Marcelo Sant’Ana afirma que não irá fazer negociações até o fim do mandato

Marcelo Sant’Ana

O presidente Marcelo Sant’Ana deu entrevista ao Programa do Esquadrão, programa de rádio oficial do Bahia e declarou que não irá realizar nenhuma venda ou compra de jogador até o fim da gestão, que se encerra em dezembro. Segundo o presidente “a tinta da caneta esgotou para o tema compra e venda de atletas”.

Já disse que as únicas vendas que me interessam são de ingressos e títulos de sócios. Mas tem torcedor que não entende. Não tem problema. A gente tenta suprir essa deficiência. Coloca o celular para gravar. Enquanto Marcelo for presidente, não existe mais nenhuma, zero venda de atletas. Como também não existirá mais compra de atleta. A tinta da minha caneta esgotou para o tema compra e venda de atletas. No plural. Como membro da imprensa, sou formado em comunicação, dou essa dica para os colegas da área. Não adianta procurar o Bahia para compra e venda de atletas. Não acontecerá nenhuma negociação.

Marcelo Sant’Ana declarou que não irá negar conversas com os outros times para deixar um “caminho pavimentado” para o próximo presidente, com negociações encaminhadas:

O que pode acontecer e tem acontecido, alguns clubes têm procurado o Bahia para fazer ofertas de compras, empréstimos, parcerias de direitos econômicos, trocas de jogadores. O que a atual diretoria tem feito é escutado, tendo feito contrapropostas e deixando claro que não é um compromisso em definitivo e que nenhum contrato será assinado. A gente pretende deixar um caminho pavimentado, opções, escolhas, para quando o sócio decidir o novo presidente do clube, este novo presidente assuma tendo situações encaminhadas, leques de possibilidades para que ele decida o que é válido fazer e o que não é válido. Para não ficar em situação de aperto, tomada de decisão curta. Um clube me ligou hoje interessado em um atleta do Bahia. Vou desligar o telefone? Isso é irresponsabilidade. Ouvimos as propostas, fazemos contrapropostas, sinalizamos interesses, mas nenhuma decisão é definitiva. Isso compete ao novo presidente. Ele encontrará uma equipe com espinha dorsal.

De acordo com o gestor, ele pretende manter uma espinha dorsal renovando contratos de jogadores atuais do Bahia, mas tem tido algumas dificuldades nas negociações:

A gente tem buscado manter uma equipe base no Bahia, respeitando a autonomia do presidente que venha a me suceder. O que a gente tem buscado prioritariamente é buscar jogadores titulares e os que têm sido mais utilizados, em tese são os melhores e o candidato que venha a ganhar terá menos dúvidas de que eles precisam continuar. Nesse contexto, já vindo em um trabalho que iniciamos no ano passado, temos uma base montada. Jean tem contrato até 2019, Tiago foi comprado em definitivo até 2020, Lucas renovou até dezembro do ano que vem, Jackson tem contrato até 2019, Juninho Capixaba, também, Juninho e Hernane até dezembro do ano que vem, Zé Rafael até dezembro de 2020, Edigar até dezembro de 2019. Estamos buscando renovações dentro do que o clube entende como razoáveis, e como individualmente eu entenda como razoável. Tem jogador que pede três anos de contrato, por um eu renovaria, essa situação está travada. Jogador me pede dois, dou um ano porque o segundo ano depende do próximo presidente. A gente tem buscado manter a espinha dorsal e ir para um segundo passo.

Confira outras declarações de Marcelo Sant’Ana em entrevista

Decisões importantes nos últimos dias da gestão
– Não é justo faltando 20 dias para o término da gestão tomar decisão de grande impacto para o Bahia. O que o torcedor tem que focar, na minha maneira de entender, é no jogo de domingo. É o jogo que pode modificar para melhor o ano de 2018. O Bahia tem chances matemáticas de voltar a disputar a Libertadores após 29 anos. É mais válido focar no jogo, no que nos interessa, curtir o final de campeonato, transmitir boas energias e vibrações. Deixa o tema de especulação para o fim do ano, quando não tiver mais jogo e eleição. Aí todos se deliciam com esse mercado de especulações. Entendo a angústia do torcedor, mas a postura da diretoria é essa. A gente ouve sondagens, propostas, tem feito procuras no mercado, mas a única caneta que posso gastar é no tema de renovações, desde que dentro do meu conceito, não avançando muito no mandato do próximo presidente. Em três anos acertamos, erramos, crescemos com o torcedor, agora no momento de reta final, onde a preocupação é com resultado de campo, montagens de elenco fica para o próximo grupo de trabalho.

