Nas mãos da Justiça

Jornal da Metrópole: À espera da Justiça

Desde que surgiram as últimas manifestações contra sua administração, o presidente do Esporte Clube Bahia, Marcelo Guimarães Filho, declarou diversas vezes que não vai renunciar ao cargo. No entanto, ele pode ser forçado a deixar o clube na próxima semana. A desembargadora Lisbete Maria de Almeida César Santos, da 2ª Câmara Cível, está analisando uma ação movida pelo ex-conselheiro Jorge Maia e a decisão deve ser divulgada nos próximos dias.

Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a desembargadora está consultando um outro processo antigo que envolve o presidente do clube. Essa não é a primeira vez que a Justiça intervém para que Marcelinho deixe o cargo. No ano passado, ele e toda a diretoria foram afastados do clube por determinação do juiz Paulo Albiani Alves, que suspendeu a eleição presidencial ocorrida no ano anterior. 

A medida, porém, foi logo anulada por uma liminar. Agora vai ser diferente?

"Renovação efetiva" com intervenção

A ação que está sendo analisada alega que houve erros na constituição do Conselho Deliberativo do clube, que possui 300 integrantes – e, como mostrou a última edição do Jornal da Metrópole, tem pouca atuação perante as decisões que envolvem o futuro do time Além disso, o processo aponta erros na última eleição. 

O movimento Revolução Tricolor, formado por sócios e torcedores do clube, divulgou uma carta aberta apoiando a intervenção.

"O torcedor do Bahia que hoje se sente órfão, em meio à turbulência dos desmandos e da incompetência, tem no seu horizonte um futuro mais próspero que se desenha com a renovação efetiva que pode vir desta intervenção", diz o texto.

Marcelinho se defende

Em um comunicado oficial divulgado nesta semana,  Marcelo Guimarães Filho afirma que algumas mudanças no clube estão em andamento antes mesmo das últimas manifestações, como o movimento Bahia da Torcida.

"As críticas ultrapassaram os limites do futebol e uma parte dos torcedores, que tem interesses políticos em relação ao clube – nada contra eles, que é assim que se chega à presidência -, passou a reivindicar outros pontos, alguns dos quais estavam em andamento, como a reformulação do departamento de marketing", escreveu.

Sócio poderá votar, diz presidente

Uma das reivindicações dos torcedores é poder participar mais ativamente do clube e interferir nas decisões. No comunicado, o presidente afirma que isso está próximo de acontecer, caso o torcedor se torne sócio patrimonial. 

"A partir desta semana, o torcedor que deseja participar da vida política do clube também vai encontrar no site um link através do qual ele poderá tornar-se sócio patrimonial. De acordo com o estatuto em vigor, após 12 meses como sócio patrimonial, o torcedor, estando em dia com suas obrigações para com a instituição, tem o direito de votar nas eleições e escolher o Conselho Deliberativo e o presidente do clube. Depois de 24 meses como sócio patrimonial, ele conquista o direito de ser candidato a conselheiro e a presidente", publicou. 

Marcelinho disse ainda que o clube está mais transparente. "Outro tema que tem sido levantado é o da transparência. Entendo que ainda podemos melhorar nesta área, mas algumas atitudes haviam sido tomadas, como por exemplo, a divulgação do balanço e da lista de Conselheiros e Sócios Patrimoniais que se encontra em nosso site desde o ano passado", afirmou o presidente.

Fonte: por Amanda Palma – Jornal da Metrópole no dia 31/05/2013

Foto: Metropress