Humildade

Humildade, Baêa: ponto forte do 'novo Tricolor' é reconhecer suas limitações

Cristóvão encaixou os três volantes e, ao mesmo tempo, fez o time criar boas oportunidades na frente

Futebol é assim. O Bahia nunca havia vencido o Internacional como visitante em Campeonatos Brasileiros. Em 17 jogos, foram cinco empates e 12 derrotas, com 10 gols marcados e 31 sofridos. Ainda bem que o mundo da bola sempre uma nova oportunidade. Sem estrelas e com muita vontade de vencer, o time de Cristóvão Borges entrou em campo determinado a sair com os três pontos do estádio Centenário, em Caxias do Sul. É clara a evolução da equipe com a chegada do novo treinador no Fazendão. Trabalho é a palavra de ordem neste grupo.

Diones (5), Hélder, Marquinhos (10), Fernandão, Ryder (11) e Madson (2). Esse é o Bahia que a torcida se acostumou após a chegada de Cristóvão

Com Cristóvão, joga quem está melhor e ponto final. Se Obina insiste em permanecer fora do peso ideal e Souza, com pouco compromisso, continua nas baladas da vida, melhor para o humilde Fernandão. O camisa 9 chegou de mansinho e com muita força de vontade conquistou o respeito dos torcedores tricolores. Mesmo com o clube em crise fora de campo, duvido alguém ousar a falar mal do centroavante. Tímido e distante dos microfones, Fernandão mostrou o que a maioria dos jogadores deveriam fazer. Calar a boca e jogar futebol.

O ponto positivo desse novo Bahia é saber das suas limitações. Cristóvão encaixou os três volantes e, ao mesmo tempo, fez o time criar boas oportunidades na frente. Se falta qualidade para concluir, isso é outra história. pra comemorar, porém, a atitude de garotos como Marquinhos Gabriel e Ryder. É prestar atenção. A dupla sempre vai pra cima, de forma vertical, sem toquinhos de lado. O time erra por falta de qualidade, mas não por omissão dos seus jogadores. “O trabalho foi focado nisso: uma equipe que jogue e marque com eficiência também”, destacou o volante Hélder, um dos que ainda estão longe de render o esperado.

Assim como ele, atletas como os laterais Madson e Jussandro, e os volantes Fahel e Diones, devem boas apresentações. O mais importante, agora, é que a diretoria não ache que tudo está lindo, por causa de um triunfo. Falta muita coisa, afinal, não pra ficar satisfeito em fugir do rebaixamento. Desde que retornou à elite do futebol brasileiro, na temporada 2011, essa é a melhor posição do Bahia. Um 10º lugar para ser pensado com calma. Restam 35 rodadas… Existe elenco pra suportar essa parada duríssima? Não, é óbvio que não. Na hora que o bicho pegar de verdade, Potita não vai poder resolver. Ítalo Melo não será o salvador da pátria, assim como Rafael Donato não vai manter o nível de Lucas Fonseca na zaga. Reforços, sim. Apostas, não.

O torcedor azul, vermelho e branco, por sua vez, não deve parar de buscar os seus direitos. Se o público zero é a melhor solução, que sigam assim. A galera só cobra um pouquinho de profissionalismo e transparência da diretoria, principalmente do contraditório presidente Marcelo Guimarães Filho. Newton Mota, segundo o próprio dirigente, tinha bons resultados. De um dia para o outro, foi demitido. Funcionários e jogadores estão sem receber salário faz dois meses. Isso é gestão? A melhora em campo alivia os corações da sofrida torcida, mas não cala àqueles que desejam, de verdade, ver o Bahia como um clube grande do futebol brasileiro. Vencer o Inter de 2×1 deveria ser normal. 
Deveria…

Fonte: Miro Palma para o Esportes/correio da Bahia em 03/06/2013

Foto: Correio da Bahia