Uma hora de Messi é suficiente, e Argentina bate a Nigéria "em casa"
Craque marca dois e é poupado. Com vitória por 3 a 2, hermanos esperam rival das oitavas e só pegam Brasil em eventual final. Nigéria avança
Argentinos invadiram a cidade de Porto Alegre e pintaram o Beira-Rio de azul e branco
Somente uma hora de Messi, e para que mais? Na comemoração atrasada do aniversário de 27 anos, o craque voltou a brilhar, deu à Argentina o primeiro lugar no Grupo F da Copa do Mundo e descansou. De brinde, empatou com Neymar na artilharia do Mundial. Diante de uma multidão de argentinos que invadiu Porto Alegre, Leo fez dois gols, arrancou, driblou, armou e foi o destaque da vitória por 3 a 2 sobre a Nigéria, nesta quarta-feira, no Beira-Rio, no encerramento da primeira fase. Aos 17 do segundo tempo, saiu de campo ovacionado para dar lugar a Ricky Alvarez e se poupar visando às oitavas de final. Rojo marcou o terceiro dos hermanos.
Em meio à empolgação, um alerta: os dois gols de Musa para os nigerianos deixaram claro a fragilidade da defesa argentina. Da linha de quatro, apenas o herói Rojo faz bom Mundial, enquanto Garay, Fede e Zabaleta dão espaços e exibem exageradas doses de insegurança. No ataque, Lavezzi substituiu um lesionado Agüero ainda no primeiro tempo e despontou como boa opção. Di María teve sua melhor atuação na Copa, enquanto Higuaín, apesar da luta e maior movimentação, decepcionou mais uma vez.
A Nigéria, que perdeu para Argentina pela quarta vez nos últimos seis Mundiais, também não tem do que reclamar. Com quatro pontos, contou com a ajuda da Bósnia, que venceu o Irã, e avançou para as oitavas de final. Ambos aguardam a definição do Grupo E para saberem quem enfrentam: França, Suíça, Equador e até Honduras estão na briga. Já se sabe, no entanto, que os hermanos jogam terça-feira, às 13h (de Brasília), na Arena Corinthians, em São Paulo, enquanto os africanos vão ao Mané Garrincha, em Brasília, um dia antes.
Toca para o Messi que é gol
Messi. Uma palavra por si só poderia resumir o primeiro tempo da partida no Beira-Rio. A Argentina jogou melhor do que nos últimos jogos, é verdade. A Nigéria também mostrou seu valor com uma tática clara de explorar os espaços na frágil defesa argentina, não dá para negar. Mas é difícil mudar o assunto quando se tem Messi em campo. Mais do que isso, quando se tem um Messi sedento pelo protagonismo. Aniversariante da véspera, o craque recebeu uma multidão de compatriotas em Porto Alegre e comemorou da maneira que mais gosta: fazendo gols.
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Messi disputa bola com nigerianos |
O relógio apontava pouco mais de dois minutos quando Mascherano encontrou o espaço que tanto faltou diante do Irã. Com um lindo tapa na bola, o volante deixou Di María em boa condição. O jogador do Real Madrid invadiu a área e chutou forte. Enyeama fez boa defesa, mas a bola tocou na trave e sobrou à feição logo para Lionel Messi. Não havia o que fazer. O craque encheu o pé e fez o Beira-Rio explodir. Não demorou muito, porém, para que os argentinos tomassem um banho de realidade: a euforia com o ataque é proporcional à preocupação com a defesa.
Já aos três minutos, os nigerianos aproveitaram a lentidão de Gago no meio-de-campo para puxar um contra-ataque. Como tinha acontecido contra a Bósnia e o Irã, Zabaleta deu espaços às suas costas, onde Musa recebeu, limpou para direita e acertou bonito chute. Romero chegou na bola, mas não conseguiu impedir o gol. Começo de jogo avassalador. A Argentina, por sua vez, era senhora da partida e administrava melhor a posse de bola do que nas rodadas anteriores.
Com maior movimentação, os homens de frente encontravam espaços. Higuaín saía da área e tabelava com facilidade, Di María arrancava e chutava de fora da área. Messi se mexia de tudo quanto é lado, mas Agüero decepcionava. Apático, pouco apareceu, até que caiu em campo queixando-se de uma lesão e deu lugar a Lavezzi. O quadrado mágico virava losango, com o Pocho aberto pela direita e Pipita mais centralizado. Já a Nigéria marcava no campo de defesa e preparava o bote nas costas da defesa. O passe, por sua vez, não era bom.
