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Rafael Gladiador fala de México, adaptação e injustiça no Bahia

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No México, Rafael 'Gladiador' comemora chegada de R10 e fala sobre injustiça no Bahia

O Bahia Notícias apresenta como entrevistado da Coluna de Esportes o jovem atacante Rafael. Mais conhecido pelos baianos como Rafael 'Gladiador', o jogador formado nas categorias de base do Bahia não conseguiu se firmar no elenco profissional do tricolor baiano. Após um jogo no clube na temporada de 2014, ele se vê injustiçado pelo ex-treinador Marquinhos Santos e, ao rescindir contrato com o tricolor baiano, apostou no futebol mexicano para dar um novo rumo à carreira profissional. Lá, ele defende o Zacatepec. Além do Bahia, Rafael tem passagens pelo futebol goiano e norte-americano.

Bahia Notícias: Como está o período de adaptação e atuação no futebol mexicano?

Rafael: Na verdade, já passei pelo período de adaptação, que foi muito rápido, por sinal. Procurei ouvir muito as orientações da comissão técnica, dos jogadores mais experientes, para assimilar melhor sobre o futebol mexicano. De resto foi tudo muito fácil. É um futebol muito parecido com o brasileiro. Estou gostando muito desta nova experiência e espero que tudo saia como planejado. Tenho trabalho muito para isso.

BN: A ida de Ronaldinho Gaúcho ao México. Como repercutiu internamente?

Rafael: Não tenha dúvida que isso foi bom para o futebol local. A tendência é que o futebol mexicano, que já é muito bom, fique ainda melhor. Ronaldinho Gaúcho é uma marca mundial e tem tudo para deixar o campeonato muito movimentado. Dentro de campo todos sabem que ele vai render.

BN: O que aconteceu para você não ter sucesso no Bahia?

Rafael: Não encaro desta forma. Nas divisões de base do Bahia consegui render tudo aquilo que queria. Claro que gostaria de ter jogado mais entre os profissionais, mas não deu. Prefiro também não ficar lamentando muito. Estou em um novo desafio na minha carreira e focado em evoluir profissionalmente.

BN: Você acha que teve a 'promoção' ao profissional antes do ideal?

Rafael: Talvez tenha sido precipitado, sim, mas é como disse: não gosto de ficar lamentando. Fui muito feliz enquanto estive no Fazendão e não guardo mágoas de ninguém. Tenho um grande carinho pela torcida do Bahia e pelo clube. O que passei lá ficará guardado em minha memória para sempre. Espero um dia voltar e dar alegrias ao torcedor.

BN: A carência de bom camisa 9 no Bahia te prejudicou e aumentou a pressão sobre você?

Rafael: Encaro com naturalidade essa pressão. É normal no futebol. Quem não tiver preparado fica para trás. Penso desta forma. Quando você joga em um clube da grandeza do Bahia existe a cobrança desde as divisões de base. Foi assim comigo, mas suportei bem e não me deixei abalar por nada. Continuei trabalhando mesmo quando estive afastado para estar pronto quando houvesse a oportunidade.

BN: O acordo de rescisão foi amigável ou o Bahia ainda deve algo para você?

Rafael: Chegamos a um acordo que foi bom para as duas partes. Procurei sair deixando as portas abertas.

BN: Estados Unidos, Brasil e México. É muito diferente o estilo de atuar nesses países?

Rafael: São características diferentes nos três países. Nos Estados Unidos tem a questão da força e velocidade. A técnica, em alguns momentos, fica de lado, mas tem jogadores de todas as nacionalidades lá e isso ajuda você a evoluir. Já no México é mais técnico, assim como o Brasil. É um futebol mais parecido com o nosso. A organização tática nos EUA e no México também tem que ser destacada.

BN:Você deixou o Bahia em 2014 com apenas uma partida. Foi injusto com você?

Rafael: Não penso por esse lado, mas sei que poderia ter rendido mais se tivesse oportunidade. Joguei apenas quarenta e cinco minutos. Não posso ser avaliado por um tempo de jogo. E como eu tinha me saído tão bem na base, queria ter tido mais chances para provar que poderia estar no Bahia. Tinha esse sonho, mas, infelizmente, não aconteceu como eu queria.

BN: Você, hoje, teria algo a dizer para Marquinhos Santos que não o utilizou no ano?

Rafael: Não guardo mágoa dele, mas sei que poderia ter tido mais chances, como outros tiveram. Nunca deixei de trabalhar muito e doar para o clube. Foi uma opção do treinador me deixar de fora da equipe e procuro respeitar, só que não tenho obrigação de concordar. Sei que poderia ter ajudado mais.

BN: O que aconteceu para geração do Bahia, vice-campeão da Copinha, não engrenar no profissional?

Rafael: Sinceramente não sei. Era uma geração talentosa e que provou em campo isso. Talvez a pressão e a necessidade do clube em colocar as revelações para resolver os problemas do time profissional tenham prejudicado muitos desses nomes. São coisas que acontecem no futebol e temos que estar preparados. Mas, sem dúvida, foi uma das melhores gerações que o Bahia teve nos últimos anos.

BN: Você passou pela seleção, jogou o Pan, mas não deu sequência. Admite erros na carreira ou, como todo atleta, está passando por uma má fase?

Rafael: É como disse: talvez se tivesse jogado mais no Bahia neste ano poderia mudar esse quadro que você falou. Tenho trabalhado muito para evoluir, mas algumas coisas não saem como queremos. Espero agora, aqui no México, fazer meu trabalho com tranquilidade e voltar a fazer o que mais gosto: gols.

BN: E, por último, por que a opção de jogar no futebol mexicano?

Rafael: Escolhi jogar no México pela estrutura dos clubes aqui. Além disso, o futebol mexicano é muito organizado e dá ao jogador todas as condições de fazer seu trabalho com tranquilidade. O México investe muito e atrai grandes jogadores para o país.

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