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Ramires fala sobre perda do pai, canta reggae e avalia fama repentina

Jogador de apenas 18 anos foi titular em três jogos do Bahia e virou um dos favoritos da torcida

Ramires concede entrevista coletiva (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)
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Na tarde desta sexta-feira (21), o meia Ramires concedeu a sua primeira entrevista coletiva no Fazendão. O jovem jogador de 18 anos virou o queridinho da torcida por conta das suas boas atuações. Na última quinta-feira (20), ele marcou o seu primeiro gol como profissional no triunfo sobre o Botafogo, pela Copa Sul-Americana.

Morador do bairro Águas Claras, Ramires passou por momentos difíceis, como negativas em peneiras, até chegar ao time profissional do Bahia. Por conta disso, os versos “Vamos amigo, lute! Senão a gente acaba perdendo o que já conquistou”, da música Lute, do cantor de reggae Edson Gomes, inspiraram o atleta nesse início na equipe principal.

Porém, o momento mais complicado da vida de Ramires aconteceu há dois anos quando ele perdeu o pai, que ele iria homenagear no seu primeiro gol, mas os planos não saíram como o esperado.

Momento difícil. Perdi ele quando tinha 16 anos. Faz dois anos que perdi ele. Falei para mim mesmo que quando fizesse gol no profissional eu iria comemorar dançando reggae. Infelizmente na euforia não deu. Mas ele sabe que sempre estarei com ele no meu coração. Ele era fã de reggae. Sempre escutava reggae. De manhã cedo eu acordava com ele escutando Edson Gomes. Ele gostava de “Árvore”, tem uma que é assim: “Vamos amigo, lute! Vamos amigo, lute! Vamos amigo, lute! Uoou! Vamos amigo, ajude! Senão a gente acaba perdendo o que já conquistou…”

Criado em um bairro humilde da capital baiana, Ramires entende a dificuldade de conseguir conquistas. O jogador passa a maior parte da semana no Fazendão, mas visita a família nos finais de semana, quando não está na concentração. Porém, o meia sabe que precisa manter o foco no trabalho para ser bem sucedido:

Estou tentando ficar o máximo possível aqui para descansar bastante. Para ajudar na adaptação. Os jogos são bastante diferentes do sub-23 e sub-20

Ramires já tem três jogos no time profissional, contra Sport, Palmeiras e Botafogo, sempre como titular. Nestas partidas, fez um gol e deu uma assistência. A rápida ascensão faz com que o meia, que pulou etapas na base e hoje é uma das principais revelações do Bahia, acredite que esteja vivendo um “sonho acordado”.

Sensação inexplicável. A Fonte Nova lotada, jogar no Esquadrão. É um sonho de criança, como já disse. O primeiro jogo contra o Sport estava muito nervoso, a galera aqui dentro me ajudou bastante. Hoje estou mais acostumado para ajudar a equipe tanto no setor ofensivo quanto o defensivo. Estou bem. É continuar trabalhando.

Pouco conhecido no mês passado, hoje Ramires já posa para fotos com torcedores nas ruas de Salvador. Além disso, em pouco mais de duas semanas, seu número de seguidores nas redes sociais quadruplicou:

São vinte dias de muita felicidade na minha vida. Nunca pensei que seria assim o começo, a estreia. Em média acho que já ganhei uns 10 mil seguidores. Fui no shopping um dia desse e um cara me viu, me pediu para tirar foto. Muito bom, muito gratificante. (…) Muitas mensagens. Mas não posso me deslumbrar com isso. As mensagens dos familiares tento responder todos, as vezes não dá. Tento responder com mais carinho quem está mais próximo de mim. É não se deslumbrar e manter o foco.

Confira o que Ramires falou em entrevista coletiva

Repercussão com colegas da base
– Muitos chamam para tirar foto. Muitos estavam comigo no início, acreditaram em mim desde o início.

História
– Sou de Águas Claras [bairro de Salvador]. Morava no Uruguai, na Cidade Baixa. Com dois anos fui para São Paulo com meu pai e minha mãe. Ficamos nove anos lá. Voltei quando tinha 11 anos. Quando voltei, fiz testes aqui no Bahia e no rival, não passei. Em 2011 fiz o teste aqui e passei.

Gol e sucesso
– Acontecendo muito rápido. Graças a Deus pude fazer o gol ontem, ainda em uma competição internacional. O Bahia não tem esse título ainda. Agora é continuar trabalhando com foco nos treinamentos.

Cotidiano
– Moro aqui mesmo no Fazendão. Fim de semana vou visitar minha mãe.

Pessoas que ajudaram na carreira
– Tenho ele como um pai que me ajudou bastante, nome dele é Hilton, mora perto de minha casa. Quero cumprimentar ele. Me ajudou bastante quando perdi meu pai. Foi mais como um familiar mesmo. Me ajudou bastante, me deu bastante apoio. Ele e Jose, a esposa dele. ME ajudaram bastante.

Tapas na comemoração
– Isso sempre quando alguém sobe e faz o primeiro gol rola. Clayton fez e os caras não pegaram ele. Só rolou comigo (risos). Foi especial. O grupo me acolheu bastante.

Férias
– Vai ser o momento que vou tentar ficar com minha família o máximo possível. Sem me deslumbrar. Manter o foco e ficar com meus familiares.

Campos em que jogou
– Joguei em Cajazeiras X, no Ypiranga na Vila Canária, joguei na Boca do Rio também bastante. Joguei em Simões Filho. Em muitos campos.

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