Ronaldo vê seus planos ruir

Ronaldo vê seus planos ruir. Não vai comandar a CBF, apesar do apoio de Blatter e Dilma. Percebe que sua idolatria se transformou em rejeição. É o peso de assumir que Copa se faz com estádios e não hospitais…

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Salvador…

Mergulhando na piscina de um hotel cinco estrelas.

Aproveitando o sol da Bahia.

Mas sem poder colocar os pés na rua.

A rotina de Ronaldo em Salvador foi a mesma de sempre.

Só o motivo de evitar a população mudou.

Ele não temia perder seu tempo precioso dando autógrafos.

Posando para fotos.

Não.

Desta vez a causa é muito mais séria.

Ele virou símbolo de rejeição dos manifestos pelo Brasil.

Uma declaração sua colocou tudo a perder.

Frase dita com raiva para quem questionava os gastos com a Copa.

Mundial mais caro de todos os tempos, R$ 30 bilhões.

"Copa não se faz com hospitais."

Sua afirmação foi recuperada e virou mote contra ele.

Manifestantes querem cobrar de Ronaldo essa postura.

Por isso não saiu às ruas de Salvador sem segurança.

Em Fortaleza, o comentarista da Globo já havia sido xingado no Castelão.

Muitos populares trocaram a admiração pela rejeição a Ronaldo.

O sentimento se espalhou pelo país.

Seus planos estão desabando.

Percebeu que, apesar do apoio de Blatter, não tem a menor chance de assumir a CBF.

Ele acalentava a esperança de se tornar o Platini dos trópicos.

Substituir José Maria Marin, o homem que o manteve no COL.

Ronaldo se mostrava disposto até a tirar da disputa seu amigo Andrés Sanchez.

Sonhava que Blatter e uma parte da cúpula da Globo bastariam.

A mídia, ele dobraria, como aprendeu.

Foram anos de lições com o assessor de imprensa Rodrigo Paiva.

Foi ele quem viu a oportunidade nos anos que passou contundido.

E fez de Ronaldo a figura midiática que se transformou.

O fez ir a conflitos, guerras, levando uma mensagem de paz.

De reconstrução em países arrasados.

O jogador ganhou contratos vitalícios que o tornam milionário.

Há muito tempo se esqueceu das dificuldades, das agruras de Bento Ribeiro.

São anos e anos circulando pela Riviera Francesa.

Pelos melhores restaurantes do mundo.

Iates, festas intermináveis, regadas a grandes vinhos e charutos.

Não há como lembrar a magreza exagerada da juventude.

Não ter dinheiro para tomar quatro conduções.

Motivo que o impediu de jogar no Flamengo.

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Tudo isso ficou no passado.

Ronaldo há muito tempo não representa mais o povo brasileiro.

Representa ele mesmo.

Ambicioso milionário com sede de poder.

O que tem todo o direito de fazer.

Aprendeu com Rodrigo sobre a importância das relações poderosas.

E para mantê-las é preciso estômago.

Como quando decidiu voltar a amizade com Ricardo Teixeira.

O motivo do afastamento foi 2006.

O então jogador comandou as farras da Seleção na Alemanha.

Todas autorizadas por Carlos Alberto Parreira.

As folgas após as partidas iam até as cinco da manhã.

E era o horário que Ronaldo voltava das festas com os companheiros.

Depois da eliminação pela França, Teixeira decretou seu banimento.

Nunca mais foi chamado para a Seleção.

Mesmo tendo passado por uma fase excelente em 2009.

Viu Grafite e Luís Fabiano irem para a África.

Andrés reaproximou o magoado jogador de Teixeira.

A volta à amizade foi boa para os três lados.

O ex-presidente da CBF tinha um nome importante para o COL.

Andrés ganhava de vez a promessa de suceder Teixeira.

E Ronaldo se aproximava da Copa com tudo que ela poderia oferecer.

Primeiro como empresário, seus contatos com os bilionários patrocinadores.

