O clima de mistério tem feito parte da rotina do Bahia nos últimos dias. Na semana que antecede o clássico contra o Vitória, partida válida pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Tricolor teve três treinamentos fechados para a imprensa e terá mais um no próximo sábado, na véspera do jogo. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira, o técnico Jorginho manteve a postura de poucas informações sobre o seu time e afirmou que ainda não definiu a equipe titular.

- Claro que a gente vem treinando essa semana com algumas possibilidades, e vou estar definindo isso de hoje para amanhã. Com certeza não vou passar isso hoje. Tenho uma ideia do que penso para esse jogo. É um jogo difícil, especial – disse Jorginho.

Entre as dúvidas sobre o time titular do Bahia para domingo está a presença do meia Régis. Embora destaque a capacidade técnica do jogador, Jorginho pondera se o meia terá condição física de suportar a intensidade do clássico. Por isso, o treinador não descarta manter Vinicius na equipe principal.

- Técnica, nunca, de forma nenhuma [será o motivo de Régis no banco de reservas]. Um jogador muito qualificado tecnicamente, um dos mais qualificados dessa equipe. A única preocupação é justamente o tempo que ele ficou parado e a intensidade que será esse jogo. Não decidimos em relação a isso. Tem possibilidade dele jogar e do Vinicius começar o jogo. Vamos estar observando o treinamento. É, para mim, um bom problema ter jogadores desse nível. Qualquer um que entrar vai ter um grande desempenho – afirma Jorginho.

Se não falou muito sobre o seu time, Jorginho comentou sobre uma das preocupações com o rival de domingo. Para o treinador, a equipe tricolor tem que tomar cuidado com a velocidade dos jogadores adversários.

- Tudo aquilo que falar aqui, vou falar quais são as nossas preocupações. É uma equipe que está em uma situação, assim como a gente, com condição de sair. É uma equipe bastante veloz. Sei o quanto eles têm jogadores de velocidade. Não gosto de citar nomes, porque uma equipe é formada por vários jogadores. Estamos atentos, o DADE tem nos ajudado. Com certeza a gente está montando uma estratégia para surpreendê-los.

O Bahia enfrenta o Vitória às 16h (horário de Brasília) de domingo, no Barradão. Com dez pontos conquistados em dez partidas no Brasileirão, o Tricolor a 17ª posição, abrindo a zona de rebaixamento. O adversário de domingo aparece logo atrás, com 8 pontos, no 18º lugar.

Confira outros trechos da entrevista coletiva do técnico Jorginho:

Semana cheia
- Foi uma boa semana. Estamos tendo esse tempo para trabalhar muito a parte tática, a organização defensiva, ofensiva, todos os momentos que a gente imagina que acontece no jogo, como transição ofensiva. Tudo isso a gente está tendo a oportunidade de rever, conversar, organizar. Vejo o Bahia muito bem organizado taticamente. Nossa equipe, infelizmente, não conseguiu bons resultados nos últimos jogos, inclusive, sendo superior aos adversários. No último jogo, contra o Flamengo, tivemos uma partida muito boa, tomando um gol por acaso, em um chute despretensioso. Essa semana a gente deu uma ênfase maior à organização tática da equipe.

Primeiro Ba-Vi
- A gente sabe muito bem o que representa um jogo como esse. Participei de vários Fla-Flu's, Vasco e Flamengo, também pelo lado do Fluminense. Trabalhei no São Paulo, joguei vários jogos assim, importantes. A gente sabe a importância que tem esse jogo, o quanto a rivalidade é importante. Ter um triunfo nesse jogo é fundamental. O [Alexandre] Gallo é um amigo, mas a gente sabe que nesse momento se torna adversário, mas não inimigo.

Importância de os times ficarem na Série A
- Para o estado é fundamental, para a cidade é muito importante, porque são os dois maiores clubes daqui. É ruim para o futebol ter o Ba-Vi fora da Primeira Divisão. É ruim. A gente sabe o quanto representa. O Bahia é campeão duas vezes em edições do Brasileiro. Essas equipes não podem ficar de fora. Com certeza empobrece o Campeonato Brasileiro.

Objetivo: marcar gols
- Se a gente fizer um apanhado de forma geral, normalmente é nos momentos de relaxamento que acontecem os gols, final do primeiro tempo, final do segundo tempo. Não é uma característica nossa. A gente tem que se caracterizar como uma equipe que faz muitos gols. A gente trabalhou muito a finalização, penetração. São situações que a gente precisa finalizar. Os jogadores têm que ter fome. O atacante, seja ele de área ou não, precisa te fome de gol. Ele não pode passar um jogo sem ter fome de gol.

Mudanças
- Quando não acontecem os triunfos, precisamos estar muito atentos. Se preciso, se necessária for a mudança, ela será feita. A gente não pode estar acostumado com a situação. Na conclusão a gente precisa melhorar.

Torcida única
- É lamentável o que tem se passado no futebol brasileiro... Nunca encaro a questão do torcedor, mas do ser humano. Tem um ser humano ali, e quando a gente vê aquelas cenas como aconteceu com o Coritiba e Corinthians, é lamentável. Nossas leis são muito frouxas. São as leis do país, não só do torcedor. Tem que ser severa. É inadmissível uma torcida apaixonada como a do Bahia ficar de fora. É uma questão de falta de punição. O bandido tem que ser punido, ir para a cadeia.

Apoio psicológico
- O torcedor do Bahia é apaixonado. É a maior torcida da Bahia. A gente sabe que vão estar apoiando a gente, e por mais que a gente saiba que há influência do torcedor no estádio, ele não pode entrar em campo. É preparar a questão psicológica dos atletas, dizer que são 11 contra 11.

Fundamentos trabalhados na semana
- Trabalhamos muito, mas a gente não sofreu muito com transição defensiva. Sofremos com bolas paradas, com tomadas de decisão. A gente trabalhou bastante isso para que não aconteça.

Fonte: Globo Esporte