Ninguém vai largar o osso

Ninguém vai largar o osso


O Bahia nos últimos três anos sofreu três intervenções judiciais. Ganhou só um título. Da primeira intervenção para cá, o Bahia acumulou déficit de R$ 21,6 milhões, de acordo com os boletins financeiros do clube – isso sem contar o rombo deste ano.

A confusão jurídica começou após a troca de 58 nomes no Conselho Deliberativo, em outubro de 2011, dois meses antes da eleição para presidente. A crise do Bahia nasceu de dentro para fora. Eram picuinhas de bastidores; hoje são movidas pela maior conscientização dentro da torcida.

Candidato único, reeleição garantida, Marcelo Guimarães Filho manobrou para acabar com a base aliada ao ex-presidente Paulo Maracajá, com cerca de 80 nomes. Os dois nunca haviam se entendido bem, embora Maracajá tenha papel decisivo na ascensão política da família Guimarães dentro do clube nos anos 1990. Seria o grito de independência.

Maracajá foi contrário à eleição de Marcelo Filho, mas o apoiou pela falta de opções. Já o apoio à reeleição só aconteceu dias antes do pleito, após jantar marcado por amigos em comum. Amigos que sempre foram mais próximos a Maracajá, mas as circunstâncias os aproximaram dos Guimarães.

No Bahia, os funcionários mais antigos identificavam cada um que aparecia no clube pelas siglas B-1 e B-2, separando quem era próximo de cada família. Os mais novos abandonaram a prática. Mesmo sem o grito de independência, o domínio do B-2 acabou com qualquer sentido da divisão.

Hoje, boa parte dos torcedores entende a intervenção como a oportunidade de o Bahia voltar a brigar por títulos e campanhas dignas ou de passar mais alguns anos com a cabeça enfiada na terra, sem acompanhar a evolução do esporte.

Mesmo jovem, Marcelo Filho mantém práticas antigas na gestão. Já contratou mais de 150 jogadores, nunca deixou um técnico completar a temporada e sempre poupa das demissões quem lhe é fiel, mesmo se o trabalho for ruim.

O cartola pode voltar ao cargo e ser um bom presidente? Difícil. Teria mais um ano e meio para fazer o que não conseguiu nos primeiros quatro anos e meio. E com uma diferença: a rejeição da torcida, ampliada a cada nova tentativa de reeleição.

A torcida percebeu que o clube só mudará a partir da troca das pessoas. E mudou o próprio comportamento. Antes passiva, passou a protestar. Desde 2006, houve grandes manifestações públicas, como a passeata no Campo Grande, a conferência Gigante Tricolor, o protesto do Bahia da Torcida, dentro da Fonte Nova, e agora o Público Zero.

Ainda falta entender que o sócio não é alguém que dá dinheiro à diretoria, goste dela ou não, mas alguém que ganha o direito de tirar qualquer pessoa de lá. O sócio é um torcedor com voz dentro e fora das arquibancadas.

Marcelo Filho, ao contratar o advogado Antonio Carlos Castro, um dos mais famosos do país após defender políticos acusados de corrupção, mostra claramente que paga qualquer preço para não largar o osso. Kakay valeu todos os esforços. Se tivesse contratado Kaká, o efeito seria muito melhor. Mas isso é pra quem prefere o filé; não o osso.

Campo 

A política de contratações do Bahia tem uma linha bem definida: matar a divisão de base. No Sub-20 do Bahia, os destaques eram os três volantes: Talisca, Feijão e Anderson. Na pausa para as Confederações, o diretor Anderson Barros trouxe dois jogadores: os volantes Rafael Miranda e Fabrício Lusa. A médio prazo, o conceito pode mudar. Mas o cartão de visitas foi preocupante. Apesar da falta de rumo, todas receitas com transferências de jogadores na gestão Marcelo Filho foram de garotos da base: Maranhão, Felipe, Paulinho, Ananias e Gabriel.


Tabela interativa da Série A com atualização online

http://uniaotricolorba.com.br/tabelaseriea.asp


Fonte: Marcelo Sant'Ana – Correio*

Foto: Pfinal