A aproximação de Blatter, Dilma Rousseff.

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A chance de arrebanhar cúmplices para comandar o futebol brasileiro.

Poderia até ser ao lado de Andrés, quem sabe?

Circular pelo mundo ao lado do Fuleco seria ótimo.

Ser recebido por chefes de estado, presidentes, primeiros-ministros.

E de quebra ainda comentar a Copa das Confederações e o Mundial para a Globo.

Mais popularidade no quintal, mais propagandas.

O lado ético de falar comentar sobre seus clientes da R9 foi esquecido.

Tanto por ele como pela emissora carioca.

Ronaldo ganha dinheiro para defender a imagem de Neymar e Lucas.

Assim como o membro do COL comenta as competições que organiza.

Ronaldo acreditou que levaria tudo isso sem questionamento.

Afinal, ele é Ronaldo.

Só que não percebeu que as coisas mudaram.

As redes sociais que organizam os manifestos no Brasil não se esqueceram dele.

E atacam o oportunismo de Ronaldo.

O desprezo pelas pessoas ao defender estádios e não hospitais.

O ex-jogador viu seu mundo ruir.

A rejeição aos comentários de Ronaldo na Globo é imensa.

A ponto de executivos repensarem se vale a pena mantê-lo na Copa.

Ele tem um fiel escudeiro na emissora, Galvão Bueno.

O narrador é um dos que mais se entusiasmaram em ter o membro do COL nos jogos.

E defende sua permanência até o final do Mundial de 2014.

O considera uma 'grife'…

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Galvão de conta que não ouve os palavrões e as vaias que os perseguem nos estádios.

Inseguro, Ronaldo está tendo muitas dificuldades para comentar.

E segue falando obviedades, tentando não se comprometer.

O que torna tudo raso, sem repercussão.

Ao contrário do que esperava a Globo.

Ele decidiu que depois da Copa das Confederações vai mesmo para Londres.

Vai estudar publicidade no grupo de comunicação WPP.

Pouco importa que faltará um ano para a Copa do Mundo no Brasil

Vai fazer chá e carregar a bolsa do patrão em Londres.

Foi assim que definiu a jornais ingleses sua missão.

E, quando der tempo, viajará apresentando o projeto da Copa 2014.

Esse é o seu trabalho no Comitê Organizador Local.

Local neste caso será Londres.

Diante dos fracassos de seus planos…

E ainda ter virado símbolo de rejeição dos manifestantes pelo Brasil…

A ponto de não poder sair na rua sem seguranças…

Ronaldo resolveu falar.

Seis órgãos de imprensa foram convocados a ouvir suas explicações.

E divulgá-las ao mundo neste sábado.

Pareciam opiniões de um dos líderes dos protestos.

Revoltado com a corrupção no País.

Só faltou colocar máscara e carregar cartaz.

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"O protesto foi surpreendente, mas compreensível. Porque o povo está cansado de ter um país com tanta riqueza e viver no caos.A gente espera sempre ter bons atendimentos nos hospitais públicos, educação de qualidade. O povo vem cansando de muito tempo, tapando os buracos. O poder da informação da internet é tão rápido. Uma mobilização rápida. Vamos ver daqui para frente um país melhor.

Não tenho medo, porque eu sou do povo e reivindico o que o povo está reivindicando. Não tenho medo de sofrer qualquer tipo de represália. Meu sentimento é igual ao do povo. Quero um Brasil mais justo como o povo. Eu estou exatamente com o povo, não é somente com o povo. Ele quer dar fim a corrupção, aos dinheiros desviados, o povo quer hospitais. Eu estou com o povo e gostaria de ver o nosso país mais justo. Não é falta de dinheiro, é falta de investimento certo. Responsabilizar os culpados pelos desvios.

