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Tudo sobre o Escândalo e prisões na FIFA; Veja

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EUA sobre investigação de corrupção da Fifa: 'É o começo do nosso trabalho e não vamos parar por aqui'

Em coletiva de imprensa em Nova York, representantes do Departamento de Justiça norte-americano, e do FBI comentaram escândalo na maior entidade do mundo do futebol

Investigação do FBI envolve diversos nomes do alto escalão da Fifa (Foto: Wilfredo Lee / Associated Press / Estadão Conteúdo)

Investigação do FBI envolve diversos nomes do alto escalão da Fifa (Foto: Wilfredo Lee / Associated Press / Estadão Conteúdo)

Uma notícia abalou o mundo do futebol na manhã desta quarta-feira (27). A polícia suíça prendeu nove dirigentes da Fifa, a pedido da justiça dos Estados Unidos, sob a acusação de corrupção, dentre outros crimes. Os suspeitos foram detidos em um hotel em Zurique (SUI), onde se hospedavam para compromissos da entidades. Os acusados poderão ser extraditados para os Estados Unidos. O departamento de justiça americano confirmou que José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), é um dos nomes detidos. O Departamento Federal de Justiça suíço informou que está interrogando os dirigentes sobre a votação para as escolhas das sedes das Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e 2022, no Catar.

Principais responsáveis pela investigação, os Estados Unidos garantiu que esse é apenas o início de uma investigação maior. O objetivo é acabar com a corrupção no futebol. Em coletiva de imprensa em Nova York, representantes do Departamento de Justiça norte-americano e do FBI confirmaram as investigações, deram detalhes e afirmaram que não irão para com as investigações.

“Esses esquemas não são novos, acontecem há mais de 20 anos e estamos aprendendo como funcionam. Quero deixar uma coisa clara: esse é o começo do nosso trabalho, e não vamos parar por aqui. Trabalharemos muito duro parar chegar ao fundo desse tipo de corrupção e limpar o futebol mundial”, declarou Kelly Currie, promotor federal de Nova York.

“Ninguém jamais sairá impune. Prometo que em algum momento vamos esclarecer tudo o que acontece. Muitas pessoas se envolvem nesse tipo de prática pensando que vão se dar bem, mas não será assim. Estamos atrás de desmembrar os esquemas e não iremos descansar até o momento que o mundo entenda que esses esquemas não serão tolerados e serão castigados com todo o rigor da lei”, afirmou James Comey, diretor do FBI.

Além das investigações criminais, a Fifa e diversos dirigentes investigados também serão auditados pela Receita Federal dos Estados Unidos.

“Essa é a Copa do Mundo da corrupção, e hoje a Fifa levou o cartão vermelho. Continuaremos trabalhando com todos os nossos melhores investigadores ao redor do mundo para limpar tudo e fazer com que joguem com as regras do jogo”, disparou Richard Weber, investigador da Receita Federal norte americana.

“Estamos cientes que a Fifa já fez coisas incríveis pelo futebol, mas, nesses casos de propinas, não foi assim. Nesses casos, a Fifa não jogou a favor do esporte, e sim em benefício próprio de alguns indivíduos”, completou o investigador da Receita.

Ainda na coletiva de imprensa, Loretta Lynch, secretária de Justiça dos Estados Unidos, declarou que a esperança é que essa seja a última vez que a Fifa e seus dirigentes estejam envolvidos em casos de corrupção no mundo do futebol.

“A Fifa já vem tendo problemas durante anos. Espero que, depois dessa investigação, seja a última vez que a gente ouça alguma coisa sobre corrupção na entidade e problemas na eleição do próximo presidente”, ressaltou.

Entenda a operação do FBI que prendeu Marin e outros seis cartolas na Suíça

Uma operação liderada pelo FBI em solo suíço levou à prisão sete dirigentes do alto escalão do futebol mundial, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marín. Entenda os motivos que levaram às detenções e o que deve acontecer com os indiciados.

Por que os Estados Unidos são responsáveis pelas prisões?

As autoridades norte-americanas alegam que as transações ilícitas foram acordadas no país e que utilizaram bancos dos Estados Unidos. Além disso, afirmam ter jurisdição sobre o caso pelo fato das empresas de mídia do país pagarem o maior valor de direitos de transmissão da Copa do Mundo.

A operação da Justiça norte-americana também teria sido motivada pelas investigações realizadas pelo ex-procurador de Justiça dos EUA Michael Garcia, contratado pela Fifa em 2014 para examinar a escolha da Rússia e do Qatar para a sede das Copas de 2018 e 2022, respectivamente (derrotando candidatura dos Estados Unidos). O relatório final apontou uma série de irregularidades, mas foi ignorado pela entidade máxima do futebol.

Quais são as acusações da investigação?

Os 14 indiciados são acusados de extorsão, fraude, lavagem de dinheiro, entre outras irregularidades. A investigação aponta suborno de US$ 150 milhões (cerca de US$ 450 milhões) em questões ligadas a transmissão de jogos e direitos de marketing do futebol na América do Sul e Estados Unidos.

