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‘Não sinto mais raiva’: Diz sobre erro médico

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Ávine sobre erro médico: 'Não sinto mais raiva'

Lateral disse que um erro cirúrgico do clube o prejudicou, mas jura não guardar mágoa - Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE

Lateral disse que um erro cirúrgico do clube o prejudicou, mas jura não guardar mágoa – Joá Souza | Ag. A Tarde

"Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, te ajudo e te sustento com a destra da minha justiça". Esse trecho da Bíblia está estampado no vidro traseiro do carro de Ávine, lateral do Bahia. É no livro que o atleta se apega para vencer o maior desafio da carreira: voltar a jogar após quase três anos se recuperando de uma grave lesão no joelho direito. No último sábado, contra o Ceará, ele já sentou no banco de reservas. Em entrevista exclusiva para A TARDE, o jogador disse que um erro cirúrgico do clube o prejudicou, mas jura não guardar mágoa de ninguém.

Uma das perguntas mais comuns entre os torcedores é 'como está Ávine?' O que você diria para esse torcedor?

Que está bem, 100%. Trabalhou muito tempo para chegar a essa forma, para treinar, participar de todos os trabalhos, e está pronto para ajudar.

Algumas informações de bastidores dizem que você consegue treinar, mas depois sente muitas dores. É verdade?

É até engraçado. Nunca falei isso, não sei como as pessoas falam com tanta certeza. Não sinto nada. Depois dos treinos, faço gelo, como qualquer outro, para recuperar. E nesse processo não sinto dor nenhuma.

Muitos arriscaram dizer que você não voltaria. Como recebeu esses comentários?

Fiquei triste quando ouvi comentários de que minha carreira não tinha mais futuro. Mas, ao mesmo tempo, estava muito esperançoso, porque sabia que as coisas estavam acontecendo. Mesmo que as pessoas não soubessem, logo, logo eu estaria de volta.

Você ainda tem alguma dificuldade motora nos treinos?

Só sinto a dificuldade normal pelo tempo parado. Mas, aos poucos, vou me acostumando novamente, pegando o ritmo. Claro que treino é diferente de jogo, então vou fazendo tudo o que for preciso nos treinos para quando precisar jogar estar preparado.

Contra o Ceará, quando Marlon se machucou, a torcida pediu sua entrada, mas ela não ocorreu. Depois, o técnico disse que o poupou por falta de ritmo. Você poderia ter entrado?

Estava pronto, mas ele optou por colocar Yuri e tenho que respeitar. Não fiquei chateado porque estava feliz por estar no banco, vivendo de novo aquela emoção. Queria entrar, mas, como ele (Sérgio Soares) falou, o jogo estava muito pegado, e seria minha estreia depois de muito tempo. Então, teve cuidado comigo.

Antes desta entrevista, você estava em tratamento. Ainda tem algum problema físico?

Não, e não faço mais nada lá. Hoje (ontem) estava só aliviando um desconforto leve na panturrilha que tive depois do treino, mas é coisa normal de atleta.

Houve, de fato, algum erro médico em uma das suas cirurgias no joelho?

Na primeira cirurgia houve, sim, um erro cirúrgico. Por conta desse erro, tive que fazer a segunda e depois a terceira. A primeira tirou parte do menisco, mas depois o tirei todo, na segunda. Atrapalhou a minha recuperação porque eu sempre tentava voltar a treinar, sentia dor, o joelho inchava e eu não conseguia continuar. Ficou nesse ciclo até que fiz a terceira cirurgia para afastar os ossos do joelho e colocar uma placa no lugar da cartilagem, que já estava totalmente rompida.

Você adotou algum método especial nessa recuperação?

Sim. Eu vinha insistindo em treinar sem saber que minha musculatura estava desequilibrada. Meu nível de força da perna direita estava muito abaixo do nível da esquerda. Então, comecei a fazer um trabalho chamado isocinético, que mostra exatamente quanta força tem em cada perna. Assim, fortaleci minha perna direita até equilibrar com a outra.

Para vencer as dificuldades, você se apegou a quê?

