‘Ferro na boneca, Adelaide!’: Morre França Teixeira

Morre França Teixeira, conselheiro do TCE e comunicador de sucesso nos anos 60 e 70

França Teixeira tornou famosa a seguinte frase: "É ferro na boneca, minha cara e nobre família baiana"

França Teixeira deixou o TCE no mês de março de 2013

 


Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antônio França Teixeira faleceu na manhã desta quinta-feira (18), em Salvador. O velório está marcado para às 15h, no Jardim da Saudade. O corpo do comunicador será cremado às 10h desta sexta. Destaque nos anos 60 e 70, França atuou em rádio, televisão e mídia impressa. Também foi deputado federal e candidato a prefeito da capital baiana. Criador do bordão "É ferro na boneca, minha cara e nobre família baiana", se reconhecia como vanguardista e marcou uma era da comunicação no estado.

Fora do TCE desde o dia 1º de março, quando se aposentou, França Teixeira passou mais de 20 anos como conselheiro do tribunal. Em longa entrevista concedida ao iBahia no ano de 2011, o comunicador mostrou seu lado irreverente e revelou viver de forma reclusa na capital. Torcedor do Ypiranga, segundo ele mesmo, começou na rádio falando de esporte e comandou uma das mais famosas resenhas esportivas da Bahia, a "Resenha do Meio-Dia", na Rádio Cultura da Bahia. Depois, passou a trabalhar com diversos assuntos.

Criado no bairro da Liberdade, França Teixeira não se mostrava satisfeito com a vida que levou. Não que lamentasse o que fez ou deixou de fazer, mas por achar que sempre podia fazer algo mais. "Muita aventura, muita vida, meu amigo. Eu acho que quando você se considerar um homem realizado, você será um homem frustrado. Nunca se considere realizado, tem sempre alguma coisa por fazer. Sempre, sempre, sempre".

História contada por França Teixeira: iBahia revela o dia em que o Tricolor 'contratou' o Rei Pelé


O dia em que o Tricolor 'contratou' o Rei Pelé

Confira uma história curiosa e inédita da rádio baiana e entenda como o Rei do Futebol "quase vestiu" a camisa do Tricolor

Imagine Messi no Bahia. Se a notícia de que o argentino trocou o Barça pelo Tricolor fosse anunciada no principal programa esportivo do Estado, certamente a reação dos torcedores seria de incredulidade. Quais razões fariam o melhor jogador do mundo deixar a melhor equipe do mundo para desembarcar em solo soteropolitano e se arriscar nas pelejas pelo Baianão, Copa do Brasil e Brasileirão? Pois é. O iBahia Esportes foi atrás e descobriu que, nos anos 70, isso aconteceu com o atleta do século XX. Pelé, ídolo do Santos e da Seleção Brasileira, foi "contratado" pelo Esquadrão de Aço e a galera botou fé. Essa é a história de uma mentira que aconteceu de verdade.

Tudo se passou na "Resenha do Meio-Dia", programa de sucesso comandado por França Teixeira, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), na Rádio Cultura da Bahia entre os anos 60 e 70. O ex-radialista lembra bem do fato curioso, mas não vê nada demais. "Rapaz, muita gente me pergunta isso. Foi uma coisa que pintou do nada. Isso era xoxo, tinha coisa melhor", afirmou em bate-papo com o iBahia Esportes, sem se recusar a contar o 'causo', vez ou outra lembrado nos bastidores da crônica esportiva pelos que estão há muito tempo trabalhando com a cobertura do futebol pela Bahia.

Ilustração feita por Francisco Soza (sozacaricaturas.blogspot.com) em 2001, pintada com tinta acrílica sobre cartão

"Foi por telefone. Dizia que o Bahia ia contratar Pelé e tínhamos combinado com o negão, e o negão disse que tava já mantendo as negociações com o amigo dele Osório (Vilas Boas, ex-presidente do Bahia). A gente armou tudo com ele. Ele era ótimo. Era não, ele é ótimo", recorda Teixeira, aos risos, equivocando-se apenas no nome do presidente da época. O empresário carioca já falecido Alfredo Saad, amigo de Pelé, é que era o mandatário do Tricolor quando a brincadeira foi feita. Ele presidiu o clube de 1970 até o início de 1971, logo após a saída de Osório Vilas Boas. França Teixeira ainda fez mais para aumentar a "veracidade" da história. Colocou até Athiê Jorge Coury, presidente do Santos entre 1945 e 1971, para falar ao vivo.

