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Ídolo, Naldinho critica futebol atual e diz que “estaria milionário” se jogasse hoje

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Por onde anda? Ex-Bahia, Naldinho critica futebol atual e diz que "estaria milionário" se jogasse hoje

Veloz e habilidoso, ex-atacante revelado pela Catuense fez sucesso jogando pelo Bahia nos anos 90. Hoje ele mora em Marília-SP

Com 1,58m de altura, Naldinho chamava a atenção pelo seu tamanho, mas também pelo grande futebol que apresentava dentro de campo. Atualmente, José Ednaldo Vieira de Jesus Cruz, o Naldinho, ensina tudo que aprendeu em uma escolinha de futebol, em Marília, no interior de São Paulo. Aos 46 anos, o ex-jogador do Bahia projeta ser técnico de futebol. Para isso, já fez curso e deu entrada em toda a documentação necessária para começar comandar algum clube. Revelado pela Catuense, ele chegou ao Tricolor em 1989 para compor um elenco de grandes nomes, como os de Bobô e Charles.

Naldinho tinha facilidade para atuar pelas pontas e costumava ser um eficiente garçom para os centroavantes do Esquadrão. Em 1990, viveu seu melhor momento, ajudando a levar o Tricolor até a terceira colocação do Brasileirão. O ex-jogador, na oportunidade, firmou contrato com o Bahia de oito anos, jogando seis, sendo que nos dois últimos anos foi emprestado para São José e Criciúma. Na equipe catarinense, chegou atuar ao lado de Paulo Baier, conquistando assim o Campeonato Catarinense. Encerrou sua carreira aos 39 anos, jogando pelo Atlético de Alagoinhas.

O iBahia Esportes  bateu um papo com esse craque do futebol baiano, que marcou época no Bahia. Naldinho falou sobre o novo modelo de futebol, da torcida apaixonada do Esquadrão, além de citar alguns problemas, que na visão dele, atingem a equipe para no insucesso em alguns campeonatos.

O que você faz atualmente?

"Olha, estou há dois anos dando aula para garotos de 10 a 17 anos. Os meninos gostam muito da minha aula aqui em Marília, porque eles têm a minha referência como jogador. Ficam vendo os vídeos no Youtube, comentam e depois tomam algumas jogadas minhas até como incentivo dentro do campo. Infelizmente, estou afastado um pouco, porque tive uns problemas de saúde, mas já estou tendo acompanhamento médico e logo volto à minha rotina. O meu projeto mesmo é ser treinador. Fiz um curso aqui mesmo em Marília para me tornar técnico. Sei que para ser um é preciso que se tenha faculdade de educação física, mas o fato de já ter atuado como jogador abre uma exceção".

Em sua carreira como jogador do Bahia, qual jogo você nunca esquece?

"Rapaz, muitos jogos marcaram minha trajetória no Bahia, mas aquele contra o Bragantino me marcou de verdade. Na época o treinador da equipe paulista era Luxemburgo. Era um elenco muito bom. Fonte Nova lotada, quase 60 mil empurrando a gente, vencemos o jogo por 3 a 2, com gols de Charles, Jorginho e Vagner Basílio. Eu até participei de um dos três gols. Em uma jogada rápida, recebi a bola na entrada da área, fiz a penetração por dentro dela, até chegar à linha de fundo e rolei para trás. Charles só teve o trabalho de colocar a bola para balançar as redes. Foi engraçado esse momento, porque todo mundo esqueceu Charles, que fez o gol e veio me abraçar. Essa partida foi muito importante, porque eu saí da Catuense em 88 com a referência do Bahia campeão. Chego em 99, o time despenca e vai disputar para não cair. Nesse ano (90) eu tinha a oportunidade de conseguir o topo do futebol brasileiro. Estava conseguindo ajudar o time a chegar a semifinal. Além desse fator título, a Fonte Nova cheia me arrepiou".

Veja o momento do gol de Charles e a jogada de Naldinho

Você sofreu preconceito por causa de seu tamanho?

"Pelo contrário, as pessoas gostavam muito das minhas características, que aliás era muito valorizada naquele tempo. Eu era um jogador rápido, inteligente, gostava de armar jogadas para meus companheiros. Hoje, é que eu acho que talvez pudesse sofrer algum tipo de retaliação. O futebol está pedindo jogadores maiores, com mais força. Para ser baixinho assim e jogar esse futebol moderno tem que ser muito bom de bola. Tipo Messi. Mesmo sabendo dessas dificuldades de jogar no meio desses grandalhões, acho que me daria bem nesse novo cenário. Esse novo perfil não costuma ser rápido. Vale ressaltar também que tem um monte de jogador 'perna de pau' por aí, que não merece estar em clube algum. Falta técnica a eles, coisa que eu tinha e que muitos jogadores do meu tempo possuía. Se eu nascesse no futebol de hoje, com certeza eu estaria milionário. Enfrentávamos muitas dificuldades, como campo ruim, problema de acompanhamento médico, tudo hoje é mais fácil. Não compreendo como jogadores que treinam a semana toda conseguem, por exemplo, cruzar uma boa pelo lado de fora do campo. Acabou a complexidade de jogada, acabou jogadores de técnica apurada. Futebol brasileiro está ultrapassado".

No Tricolor você teve muito sucesso, no entanto em outras equipes não conseguiu o mesmo desempenho. Porque você acha que isso aconteceu?

Realmente jogando pelo Bahia foi o momento melhor da minha carreira, mais precisamente no campeonato de 90. Assinei em definitivo com o Bahia em 90 e fiquei com passe preso até 98. Entretanto, não joguei todos esses anos no Bahia. Minha passagem em 96 pelo Esquadrão me rendeu até uma proposta do Flamengo, mas as conversas não foram adiante. Fui emprestado pelo Bahia para o Marilia, São José, mas nada muito expressivo. Sempre retornava. No entanto, em 98, tive um bom momento vestindo a camisa do Criciúma. Passei seis meses no clube jogando ao lado de meu parceiro Paulo Baier. Cheguei até ser campeão catarinense.

O que você acha que tem que mudar para o Bahia sair dessa rotina no Brasileirão de lutar contra o rebaixamento?

"Organização! Tem muita gente ali dentro querendo 'pegar' o Bahia e esquecendo da instituição, do que ela representa. É uma disputa de interesse muito grande. É preciso que seja criado um planejamento. Não adianta contratar meio mundo de gente e lotar o Fazendão de jogador sem qualidade. Empresário só quer vender jogador, não quer saber se o atleta vai encaixar com o time, isso é papel da gestão. Tem que parar com essa briga pelo poder. Eu me sinto triste com isso".

E sobre a torcida?

"É uma das torcidas mais apaixonadas que eu já vi em minha vida. Quem tem a gestão do Bahia, não sabe da dimensão que representa cada um torcedor desse, que vai ao estádio. Por isso, é preciso que se faça uma administração digna para demonstrar o respeito por eles".

Qual sua avaliação sobre o atual momento do Bahia?

"Apesar de ter dado uma aliviada, ganhando dois jogos seguidos pelo Brasileiro e um pela Sul-Americana, acho que o clube tem que mostrar mais que isso. Ainda estamos nos perguntando, será que agora vai? Não pode acontecer será, tem que ser! Sou de um tempo em que o Bahia era vencedor, não tinha jogo dentro ou fora, tudo era levado muito a sério. A gente perdia, mas não era rotina. Estou aqui na torcida por dias melhores".

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