Em Salvador, a Bósnia abriu vantagem sobre o Irã, e o empate era ótimo para os dois em Porto Alegre: a Argentina era líder, e a Nigéria já tinha a vaga nas oitavas quase garantida. A partida passou a ficar monótona, mas Messi e Di María não queriam que fosse assim. Primeiro, Angelito chutou de fora para boa defesa de Enyeama. Pouco depois, foi o camisa 10 que cobrou falta no ângulo e parou no goleiro. Aos 46, porém, não teve perdão. Messi arrancou, driblou dois e foi derrubado. Nova oportunidade, chute colocado no ângulo e festa: 2 a 1 no Beira-Rio. Na Copa, 4 a 4 entre Messi e Neymar.
Messi comemora um dos gols da Argentina
Defesas vacilam, Argentina vence, e Messi descansa
Na volta do intervalo, os papéis se inverteram em relação à primeira etapa. Foi a Nigéria que logo fez seu gol, mas recebeu o troco praticamente no ataque seguinte. Aos dois minutos, Musa mais uma vez evidenciou a fragilidade da defesa da Argentina. O atacante fez boa tabela com Emenike em cima de Garay, bateu Fede Fernandez sem maiores problemas e deslocou Romero. Igualdade no placar, e igualdade entre Musa e Messi. Mais dois minutos se passaram, e os hermanos voltaram a ficar à frente. Lavezzi cobrou escanteio, a defesa nigeriana mostrou que também sabe falhar, e Rojo escorou no segundo pau.
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Musa comemora gol da Nigeria contra Argentina |
Imparável pelos lados do campo, Lavezzi era quem mantinha a Argentina acesa. Já Messi dava o toque de genialidade. Como armador, o craque deixou Higuaín em boa condição para finalizar, mas Pipita parou em Enyeama. O atacante do Napoli tentava de tudo quanto é jeito acabar com o jejum de gols. A ansiedade, por sua vez, era nítida e as finalizações sem precisão. Na arquibancada, a torcida, que ficou quase todo o primeiro tempo calada, começou a festejar. O repertório vasto de canções passou a ser entoado, até que veio o banho de água fria: Messi deixou o campo.
Com a primeira colocação do grupo praticamente assegurada, Alejandro Sabella pouco se importou com o show, pouco se importou com a festa, e já mirou as oitavas de final. Ovacionado, o craque deu lugar a Ricky Alvarez aos 17. A Argentina perdeu qualidade e intensidade. A partida perdeu muito da graça. Com a vitória da Bósnia sobre o Irã, a Nigéria também não forçava muito e parecia que somente Lavezzi e Di María queriam jogar. Em linda jogada ensaiada em cobrança de falta, Pocho quase marcou o quarto. Merecia pelo que fez na partida.
Os minutos finais do jogo do Beira-Rio foram sem graça, monótonos em campo. Se era assim, a torcida resolveu se divertir. De um lado, os argentinos cantavam que Maradona é maior que Pelé. Do outro, os brasileiros respondiam com gritos de pentacampeão. A disputa ganhou seu terceiro capítulo nas arquibancadas. Em campo, só depois de mais três jogos. Líderes de seus grupos, Brasil e Argentina só se enfrentam em uma possível final, dia 13 de julho, no Maracanã. Até lá, a disputa segue no grito, segue entre Messi e Neymar.
Eneyema observa bela cobrança de falta de Messi no segundo gol argentino
Nigéria 2 x 3 Argentina
Copa do Mundo – Grupo D
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Data: 25 de junho de 2014, terça-feira
Horário: 13 horas (de Brasília)
Árbitro: Nicola Rizzoli, da Itália
Assistentes: Renato Faverani e Andrea Stefani, ambos da Itália
Público: 43.285
Cartão amarelo: Nigéria: Omeruo e Oshaniwa
Gols: Nigéria: Musa 4’ 1º T e 1’ 1º T; Argentina: Messi 2’ e 45’ 1º T, Rojo 4’ 2º T
Nigéria: Enyeama; Ambrose, Omeruo, Yobo e Oshaniwa; Onazi, Obi Mikel, Babatunde (Uchebo), Musa e Odemwingie (Nwofor); Emenike
Técnico: Stephen Keshi
Argentina: Romero; Zabaleta, Garay, Fernández e Rojo Mascherano, Gago e Di María; Messi (Alvarez), Higuaín e Agüero (Lavezzi)
Técnico: Alejandro Sabella
O CARA
Lionel Messi
Como não destacar o camisa 10? Dois gols, chegando a quatro na Copa e se igualando a Neymar na artilharia do torneio. Um deles um belo gol de falta. Foram quatro chutes a gol, sendo três deles no alvo. O futebol da Argentina não é vistoso, nem o funcionamento do time é fantástico, mas Messi é de uma eficiência incrível e, ao mesmo tempo, de uma magia própria. É capaz de tirar chutes decisivos com o menor espaço. Temer Messi é mais do que necessário. É inteligente. Ele é potencialmente o jogador mais decisivo da Copa.