"Acho que a Dilma saiu para dar uma satisfação ao povo, que está exigindo mudanças. Ela vem prometendo, O povo tem que ser a parte mais importante da nossa sociedade. Apoio toda a manifestação pacífica, mas desaprovo qualquer ato de vandalismo. O povo deu a demonstração de que se faz uma manifestação dessa magnitude, que consegue tudo o que quer. Não podemos misturar os vândalos com os protestantes.

"O povo não é contra a Copa do Mundo. O povo é contra a corrupção, a sacanagem, hospitais ruins. É contra tudo isso. Não é uma escolha entre fazer o estádio e hospital. Todo ano pagamos jutos impostos, dá para fazer tudo. O povo não é contra a copa, é contra o desvio de dinheiro. O povo quer ver melhorias em tudo, é a grande oportunidade de o Brasil receber grandes investimentos. Isso não justifica os desvios, os altos custos."

"Quem de nós não ficou feliz quando foi decidido que a Copa seria no Brasil? Não teve ninguém que não comemorou e viu isso como uma oportunidade de crescimento. Sabemos como funcionam as coisas. Sabemos que existe corrupção, desvio, o povo está cansado disso. Queremos ver os responsáveis por fraude sendo presos. A gente não vê as reações e por isso o povo está na rua."

"Estou com o povo e não abro. Quero o mesmo resultado que o povo espera. A Fifa e o COL estão acompanhando a movimentação, queremos ver uma competição sem violência, sem ninguém sair ferido. Para isso foi pedido mais segurança para os árbitros, estádios, para que não haja violência. Todos estão gostando de ver como uma mobilização popular pode dar um rumo ao país. A verdade é que o COL e a Fifa não constrói estádio, não contrata empreiteira, Só controla. O povo está cansado de ver roubalheira. A Fifa e o COL não tem absolutamente nada com isso."

Lógico que fiquei chateado, (com a frase divulgada que Copa não se faz com hospitais) porque me envolveram de maneira maldosa. Eu venho de origem humilde, apoio as manifestações, tudo que conquistei foi com suor, sofrimento, muitas operações. Entendo o que o povo quer. Esse vídeo foi manipulado e tendencioso. Todo mundo sabe não se faz Copa do Mundo sem estádio. Não quer dizer que se deva deixar as outras coisas de lado. O Brasil vem batendo recorde de PIB e de investimentos. Não tenho cargo público, não administro cargo público. Quero mudanças igual ao povo. Eu me arrependo da forma como foi dita (a frase). Mas eu tenho certeza que o contexto inicial continua sendo o que eu penso. O Governo tem que ter as prioridades, como educação de qualidade. De qualquer maneira, eu peço desculpas aos que sentiram ofendidos."

E pronto.

Ronaldo acredita que tudo está resolvido.

Superará a rejeição como comentarista.

Ninguém questionará o fato de ser membro do COL em Londres.

Carregando pastas e fazendo chá para seu chefe.

Os presidentes das Federações e dos clubes lhe darão o comando da CBF.

Ronaldo age como se estivesse tratando do polêmico caso dos travestis.

Bastou uma entrevista no Fantástico…

A proibição de novas perguntas sobre a constrangedora noite.

Todos fazem de conta que esqueceram.

Os tempos são outros.

Ronaldo caiu no idêntico erro de Ricardo Teixeira.

Não percebeu.

Não basta só falar, fazer pose.

Por isso sua imagem junto à população está tão abalada.

E seus planos estão ruindo.

Ser um excepcional jogador é uma coisa.

Estar acima do bem e do mal é algo muito diferente.

E Ronaldo, como ninguém neste país, não está.

Ele descobriu isso enfiado em um hotel de luxo na Bahia.

A alegria nas suas aparições virou rejeição.

Copa não se faz com estádios.

Sem arenas de primeiro Mundo, caríssimas.

Mas um país digno, sim.

Devolve o que cobra de impostos.

Em saúde, educação e segurança à sua população.

Ronaldo só percebeu isso agora…

Tabela Série A: http://uniaotricolorba.com.br/tabelaseriea.asp


Origem : COSMERMOLI

Autor : cosmermoli