Charles Fabian refuta problema com atletas e promete mudanças no Bahia

Substituto de Sérgio Soares é apresentado no Fazendão e traça planos para consegui o acesso do Bahia para a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro

Quando a efetivação de Charles Fabian foi anunciada pela diretoria do Bahia, a torcida logo comemorou a decisão. Mas, ao mesmo tempo, os tricolores ligaram um alerta. Isso por causa da lembrança das duras críticas que o treinador fez a alguns jogadores quando assumiu a equipe no final do ano passado. Como alguns atletas permanecem no Fazendão, levantou-se a possibilidade de os fantasmas do passado assombrarem o relacionamento entre técnico e elenco.

Entretanto, Charles Fabian não demonstrou qualquer tipo de preocupação com isso. Em sua primeira coletiva como treinador do Bahia, ele descartou ter problemas com os jogadores.

- Eu não conversei e não vou conversar, porque não tenho problema com ninguém. Tenho que viver o presente, não o passado. Quem vive de passado é o museu. Tenho que trabalhar para colocar o Bahia onde nunca deveria ter saído, que é a Primeira Divisão - afirmou.

Novo treinador do Bahia foi apresentado na manhã desta quinta-feira, no Fazendão (Foto: Divulgação/E.C. Bahia)

O treinador ainda adiantou que fará mudanças no time. O Bahia só volta a campo no dia 17 e, até lá, ele tem mais de uma semana para ajustar a equipe da maneira que mais lhe agrada.

- Quando se faz mudança no comando técnico ou qualquer setor, espera que alguma coisa mude. Se vai mudar escalação, atitude, comportamento, sistema tático, alguma coisa tem que mudar. Eu penso dessa forma. O Sérgio trabalhava de uma forma, eu de outra. A filosofia é a mesma, de trabalho, mas o pensamento sobre o futebol é outro. Futebol é assim. Tem duzentos milhões de brasileiros que pensam futebol de forma diferente. Não vai haver consenso sempre. Quando se muda treinador, se mudam algumas situações. Gosto de uma forma que a equipe joga de uma forma bastante intenso. Tenho muito tempo para analisar direitinho adversário, equipe. Isso, com certeza, vai ser mudado. Não tenho dúvida nenhuma que vai ser equipe diferente - disse.

Confira outros trechos da entrevista coletiva de Charles Fabian

RECADO PARA A TORCIDA

- Queria reforçar uma mensagem que eu queria deixar para o torcedor. Se pegar o torcedor mais fanático do Bahia ele não vai ser mais fanático que o presidente Marcelo Sant’Ana. O que ele quer, o presidente quer, é o que eu quero, que é colocar o Bahia na Primeira Divisão. O trabalho que está sendo feito aqui, com fé em Deus estaremos comemorando o título no dia 28 de dezembro. Tenho certeza que o torcedor vai lotar a Fonte Nova, vai nos incentivar e colocar o Bahia na Primeira Divisão.

REUNIÃO COM O GRUPO

- Os meus conceitos no futebol continuam os mesmos, as mesmas ideias, condução do grupo, forma de jogar. É a forma que eu penso de jogar. Meu contato com os atletas foi bom. Convivo com eles diariamente. O que vai mudar é minha função. Essa relação é muito próxima, muitos são garotos que trabalham há dois anos comigo. O futebol é gostoso porque você estreia os laços rapidinho. O vocabulário do futebol é universal. A relação é muito gostosa. Fui reapresentado, só mudei de função.

PROBLEMAS COM O GRUPO

- Desafio qualquer um de vocês a mostrar qualquer matéria citando qualquer jogador. Vocês estão deduzindo jogador. Ninguém trabalha com dedução. Eu não citei nome de ninguém. De minha boca vocês nunca ouviram. Esse assunto está enterrado. Nós estamos num momento em empate com quarto colocado. Em oito jogos, nós temos quatro na Fonte Nova, nós temos possibilidade de conseguir o acesso. De todas as vezes que assumi i Bahia, essa é a vez que me senti mais prestigiado porque fui colocado em um momento do clube que pode conseguir acesso. Em outras vezes foi para apagar incêndio. Estamos com 48 pontos, junto com quarto colocado. Temos que esquecer tudo que aconteceu, temos que viver o dia a dia, pensar no próximo jogo. É assim que se trabalha o futebol, não pensando no que aconteceu lá atrás.

TRABALHO DE SÉRGIO SOARES

- Eu não estou aqui para analisar o trabalho que Sérgio fez, se deu certo ou errado. Ele é extremamente competente. Só que o profissional tem sua forma de trabalhar e tem que ser respeitada. Daqui a pouco eu vou ser questionado também. Eu poderia continuar como auxiliar, sem cobrança. Eu me senti na obrigação, o time está confiando em mim, a torcida com 80% de aprovação. Temos que valorizar os profissionais, ele é um grande profissional. Essa é a oportunidade da minha vida se eu quero seguir como treinador. Por ter certeza quer vou dar de tudo, especialmente por ser o clube do meu coração.

APRENDIZADO

- Existem algumas coisas no Brasil, [que se critica] que o treinador faz trabalho repetido. Fiquei 15 dias na Alemanha e vi fazerem o mesmo trabalho todo o dia. Futebol, para mim, é repetição. Acredito na continuidade. Isso é uma cosia que o brasileiro critica muito, que faz trabalho repetitivo. E lá eu vi isso. O futebol não tem mistério. Tem que implementar a filosofia da forma que você gosta. Tem que ser um bom vendedor para que os jogadores comprem a minha ideia. É um trabalho de repetição, de todos os dias estar conversando com os jogadores. Acredito muito nisso.

MOMENTO DO JOGADOR

- Para mim, independente de idade, o cara tem que ter potencial. Se ele tem potencial, pode ter 10, 40 anos, ele tem que jogar. Primeiro se define o sistema, depois se idealiza os jogadores que têm que encaixar naquele sistema. O importante para mim é o potencial e a qualidade que o jogador demonstra. Principalmente para mim, que conheço os jogadores que estão no profissional. Eu conheço os atletas, sei o que pode render. Os que estão chegando podem render, mas você não conhece bem. No futebol, é importante ter a mescla entre jogadores experientes e jovens. Duvido que um time brasileiro tenha tido tanta oportunidade como esse ano no Bahia. Coragem da diretoria, do treinador Sérgio. A relação base e profissional é muito estreita porque não existe. O futuro desse time é a base. Nós temos que conciliar.

ALEXANDRO

- Conheço da base, jogador de boa velocidade, que é muito inteligente, de beirada. Trabalhou comigo no sub-20 e vejo a possibilidade de ele nos ajudar.

AUXILIAR

- Ontem, quando o presidente me chamou para conversar, foi [citada] a possibilidade de se eu queria alguém [para ser auxiliar]. O grupo do Bahia que se formou lá em janeiro, de comissão técnica, jogadores, tem uma sintonia muito forte. Eu não senti a possibilidade de ter alguém, trazer alguém para o nosso contexto que não participou desse momento. Vai chegar uma pessoa, viver cinquenta dias, e presenciar o nosso acesso. Quero Luis Lubel, que é do Dade, e Aroldo Moreira. O nosso grupo é muito fechado, muito unido. Talvez tenha uma das melhores relações que eu tenha visto aqui. Vamos subir com quem está aqui. Isso eu acho muito importante.