Quem confirma a história é o próprio Rei do Futebol, tricampeão do mundo, que foi disputado por clubes europeus como Real Madrid e Juventus, mas só deixou o Santos para encerrar a carreira no Cosmos, dos Estados Unidos. "Na verdade, foi uma brincadeira que nós fizemos, porque eu estava sempre na Bahia nessa época. Eu tinha um sócio que também foi presidente do Bahia, o Sr. Alfredo Saad, que já faleceu e até hoje a sua esposa Margarida é minha grande amiga e mora na Bahia. Eu amo a Bahia e tenho muitos amigos baianos e tenho mil histórias como esta para contar. Envie um abraço a todos os meus irmãos baianos", respondeu à reportagem do iBahia Esportes, por email, quando perguntado sobre a veracidade da mentira.


 

<<— "Foi uma brincadeira que nós fizemos, porque eu estava sempre na Bahia nessa época", diz Pelé >>


Segundo França Teixeira, a proximidade que ele tinha com Pelé também ajudou na hora de armar a história. "A gente ia para Ilhéus. Ele gostava muito de Ilhéus. Um detalhe que muita gente não pergunta. Ele gosta muito de Ilhéus. Ele achava assim um lugar agradável", revela o conselheiro do TCE, que explica os detalhes da história da "contratação" do Rei pelo Bahia.

"A gente armou tudo com ele (Pelé)", conta França

"Surgiu a ideia. Eu digo: 'Pelé, eu vou ligar para você em Santos ou em qualquer lugar, vou te localizar. Todo mundo tá dizendo, querendo que você arme um negócio que veio pro Bahia'. Aí ele: 'como é que eu vou pro Bahia, rapaz?'. 'Diga isso, rapaz', eu falei. Armamos aqui a resenha no dia, ele já tava no telefone, já avisado. 'Realmente, eu estou em adiantada conversações com o meu amigo Osório (na verdade, Saad)'. E aí falou com um convencimento arretado e o povo acabou acreditando que ele vinha mesmo para o Bahia", conta o ex-radialista, vermelho de rir.

Como a "Resenha do Meio-Dia" tinha um grande público, a "notícia" logo se espalhou e os torcedores do Bahia empolgavam-se com a possibilidade de contar com o melhor atleta de todos os tempos no clube. Mas e aí, como voltar atrás e dizer que tudo não passou de uma brincadeira, França? "Pra desfazer depois tivemos que dizer que era primeiro de abril sem ser primeiro de abril", diz. Já pensou Pelé no Bahia?

Nota pé – Difícil apontar com exatidão quando aconteceu toda "brincadeira" de França Teixeira e Pelé. As fontes que colaboraram com a matéria mantêm viva na lembrança os acontecimentos, mas encontram dificuldade na hora de dizer a data. O experiente José Ataíde contou o causo do rádio baiano para Paulo César Gomes, apresentador do CBN Salvador Esportes (rádio CBN Salvador 100,7 FM), programa do qual o repórter que vos escreve participa de segunda a sábado ao lado do editor de esporte do portal Rafael Sena.

"O ano foi o ano que o Santos jogou em Ilhéus. Aliás, o Santos jogava muito em Ilhéus", contou França Teixeira. Assim como ele, Ataíde e Pelé não recordaram o momento exato da história. Quem chegou mais perto foi Jorge Catugy, que atualmente trabalha nas rádios Tudo FM e Crystal. Procurado por nosso amigo Paulo César Gomes, ele recordou que a história aconteceu em 1971. Agradecimentos também ao ilustrador Francisco Soza (veja o blog dele), que nos cedeu o direito de reproduzir sua arte com a figura de Pelé vestindo o manto tricolor.


Tabela interativa da Série A com atualização online


Fonte: Hailton Andrade – iBahia

Fotos e imagens: Rafael Sena – iBahia.com – sozacaricaturas