Eu me apeguei muito a Deus. Como todos sabem, sou evangélico, então foi através da religião que tive muita fé e muita força de vontade para voltar.

Mas você já era evangélico antes da lesão?

Não, me converti depois da contusão. Hoje sou da Igreja Evangélica Planeta de Cristo. Cheguei lá através do Luís Alberto (volante, ex-Bahia e Vitória), que é muito meu amigo. Ele conheceu a igreja quando estava em Portugal, aí quando voltou para Salvador me apresentou ao pastor, gostei, e depois disso me converti.

Verdade que Nino Paraíba é seu amigo de igreja?

Sim. Nino, Mansur, Euller, muitos dos meninos do Vitória são dessa igreja. Josué, José Welison, Matheus Salustiano… Tenho muitos amigos no Vitória.

Por que tantos jogadores estão virando evangélicos?

O jogador está cada dia mais deixando para trás esse negócio de balada, não gosta mais da noite. Querem se voltar para a profissão, querem se apegar a Deus para vencer na vida.

Verdade que você mudou seu comportamento?

Eu era muito esquentado em campo, mas  estou mais tranquilo. Confusão não tem mais a ver comigo. Foi por conta da religião, claro. Você fica na busca por Deus o tempo todo, então você fica mais tranquilo, não sente mais raiva das pessoas. Se tem alguma mágoa, você tende a perdoar.

Deixou de sair também?

Sim. Era muito de sair, mas larguei isso. Primeiro porque uma hora você cansa. E isso também me atrapalhou muito na carreira. Passou uma imagem muito negativa. Então, procurei refazer minha vida, ser um homem de família, mais presente. Foi uma mudança radical.

Guarda mágoa de alguém?

Não. Antes até tinha, agora não mais. Prefiro não citar nomes pra não dar motivo de resposta. O que eu faço é orar por essas pessoas.

No ano passado você rompeu com seu empresário de muitos anos, Oldegard Filho. Foi por motivos profissionais?

​Não, foi por questões pessoais, mas prefiro não falar. Agora estou sem empresário, eu mesmo cuido da minha carreira. Ele me ajudou bastante na época que fiquei com ele, mas não deu mais certo.

Seu contrato com o Bahia acaba no final do ano. Já conversou para renovar?

Não, mas vamos esperar. Acho que eles estão esperando para ver se vou voltar mesmo. Quero ficar, até para continuar esse trabalho, mostrar que estou bem.

Acha que dá para jogar no mesmo nível de antes?

Creio que até melhor. Porque minha personalidade é a mesma, mas algumas características mudaram, não sou mais esquentado, estou mais consciente. A maturidade ajuda em campo.

Você chegou a ser escalado várias vezes sem estar 100%. Isso piorou  sua lesão?

Com certeza. Eu jogava no sacrifício, tomava uma injeção e ia para o jogo sem saber que aquilo poderia piorar o quadro depois. A dor passava na hora, mas depois vinha bombando. Isso aí foi me prejudicando, mas eu era muito novo. Ia jogando, até que chegou um dia e tudo estourou.

Você está no profissional do Bahia desde 2006. O que mudou com a democratização?

Mudou tudo para melhor. O salário está 100%. O que eles falam, cumprem. Era muito difícil antes, os salários atrasavam sempre. Você chegava e o café não era apropriado para um atleta, o almoço também não. Eu mesmo deixei várias vezes de fazer refeição aqui para comer em casa, sem nutricionista acompanhando.

Você cogitou encerrar a carreira nesses três anos?

Em momento nenhum.

Por quê?

Eu sabia que ia voltar. Estava trabalhando muito forte, treinando todos os dias, sabia que ia acontecer.

E essa barba, é promessa?

É um propósito, o que é diferente de uma promessa. Como já falei, em breve todo mundo vai ficar sabendo.

Inspirou-se em alguém para ter esse visual?

Não, só deixei crescer. Meus filhos brincam o tempo todo. Quando pego no pé do meu filho, ele agarra a barba, puxa, e dói pra caramba. Mas tá sendo legal.

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