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A lei da oferta do espetáculo

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A lei da oferta do espetáculo

O torcedor baiano sempre se notabilizou como um dos mais fieis do Brasil. O Bahia, no final da década de 1980, tornou-se integrante do Clube dos 13 muito em virtude de suas médias de público em nacionais. Uma década antes, dirigentes dos times do centro-sul do país lamentavam quando a dupla Ba-Vi era eliminada precocemente do Brasileirão, já que a Fonte Nova sempre andava lotada nas fases decisivas e o vencedor da partida levava maior parte da renda. Porém, nas últimas temporadas, os números têm sido decepcionantes e o cidadão soteropolitano, sobretudo, tem se desinteressado em ir aos estádios da capital.

As novas arenas, legados da Copa e que servem de subterfúgio para justificar preços altos nos ingressos e, consequentemente, a fuga de torcedores, não são desculpas. O Vitória, que não possui um estádio padrão FIFA, tem o ticket médio de R$ 14,23 – menor da Série A, mas tem média de público de 8.473 pagantes por jogo, só superando Goiás, Figueirense e Atlético-PR. Mesmo voltando ao Barradão, o time não conseguiu elevar seus números e, apesar de ter um estádio próprio, é o clube que menos arrecadou com bilheteria no Brasileirão até então: pouco mais de R$ 1,2 milhão. O Corinthians, que assumiu o comando de sua arena em definitivo após a Copa, já gerou mais de R$ 20 milhões em receitas com ingressos na competição.

O Bahia, preso a um modelo de contrato que privilegia muito mais o locador, não consegue alavancar seus números de bilheteria na Fonte Nova. No Brasileirão, tem ticket médio de

R$ 28,54, o dobro de seu maior rival e o 10º mais alto da Série A, mas arrecadou R$ 2,9 milhões, menos que Sport e Goiás, por exemplo. O acordo com o consórcio deixa o gerenciamento dos bilhetes nas mãos da Arena e a diretoria tem pouca autonomia na decisão. A tentativa de se criar setores com vendas de ingressos populares não deu certo e a média é de 10.489 por partida. Em 2009, quando estava na Série B e lutou contra o rebaixamento, o Bahia teve média de 13.356 pagantes em Pituaçu. Para piorar, muitos jogos na Fonte têm dado prejuízo à parceria. No confronto contra o Goiás, em agosto, o borderô registrou R$ 3.922,41 negativos.

Os dois times estão na zona de rebaixamento, o que justifica as baixas médias de público. A qualidade do espetáculo é inversamente proporcional ao interesse dos torcedores, que cada vez menos adotam os planos de sócios e cada vez mais correm para os planos de TV por assinatura. Neste momento da competição, logicamente que o ideal é reduzir drasticamente os preços dos ingressos, motivar a torcida a apoiar o time num momento ruim e criar uma atmosfera favorável na fuga do rebaixamento. No entanto, já ficou provado que a lei da oferta e da demanda não tem funcionado no futebol baiano. Torcedor quer jogo de qualidade.

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