Postado por - Newton Duarte

Custo x Benefício: Pelo fator econômico, governo deve salvar clubes de futebol da falência?

Pelo fator econômico, governo deve salvar clubes de futebol da falência?

Parlamentares e o governo federal protagonizaram mais uma disputa na tarde desta quarta-feira sobre a lei das dívidas dos clubes, que, teoricamente, aliviará a situação financeira deles. Há uma resistência do Ministério da Fazenda ao pacote a ponto de o colunista da Veja Lauro Jardim afirmar que, para o ministro Joaquim Levy, os times poderiam falir. Para além do modelo a ser adotado na lei, a questão que se impõe é: vale à pena para o Brasil salvar as equipes de futebol endividadas?

Bem, a importância cultural do futebol para o país e para sua população nos induz a responder que sim. Ninguém quer ver seu time de infância se extinguir. Mas, isolada essa importante questão que deve ser levada em conta, o governo deve ajudar o futebol pela sua importância econômica?

Primeiro, é preciso entender o tamanho da economia do futebol. Estudos diferentes (FGV e Pluri) apontaram percentuais entre 1% e 2% para a participação do esporte no PIB do país. O futebol representaria mais da metade disso, algo como 60%. O setor gera empregos – há estudos que falam em 30 mil postos -, embora isso pudesse ser substituído por outro setor do entretenimento.

Posto tudo na mesa, a considerar esses números mais ou menos corretos, é um setor econômico significativo e que deve ser salvo. O que explica então a resistência do ministro?

Salvo raras exceções, os clubes de futebol e seus cartolas têm uma longa lista de descumprimento às leis do país ao não pagar impostos, realizar transações nebulosas com dinheiro de origem duvidosa, desrespeitar seus empregados com atrasos. Assim, desrespeitam a sociedade como um todo. Será que esse tipo de gestor merece um plano para se reequilibrar financeiramente?

Para mim, a resposta só pode ser positiva se houver uma condicionante. O parcelamento das dívidas fiscais aos clubes deve ocorrer vinculado à regulação do setor para que não ocorram mais os abusos cometidos até aqui. E o que dói para os cartolas são punições no seu bolso ou esportivas, estas previstas na proposta do governo e ignorada pelo projeto da bancada da bola. A discussão continuará no Congresso na próxima semana.

Sem as contrapartidas exigidas pelo governo federal de perda de pontos e rebaixamento por falta de pagamentos, não deve se permitir mais uma benesse fiscal aos clubes de futebol: pode se acelerar execuções sobre eles. Se querem se manter alijados da lei e das boas práticas, escondidos nos subterfúgios da CBF para fingir que algo mudou, os times de futebol e seus dirigentes merecem encarar a falência como prega o ministro mesmo que isso nos doa. Nesta hipótese, é provável que alguns pereçam e a maioria sobreviva com restrições orçamentárias.

Caso decidam se submeter a uma maior controle social – e aqui não se defende agências reguladoras, mas regras rígidas -, os clubes podem ter mais uma chance de parcelar seus débitos a longo prazo, com juros iguais aos dados a outros setores em pacotes fiscais. Mas que os dirigentes lembrem que esta é sua última oportunidade.