Um time limitado e medroso

Um time limitado e medroso

Cristóvão está se mostrando um técnico tão limitado quanto o elenco que dirige. Há cinco meses no Bahia, o treinador montou rapidamente o esquema tático do time, deu padrão de jogo e… parou por aí. Da vitória de 3×0 contra o Flamengo, no dia 31 de julho, pela 10ª rodada – quando o time conseguiu colocar em prática a filosofia de defender e atacar em bloco e dos volantes participarem das ações ofensivas – até o empate de ontem, contra o Atlético-PR, nada evoluiu. Nem o time, nem a maneira de jogar, nem o treinador.

O Bahia é um time com padrão de jogo, mas de uma nota só. E preocupa ainda mais perceber que se esse diagnóstico fosse feito há um mês, dois ou três, estaria atual até hoje.

O time não cria, toma sufoco em casa, tem dificuldade também quando os adversários estão com jogador a menos. Lomba sempre salva, Madson quase sempre joga mal (ontem estava bem), Rafael Miranda ou seja quem for o volante da direita nada produz, Fernandão (ou seja quem for o centroavante) sempre tem que se virar pra receber uma bola em posição de finalizar. E não há uma variação de estratégia durante a partida. Não há uma substituição que dê mais velocidade, ou mais drible, ou mais talento. 

O elenco é limitado demais, sem dúvida. Mas isso não diminui o peso de Cristóvão nas escolhas que faz. Há um, dois ou três meses, as substituições do treinador são tirar Madson e improvisar Fabrício Lusa, que é lento e também não sabe cruzar, trocar um volante por outro, um ponta por outro e afins. Cristóvão, na maioria das partidas, é um técnico medroso.

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O Bahia tem sempre três volantes, três atacantes e um buraco no lugar onde deveria ter alguém para receber a bola do volante e dar no pé do atacante. O time é estimulado a jogar pelos lados, não para frente. Defende com dez, ataca com dois. O Bahia, na maioria das partidas, é um time medroso. Primeiro não quer perder; depois quer ganhar.

Ciente das limitações do elenco, Cristóvão foi muito infeliz ao acreditar que no seu esquema de jogo não há lugar para um camisa 10 típico e que por isso não precisava contratar um meia-atacante que jogasse centralizado e invadisse a área adversária – ao menos para o banco. Ele contou isso um dia após o 3×0 no Flamengo que colocou o tricolor no G-4, em entrevista na redação do CORREIO. Cristóvão superestimou suas convicções, assim como superestimou Hélder. Ignorou que sempre há lugar para o talento, ainda mais num time com tão pouco talento como este do Bahia. Só determinação e disciplina tática não resistem a 38 rodadas. As diretorias (antiga e nova) fizeram ainda pior, pois deixaram a montagem do elenco refletir a escolha do treinador.

Apesar de todos os problemas, e de ter deixado escapar a vitória em casa mais uma vez, o empate de ontem afastou o Bahia da zona de rebaixamento. A distância, de três pontos antes da rodada começar, aumentou para quatro. Mas ainda há muito perigo. Nas sete rodadas finais, o Esquadrão fará só três jogos em casa. O Vasco fará quatro, inclusive os próximos dois, contra Coritiba e Santos. A Ponte Preta, que agora é a 17ª colocada, também só jogará três em casa.

NEYMAR

Primeiro clássico contra o Real Madrid, um gol e uma assistência na vitória do Barcelona por 2×1. Para os que adoram falar mal de Neymar, ele deu mais uma prova do grande jogador que é e da estrela que tem. Vão dizer o que agora?


Fonte: Herbem Gramacho – Correio