Quanto tempo os acusados podem ficar presos?

Caso sejam condenados, os indiciados podem pegar até 20 anos de prisão por fraude, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, extorsão e obstrução de justiça. Eugenio Figueredo ainda corre o risco de ser preso por mais 10 anos por fraude no processo de naturalização e ter sua cidadania americana revogada.

O que acontece agora com os dirigentes presos?

Os Estados Unidos já pediram a extradição de Marin e dos outros seis cartolas detidos. Caso os indiciados se opuserem à extradição, será aberto um requerimento e eles permanecerão por menos 40 dias na Suíça até o desfecho do caso.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o secretário-geral Jerome Valcke estão envolvidos? As eleições na Fifa podem ser canceladas?

A princípio, a operação da Justiça americana não envolve os dois principais dirigentes da Fifa. A entidade já anunciou que a eleição para a presidência está mantida para a próxima sexta-feira.

Quem são os 14 acusados?

Sete dirigentes foram presos em um hotel em Zurique na operação desta quarta-feira (27):

– José Maria Marin (ex-presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa-2014, membro do comitê organizador da Fifa para torneios olímpicos)

– Jeffrey Webb (vice-presidente da Fifa, presidente da Concacaf e ex-presidente da federação das Ilhas Cayman)

– Eduardo Li (presidente da Federação Costarriquenha e membro dos comitês executivos da Fifa e da Concacaf)

– Julio Rocha (presidente da federação da Nicarágua)

– Costas Takkas (dirigente da Concacaf)

– Rafael Esquivel (presidente da Federação Venezuelana e membro do comitê executivo da Conmebol)

– Eugenio Figueiredo (vice-presidente da Fifa e ex-presidente da Conmebol e da federação uruguaia)

Os outros sete indiciados pela operação são Nicolás Leoz (ex-presidente da Conmebol), os executivos de marketing esportivo Alejandro Burzaco, Aaron Davidson, Hugo Jinkis e Mariano Jinkis, além do brasileiro José Margulies, que seria o intermediário responsável por facilitar os pagamentos ilegais. Todos também tiveram seus pedidos de prisão decretados pela Justiça norte-americana.

Além dos indiciados nesta quarta-feira, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ainda aponta outros envolvidos no esquema e que já teriam admitido culpa durante a investigação. Entre eles está o empresário brasileiro J. Hawilla, da empresa de marketing esportivo Traffic, que se comprometeu a devolver US$ 151 milhões.

As Copas de 2018 e 2022 podem mudar de país?

A Fifa anunciou que Rússia e Qatar seguem mantidos como sedes das próximas Copas do Mundo. Porém, autoridades suíças apreenderam documentos e computadores na sede da Fifa em busca de indícios de irregularidades na escolha dos dois países para abrigar os Mundiais de 2018 e 2022.

Romário comemora prisão de Marin: 'início de grande futuro para futebol'

Opositor declarado dos gestores da CBF, o senador Romário comemorou nesta quarta-feira (27) a prisão do ex-presidente da entidade máxima do futebol brasileiro, José Maria Marin, na Suíça. Romário declarou nesta manhã que "lugar de ladrão é na cadeia" e afirmou que Marin é um "dos maiores corruptos do futebol".

"Muitos corruptos e ladrões foram presos na Suíça, inclusive um dos maiores: José Maria Marin", disse Romário, em audiência pública no Senado. "Quero parabenizar o FBI. Essa prisão é o início de um grande futuro para o futebol."

Romário declarou que espera que as investigações atinjam também o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e mude inclusive os rumos da eleição para a presidência da entidade, marcada para sexta-feira. Afirmou ainda que as investigações também precisam avançar sobre o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, o qual Romário chamou de ladrão, safado e ordinário.

"Espero que a investigação que repercuta definitivamente limpar o futebol desses corruptos, como Marco Polo del Nero", disse ele. "A situação do futebol brasileiro é culpa dessas pessoas, que não estão nem um pouco interessadas em ajudar. Só pensam no dinheiro."

Del Nero, até agora, não foi citado na investigação que resultado na detenção de Marin. O ex-presidente da CBF foi preso em um hotel cinco estrelas de Zurique, junto com outros seis dirigentes ligados à Fifa.

Nesta manhã, o movimento de atletas Bom Senso FC pronunciou-se em redes sociais sobre as prisões. O grupo declarou que o fato é mais um sinal de que o futebol brasileiro clama por mudanças. Questionou ainda o que mais precisa acontecer para que haja mais democracia nas entidades ligadas ao esporte.

"Nunca tivemos um cenário tão forte para mudanças: 7×1 na Copa, vice-presidente da CBF preso, clubes endividados. O que precisa mais?", declarou o Bom Senso. "O Futebol brasileiro clama por mudanças."

A repercussão no Twitter

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