Apoio a um candidato nas eleições
– Na eleição apoio um candidato, um grupo. Tenho evitado focar nesse tema, tenho preferido que o Bahia faça um final de ano da melhor forma possível enquanto clube. Mas acredito que as pessoas sabem quem terá meu voto. No momento adequado farei campanha, não vou me omitir. Vou me reservar de falar, embora as pessoas saibam. Tem cinco candidatos com totais condições eleitorais de pleitear a vaga de presidente. Tenho evitado entrar nesse tema. Fiz uma postagem nas redes sociais para comunicar que participaria de uma chapa para Conselho. A decisão foi mais do grupo do que individual. O grupo ao qual faço parte entendeu que eu me colocando como candidato ao Conselho poderia ajudar no debate, pela experiência de presidente. O estatuto do Bahia e o futuro estatuto não têm a questão do conselheiro nato, que existia antigamente, dava esse status de conselheiros a todos os ex-presidentes. Qualquer presidente, qualquer sócio tem que se candidatar. Meu grupo entendeu que era válido. Desde 2014, quando entrei na parte política do Bahia, tenho respeitado as decisões do grupo, mesmo quando tenho opiniões diferentes. Sou candidato por esse contexto, apoio um candidato a presidente, depois do jogo contra o São Paulo falarei em público. Todos que me acompanham sabem quem é.

Eleições
– Qualquer presidente eleito, seja o que tenho a preferência ou outro, vou apoiar qualquer um depois da eleição. Até a eleição só apoio um. Torço pelo Bahia, não tenho dogma de grupo político. Não sou desse tipo. Se me perguntarem, vou deixar a minha opinião clara. Se for de tema polêmico, deixo claro no âmbito do Conselho ou falo diretamente com o presidente. Não farei comentário público para prejudicar o Bahia e atacar a diretoria. Não acho isso correto. Minha postura será sempre de ajudar o Bahia naquilo que tiver condições de ajudar. Caso termine sendo eleito, é mais um trabalho legislativo.

Negociação de Gustavo Blanco e Tiago com o Atlético-MG
– São operações diversas. Uma não tem vínculo com a outra.

Yuri emprestado ao CSA
– O CSA tem interesse nesse atleta. Mas vai ficar para o pós-Brasileiro. É real.

Carpegiani no Bahia
– Período curto para avaliar, mas o Paulo [Cézar Carpegiani] tem feito um trabalho muito bom no Bahia. Os jogadores entenderam a responsabilidade de fechar bem a temporada. Essa conexão entre técnico e atleta tem funcionado bem. Resultado positivo até aqui.

Premiação
– Acertado sempre tem, mas tem ajuste. O último ajuste será feito amanhã. Futebol é dinâmico.

Libertadores
– As cotas das competições internacionais fazem diferença. Vimos os escândalos que ocorreram nas federações internacionais, oq ue provocou um aumento nas cotas para os clubes. No caso da Conmebol, as cotas são pagas em dólar. E existe uma diferença razoável se comparado ao real. É um encaixe financeiro interessante. Na Europa, as equipes que têm maior poder financeiro disputam a Champions e as outras a Liga Europa. Na América do Sul passa por isso. O Bahia tem que jogar competições internacionais todos os anos. Esse ano disputamos a Flórida Cup, mas além dessas copas amistosas, o Bahia tem que estar em competição internacional todo ano. Faz diferença no orçamento final da temporada. Principalmente se consegue jogar a fase de grupos da Libertadores ou até a quarta fase da Sul-Americana.

Boa campanha no Brasileirão
– A expressão exta que a gente usou ao longo da temporada é que o Bahia faria um campeonato seguro. Essa foi a palavra exata: seguro. Era conseguir ficar perto da virada da primeira página. Era o que para mim era um Brasileiro seguro. Nunca falei posição, meta, objetivo. Disputar para não cair é chato, causa sensação ruim no torcedor. Nessa reta final conseguimos uma arrancada extremamente positiva e estamos muito perto de conseguir fazer ainda mais história no Bahia. A gente sabe do desejo e ambição do torcedor tricolor, mas o trabalho de reconstrução do Bahia é longo. Começou em 2013, com a intervenção, teve o presidente Schmidt. Agora, somos 306 funcionários, estamos tendo a oportunidade de dar sequência. Hoje temos a melhor pontuação do Bahia na era pontos corridos. Esperamos acabar na melhor classificação. O desejo do torcedor é maior que esse. No futuro espero que o Bahia consiga chegar onde merece e onde o torcedor deseja. Depois desses dois jogos poderei falar que fiquei feliz no campeonato, mas no momento prefiro manter o foco. Temos uma partida importante contra a Chapecoense.

Torcida para o jogo contra a Chapecoense
– Expectativa é positiva de público, a torcida do Bahia tem a quarta melhor média do Brasileiro. Próximo a 21 mil pagantes por jogo. A gente espera e sabe do potencial da torcida para fazer fora de campo uma grande festa nessa última partida da temporada 2017. Para mim é especial, última partida como presidente do Bahia. Depois temos um jogo contra o São Paulo, mas é fora de casa. Dentro de campo sabemos da responsabilidade que é manter essa expectativa positiva de uma vaga na Libertadores. Estamos próximos de garantir uma vaga na Sul-Americana. Mas nosso desejo é vencer a Chapecoense para chegar em condições contra o São Paulo. Confio que teremos mais de 30 mil pagantes. Esse elenco merece. No ano passado devolveu o Bahia a Série A, conquistou a Copa do Nordeste e tem feito uma reta final de Brasileiro excelente. A torcida vai abraçar a equipe nesse desfecho de campeonato, na nossa casa, contra a Chapecoense. Acredito em mais de 30 mil pagantes.

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