gente tem um relacionamento muito bom. Não cabe a mim [analisar a saída]. É uma questão diretiva. Qualquer opinião minha não vai somar nada. A relação minha com o Nei é fantástica. Um bom profissional. Não cabe a mim questionar o porquê, como, onde. Cabe a mim fazer o meu trabalho.

APELIDO DE “GORDIOLA” PEGOU?

– Na verdade, o apelido de Gordiola já veio de São Paulo. Ele não era tão usado assim. Era raramente citado. E a torcida do Bahia adotou. Levo numa boa. Não tem essa, não. Se fosse uma coisa pejorativa, nos deixaria chateado. Mas existe um carinho por trás, principalmente da maneira que eles colocam a situação. Posso dizer que, em outros momentos, o sobrepeso já causou uma certa discriminação. E o apelido, ele chega em um momento de amenizar a situação e fazer com que o sobrepeso do Guto fique uma coisa mais sociável e menos discriminada.

COMO ESTÁ A SAÚDE

– Sempre me cuido. Às vezes 5%, às vezes 10%. Mas me cuido sempre.

APROVEITAMENTO DA BASE

– A gente tem que ter paciência, prepará-los. Devagar a gente vai colocando até que eles se efetivem. Não é só estar treinando, mas na condição de buscar algo mais, uma titularidade, espaço, e daqui a pouca fazer diferença. Têm jogadores de dar suporte, pela sua característica, e de fazer diferença. A gente espera que todos possam reunir a melhor condição possível, porque fica mais fácil e mais barato você trabalhar com quem é da casa. Agora, você joga uma competição de alto nível e tem que ter jogadores que atinjam um nível de maturidade. Você não pode ter um time de seis, sete jogadores jogando se eles não estiverem maduros para segurar o peso da camisa do Bahia. Não é qualquer time. O Bahia é bicampeão Brasileiro, a camisa tem peso. A torcida, muitas vezes, exige bastante. Para que eles tenham destaque, eles não podem estar sendo pressionados, entrar como solução, mas como coadjuvantes. E, aos poucos, assumirem a condição de protagonistas. Tudo depende do nível de maturidade. O Bahia sonha alto, sonha com crescimento, e precisa do crescimento dos meninos para crescer junto. Tem uma safra que, no ano passado, na mão do Aroldo [Moreira, treinador da equipe sub-20], ganhou praticamente tudo. Perdeu dois ou três jogos no ano para o São Paulo. Só. Foi vice-campeão da Copa do Brasil, ganhou o Campeonato Baiano. Uma equipe vencedora que tem vários jogadores interessantes. Se você colocar e exigir…Calma. Tudo ao seu tempo, achando o momento certo de colocar para que se amanhã eles errarem, não se queimem. Na hora que chega lá dentro ninguém quer saber se é da base, se é contratado, o quanto que ganha. Querem que dê resultado. Por exemplo, no Santos é fácil lançar jogador porque existe uma cultura de botar jogadores da base. E é dado a ele tempo para dar respostas. Não é todo clube e torcida que pensam assim. Na hora que colocar lá dentro, ele errar duas, três bolas dizem que não joga nada. Não é assim. Ele está errando por quê? Porque o emocional dele não está preparado, fisicamente não está 100%. Mas por que você colocou? Porque naquele momento era o que eu tinha de melhor dentro do clube ou porque fazia parte do processo de amadurecimento dele. Tudo ao seu tempo para que possa chegar de uma maneira vitoriosa no final.

APRENDIZADO NA ALEMANHA

– A gente foi para lá para observar o que é que transformou a Alemanha em campeã mundial. Não foi à toa. Talvez tenha sido o país que mais se planejou, mais se organizou para ganhar a Copa. E fez um planejamento estratégico bastante positivo, até a construção de um hotel direcionado, até estrada para esse hotel, que acelerasse o processo de deslocamento eles fizeram. Se fixaram no meio do país, no calor… E aí se adaptaram ao calor. É muito mais fácil se adaptar ao frio, dá menos moleza do que o calor, até porque o Brasil não tem frio. E eles são do frio. O que, para eles, não teria dificuldade. Só estou comentando sobre planejamento. Mas a gente viu um futebol bastante intenso, bastante tático. Logicamente, o futebol sul-americano é um futebol de maior habilidade. Mas a intensidade que se joga… Pelo clima, qualidade dos campos… Também. Mas também pela metodologia de trabalho. E a gente não foi buscar nenhuma receita de bolo lá. A gente foi olhar, observar o que se faz. E depois, analisando dentro da cultura do futebol brasileiro, o que é positivo lá que poderia ser positivo aqui. E o que de positivo, de que maneira eles fazem lá que a gente poderia fazer aqui. São essas ideias… Tirar ideias de treinamento, organizações táticas… Visualizar o futebol, para que lado ele está indo, para que lado ele está crescendo. E quem gosta de ver futebol gosta de ver bons espetáculos.

O QUE CHAMOU MAIS ATENÇÃO

– O jogo que eu tive lá com menor público foi Darmstadt x Bayern, com 18 mil pessoas, porque o estádio cabia apenas 18 mil pessoas. E o jogo que tive lá com maior público foi um jogo da segunda divisão, Stuttgart x Hannover, que tinha 50 mil pessoas num estádio que cabia 60 mil. Bons espetáculos. Em termos de organização, muita coisa legal, muita coisa diferente de como é no Brasil. Facilidade de deslocamento, em tudo. Também um ou outro erro de organização, como é todo mundo, todo mundo tem seus erros. Mas tem uma preocupação muito grande em se acertar. Assistimos a treinamentos… Do Hoffenheim e do Stuttgart. No Hoffenheim, com alta tecnologia, até máquinas com programas de computador para desenvolvimento do raciocínio rápido, visão periférica. O que antes, lá atrás, a gente fazia com camisa, hoje se faz com programas e aparelhos que desenvolvem isso. Tudo isso visando à qualificação do jogador. Dentro do campo, muitos exercícios voltados para esse lado aí. Acho que foi de mais valia… Tudo que você está observando, vendo, você está aprendendo. Muita coisa que agora cabe à gente saber o que é bom, ruim, o que vai possível, o que não vai ser. Não é o fato de ir lá que vai mudar meu trabalho. A gente continua dentro da linha, tem muita coisa de lá que fortalece nossa linha de pensamento. A base, nós estamos dentro do que é feito. Um dos motivos de sempre conseguimos colher resultado é estar dentro dessa linha de ação, pensamento sobre treinamento. Logicamente, quanto mais estrutura, condições de aplicar situações, a tendência é ter jogadores mais qualificados e mais voltados para o melhor desempenho. O principal fator de tudo é a maneira como os jogadores encaram o treinamento, os jogos, a postura profissional, o foco, de que maneira se entregam. Não tem como não colher resultados com essa linha de pensamento. Pela habilidade, qualidade do jogador brasileiro, essa postura de saber o que quer, ter uma conduta no treino e fora dele extremamente profissional, a tendência é sempre ter um desempenho mais qualificado.

Fonte: Ge.com

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