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Terra arrasada? Novo técnico do Bahia encontra série de desafios no clube

Hernane Brocador Bahia

Bahia tem problemas crônicos que precisam ser corrigidos para o time deslanchar na Série B. Técnico terá que resolver crise ofensiva e inconstância nas laterais do Tricolor

O cenário no Bahia está longe de ser o de terra arrasada. No entanto, Guto Ferreira, o novo técnico tricolor, terá trabalho para colocar as coisas em ordem no Fazendão. Na nona posição da Série B do Campeonato Brasileiro com 17 pontos conquistados, o time que há pouco tempo era comandado por Doriva possui problemas crônicos. Com 19 gols marcados, tem um dos melhores ataques da Segunda Divisão, mas o número poderia ser maior caso conseguisse aproveitar melhor as oportunidades criadas. Tinga, Hayner, Moisés e João Paulo se revezam nas laterais, mas não mantêm a regularidade necessária para assumir a posição de forma incontestável. A defesa, que chegou a ficar mais de 300 minutos sem ser vazada, sofreu nove gols nos últimos quatro jogos, média superior a dois por jogo.

O tempo será um inimigo para o substituto de Doriva. O Bahia está no meio da Série B, e o novo treinador precisará conhecer o elenco e dar uma nova cara ao time em prazo limitado. Até os primeiros dias de julho, o Tricolor terá dois jogos por semana. Dessa forma, o grupo terá apenas espaço para se recuperar do desgaste físico. Períodos para treinos mais elaborados somente entre a 15ª e a 18ª rodada. Além disso, Guto terá que adequar táticas e convicções ao grupo de jogadores que o clube possui. Até o momento, 15 atletas foram contratados para a temporada. O espaço para novas peças é pequeno e apenas ocasiões extraordinárias devem ser aproveitadas para reforçar o time.

O GloboEsporte.com listou alguns desafios que o novo técnico terá para conduzir o Bahia de volta à Série A. A relação passa pela evolução de setores do time e também aborda a relação com a torcida, desconfiada dos fracassos do Tricolor na temporada.

PONTARIA RUIM

O Bahia definitivamente não é um time de pouca criatividade. Até a 12ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, o Tricolor havia criado 185 oportunidades de balançar as redes rivais. Segundo números do Footstats, o time baiano acumula 77 finalizações certas – líder no ranking no quesito – e 108 erradas na Segunda Divisão Nacional. Desta forma, são necessárias 9,7 conclusões para que a equipe baiana consiga marcar um gol.

A pontaria ruim é acentuada pela má fase do atacante Hernane. Artilheiro do Bahia na temporada com 14 gols, o Brocador não voltou bem após se recuperar de uma lesão muscular que o afastou dos gramados no início da Série B. Durante a competição, não conseguiu se apresentar no mesmo nível das partidas realizadas no início do ano. Apesar disso, fez quatro gols na Segunda Divisão.

O novo técnico precisará corrigir as falhas de finalização e também recuperar outros atacantes em baixa no elenco. Thiago Ribeiro não conseguiu ter uma grande atuação desde que foi contratado, enquanto Zé Roberto e Luisinho caíram de rendimento. Edgar Junio convive com uma sequência de lesões e atuou em apenas quatro partidas da Série B.

INCONSTÂNCIA NAS LATERAIS

Problema que se arrasta desde a temporada passada, o desempenho dos laterais do Bahia é alvo constante de críticas por parte do torcedor. Tinga, Moisés e João Paulo foram contratados em 2016 como alternativas para solucionar a questão, enquanto Hayner foi efetivado no grupo profissional. Os quatro alternam bons e maus momentos e, sem regularidade, não conseguem se firmar no time. O novo técnico terá a missão de definir os titulares de cada lateral, passar confiança ao atleta, além de corrigir falhas e aprimorar qualidades.

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Tinga iniciou o ano bem, mas caiu de rendimento após lesão no joelho (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia)

Tinga começou bem a temporada, mas sofreu uma lesão no joelho e, após um mês longe dos gramados para recuperação, não conseguiu manter o nível. Hayner, que realizou os primeiros jogos como profissional no segundo semestre de 2015, assumiu o posto de lateral-direito e também teve um bom começo. Contudo, durante o primeiro Ba-Vi do Campeonato Baiano, falhou no lance que originou o gol do Vitória, marcado por Vander, e desde então não conseguiu repetir as boas atuações.

Na esquerda, o Bahia iniciou o ano com João Paulo. O contrato do jogador, contudo, venceu em maio e o clube não renovou o vínculo. Com o pensamento na Série B, foram contratados Moisés, por empréstimo junto ao Corinthians e João Paulo Gomes, que estava sem clube. Moisés foi bem no estadual e anulou Marinho, do Vitória, na final da competição. Entretanto, não conseguiu manter o nível de atuação na Série B e caiu em um rodízio com João Paulo Gomes, que chegou a ser escalado como meia por Doriva e apresentou dificuldades em cumprir o papel no sistema defensivo.

DESCONFIANÇA DA TORCIDA

Bahia x Paysandu, Arena Fonte Nova (Foto: Thiago Pereira)
Cenário com arquibancadas vazias se tornou comum na Arena Fonte Nova em 2016 (Foto: Thiago Pereira)

Time de 10ª maior média de público em 2015 entre as Séries A, B e C, o Bahia não vive um bom relacionamento com o torcedor nessa temporada. Desconfiada, a torcida tricolor comparece em número cada vez mais reduzido à Arena Fonte Nova. Atualmente, o time baiano ocupa a 12ª colocação no ranking nacional de público, com média de 10.727 pagantes por jogo. O número é bem distante do registrado no ano passado, quando cada partida em Salvador levava em média 15.295 pessoas para as arquibancadas.

Além de conquistar resultados para trazer o torcedor de volta, o novo técnico do Bahia precisará superar a descrença do torcedor com alguns atletas. O atacante Zé Roberto é constantemente vaiado. Luisinho e Thiago Ribeiro também não contam com ampla simpatia da torcida, assim como Lucas Fonseca e Paulo Roberto.

VARIEDADE DE OPÇÕES

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Novo técnico terá opções dentro do elenco do Bahia (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia)

Nem todos os desafios são ruins no Bahia. Enquanto muitos técnicos precisam superar a falta de opções no elenco e improvisar em determinadas posições, o grupo tricolor conta com bom número de opções para montar o time. São pelo menos dois jogadores de nível semelhante para cada setor do campo. Desta forma, há sempre atletas no banco de reservas que podem acrescentar algo.

As opções criam divergências sobre a melhor escalação do time. Renato Cajá e Régis juntos na marcação? Um meio de campo mais encorpado com Feijão, Danilo Pires e Juninho como volantes? Ou três jogadores na frente para marcar sob pressão e atuar em velocidade pelos flancos? O elenco dá possibilidades, e a utilização de cada atleta depende do que o novo técnico planeja implantar no Bahia.

Além disso, o clube conta com bons valores formados nas categorias de base. Gustavo Blanco foi bastante utilizado na temporada passada e não decepcionou quando foi requisitado nesta temporada. Os volantes Luis Fernando e Júnior foram bem quando receberam a oportunidade de atuar entre os profissionais. Efetivado como zagueiro no início da temporada, a pedido de Doriva, Éder manteve uma regularidade no nível de atuações e rivaliza com Lucas Fonseca pela vaga de titular ao lado de Jackson.

 

Fonte: Ge.com

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