Time tricolor dá um tapa na cara da sociedade. De quem é a culpa?

Time tricolor dá um tapa na cara da sociedade. De quem é a culpa?

Terminar o Brasileirão pré-Copa das Confederações entre os oito primeiros colocados, talvez, não fosse meta nem do próprio Bahia. Poucos torcedores acreditavam. Eu, tampouco. Mas o fato é que o Bahia tem seu melhor início de campeonato desde 2000, quando somou o mesmo número de pontos em cinco partidas. Terminará esta etapa da competição muito distante da zona do rebaixamento. Mas quem é o grande culpado por esse ótimo aproveitamento?

Antes de mais nada, é necessário deixar claro que o elenco do Bahia continua limitado, como veremos a seguir. O bom momento não pode apagar as deficiências do grupo tricolor, bem como as trapalhadas administrativas da diretoria azul, vermelha e branca. Isto leva a crer que o responsável pela façanha é o treinador Cristóvão Borges. E tem todos os argumentos para sustentar essa responsabilidade.

Com Cristóvão, o Bahia mudou sua forma de marcar. Atua no campo adversário abafando a saída de bola rival. Utiliza a velocidade de Ryder e Marquinhos Gabriel (no último sábado, Potita) para marcar a subida dos laterais. Usa a força física de Fernandão para atrapalhar os zagueiros e ‘quebrar’ o passe de seus oponentes. Quanto mais adiantado se marca, mais próximo do gol o time fica após uma roubada de bola. O Bahia ganhou intensidade de jogo.

Em boa parte do jogo contra o Vasco, Bahia voltou a marcar sob pressão no campo do rival

A compactação da equipe também é fundamental para o bom aproveitamento, sobretudo longe de Salvador. A irritante ‘santíssima trindade’ de volantes protege a defesa e a subida dos dois laterais, e vez por outra se aproxima do ataque, dando opção de chute de fora da área. A defesa se acertou com a entrada do bom Lucas Fonseca e o ataque ganhou opções pelas laterais com os garotos Madson e Jussandro.

Porém, o Bahia apresenta velhos defeitos de times tecnicamente limitados. Com a bola no pé, pouco sabe o que fazer, sobretudo quando ela cai nos pés dos volantes. Falta inteligência para prender a bola quando necessário. Em todas as partidas do Brasileirão, o Tricolor teve menos posse de bola que seus rivais e errou muito mais passes – o que evidencia a virtude na marcação e o defeito na criação, já que o time não possui um meia armador. A opção de passe acaba sendo o velho chutão, que não cabe mais no futebol moderno.

A pausa no Campeonato Brasileiro, em tese, pode fazer bem ao time do Bahia, desde que a direção se movimente e contrate. Cristóvão Borges foi ao limite nessas cinco primeiras rodadas (chegou a escalar quatro laterais contra o Vasco) devido ao elenco limitado, e não poderá fazer mais milagres. Se ele é o grande culpado pela boa campanha tricolor, não pode se tornar o vilão quando os resultados não vierem em virtude de um grupo com limitações técnicas, apesar de disciplinado taticamente.

Fonte: Elton Serra – Blog iBahiaFC

Foto: Mauro Akin Nassor – Correio