Orgulho de malandro

Orgulho de malandro

Nunca ache que a atual diretoria do Bahia atingiu o limite de conceitos deturpados. Os últimos foram nas divisões de base e no marketing. O importante é não perder a capacidade de se indignar com o dia a dia de aberrações. Durante muito tempo, boa parte da torcida deu de ombros para erros fora de campo. “Ah, vai mudar o quê? Por mim!”. Por isso o clube chegou a esse limite de estar bem abaixo na cadeia alimentar do futebol brasileiro. Os tricolores se acostumaram tanto com o medíocre, que se contentam com qualquer gracejo. Espero que, de fato, o pensamento tenha mudado.

 Antes diretor financeiro e quase um presidente em exercício, quando Marcelo Guimarães Filho mantinha o cargo de deputado federal, Tiago Cintra foi catapultado para administrar a divisão de base com Newton Mota. Hoje, depois da saída de Mota e contratação e Carlos Anunciação e Nelsinho Góes, virou vice-presidente de esportes olímpicos, seja lá o que isso signifique no Bahia. E foi justamente na apresentação dos novos responsáveis pela formação de jogadores, que Cintra deu declaração bufante. Questionado sobre a saída de garotos via Justiça por falta de recolhimento de FGTS, a resposta foi vaga. “Erro interno”. Jure? Pensei que havia sido meu ou de Binha!

O filé ficou para o complemento. “Jogador tem que querer estar no Bahia. Se quiser sair, que saia!”. Não discordo desse pensamento, mas existe um fundamental “senão” nessa estrada. Para bater no peito e garantir esse conceito, é preciso ser competente, responsável e acabar com o eterno “erro interno”. Perder jogadores promissores na Justiça (sem retorno financeiro), após anos de investimento, é depredação de patrimônio. O prejuízo é dentro e fora de campo. A divisão de base têm dois objetivos básicos: formar para o profissional e conseguir recursos financeiros com negociações futuras. Se estivesse em dias com as obrigações, Cintra teria completamente razão. Para Alef sair, teria de pagar a multa. Como não é o caso, sobra apenas o orgulho de malandro! Não basta rasgarem dinheiro sem abrir o clube para os sócios, ainda vão fazer doações de promessas? Os clubes que abrigam esses garotos, como o Vitória, perto de vender Mansur, agradecem!

"Marquetingue"

 Falar sobre o marketing do Bahia é o mesmo que enxugar gelo. Completa perda de tempo. Não existem ações planejadas. O que acontece é devido às sequências naturais marcadas por resultados em campo, força da torcida e trabalho dos patrocinadores. Até nisso, o departamento se atrapalha. Lançamento do uniforme um de 2013 foi algo que servirá de tese em faculdades de publicidade e propaganda e marketing. “Como não se oferecer um produto”. Além de o modelo chegar completamente defasado (o Manchester United, por exemplo, apresentou desenho similar em maio de 2012), ainda veio com informação “errada”. Afinal de contas, a Caixa tem feito de tudo para patrocinar o tricolor e a assinatura do contrato depende apenas de certidões negativas do clube. Ou seja, a camisa vai mudar o patrocinador máster! São cores e formato diferentes.

Se demorou tanto, por que não esperar mais um pouco? O uniforme nem veio completo: faltaram as camisas de goleiro. Nem quando eu jogava em times amadores em Ilhéus, no início da adolescência, era algo tão armengado. Sem falar que não houve nenhuma ação de lançamento. Simplesmente, os jogadores entraram em campo com a camisa “nova” em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, em um sábado à noite. Gênios! Marketing não é custo e sim investimento. Marcelo Guimarães Filho parece confundir o retorno natural com trabalho de busca. Ingenuamente pensando, só isso justifica a manutenção dos atuais responsáveis por esse departamento. E depois ainda reclamam de dinheiro. É divisão de base, associação em massa e marketing deixados de lado.

Ídolo

Admiro muitos, mas tenho poucos esportistas como ídolos. Rodrigo Minotauro é um deles. Minha última esperança de vê-lo em alto nível foi esvaziada na luta do último sábado, com Fabrício Werdum. Não pela derrota em si, mas pela atuação. Infelizmente, o corpo não aguenta mais competição entre os tops e, para ele, não há outro lugar. Foram muitas e muitas lesões devido ao esforço exigido pelo esporte de alto rendimento (quadril, joelhos, cotovelos, ombro, braço quebrado, coluna, etc). Mesmo com mais ou menos oito meses de treino para o duelo, não conseguiu ter velocidade e agilidade para soltar o jogo. No chão, então, não é nem sombra do que foi. Época gloriosa em que era considerado o maior finalizador dos pesos pesados. A aposentadoria hoje é uma tendência eminente, mas só ele para julgar se chegou à estação final. Talvez mais uma luta com todo o sentimento em cima desse momento seja a melhor despedida. Quem sabe na Bahia? De qualquer forma, obrigado pela determinação, espírito de luta e por combates memoráveis. Para sempre!

Fonte: Éder Ferrari – Esportes – Colunistas – Bahia Notícias

Imagem: Nico – Mundo em Rabisco