OS GOLS
3’/1T: GOL DA ARGENTINA!
Di María recebeu pela esquerda e chutou, Enyama defendeu, a bola bateu na cabeça do goleiro, na trave, e voltou para o meio da área, Messi apareceu no meio da área para encher o pé e abrir o placar.
4’/1T: GOL DA NIGÉRIA!
Contra-ataque rápido da Nigéria, Babatunde abriu para Musa, na esquerda, que recebeu, puxou para dentro e bateu no canto do goleiro Romero.
47’/1T: GOL DA ARGENTINA!
Cobrança de falta perfeita de Messi, no ângulo. Enyeama só olhou e a bola foi na gaveta. A Argetina fica na frente de novo.
2’/2T: GOL DA NIGÉRIA!
Musa arrancou com a bola, tocou para Emenike, que devolveu para Musa entrar livre dentro da área e tocar para o fundo do gol. É o empate da Nigéria.
5’/2T: GOL DA ARGENTINA!
Cobrança de escanteio do lado esquerdo, Garay tocou de cabeça e Rojo, de joelho, botou para dentro.
A TÁTICA
Nigéria x Argentina

Os dois técnicos resolveram manter seus esquemas táticos da última partida. Keshi manteve a Nigéria com o seu 4-2-3-1, usando muito a velocidade de Musa pelo lado esquerdo e a boa capacidade de segurar a bola de Emenike pelo centro do ataque. Os volantes também tiveram boa atuação com Onazi e Mikel, mas nenhum deles foi capaz de conter Di María, um dos mais importantes do time argentino. A Argentina com Messi como um enganche foi perigosa, mas com a sua saída no segundo tempo, fazendo um 4-4-2, não foi tão perigosa assim.
A ESTATÍSTICA
48
Número de chutes a gol da Argentina na primeira fase da Copa, o maior até aqui entre todas as seleções. A média é de 33,3, o que mostra como o time argentino ao menos chuta a gol. Falta um futebol melhor, mas o time não pode ser acusado de não tentar chutar.
ATUAÇÕES: Messi decide de novo, se torna artilheiro e sai reverenciado
Camisa 10 argentino marca dois gols, comanda vitória sobre a Nigéria e deixa o campo ovacionado. Di María também se destaca, enquanto Enyeama falha em gol adversário

ENYEAMA - GOLEIRO
Falhou no gol de Messi ao não tentar espalmar a bola em um chute que era defensável. Além disso, pareceu inseguro em diversos lances.
Nota: 4,5
AMBROSE - LATERAL-DIREITO
Com papel majoritariamente defensivo, sofreu com a boa atuação de Di María e cochilou na jogada que originou o primeiro gol argentino.
Nota: 5,0
YOBO - ZAGUEIRO
Em seu 100º jogo pela seleção nigeriana, o veterano mostrou segurança e cumpriu bem o papel de anular Higuaín durante todo o jogo e desarmou lances importantes na área.
Nota: 6,5
OSHANIWA - ZAGUEIRO
Atuando mais pelo lado esquerdo da defesa, mostrou-se perdido em muitos lances, principalmente na marcação a Messi, compartilhada por todo o time nigeriano.
Nota: 5,5
OMERUO - LATERAL-ESQUERDO
Trabalhou mais pelo centro da zaga e apareceu bem afastando o perigo em alguns cruzamentos. Porém, cometeu a falta que originou o segundo gol adversário.
Nota: 6,0
ONAZI - VOLANTE
Foi o principal armador nigeriano, iniciando boa parte das jogadas e mostrando segurança em diversos desarmes. Arriscou muitos chutes de fora da área, mas não teve sucesso
Nota: 6,5
OBI MIKEL - VOLANTE
Astro da equipe, esteve apagado e pouco ajudou na construção das jogadas. Defensivamente, fez seu papel.
Nota: 5,5
MUSA - MEIA
O melhor jogador da Nigéria na partida. Apesar de sobrecarregado muitas vezes por estar isolado no ataque, foi decisivo nas oportunidades que teve: marcou um golaço no começo do jogo e depois foi certeiro ao empatar a partida novamente.
Nota: 7,5
BABATUNDE - MEIA
Inverteu os papéis com Musa e jogou mais pelo lado direito. Teve papel fundamental na jogada do primeiro gol, e depois pouco conseguiu fazer. Deixou o campo lesionado para dar lugar a Uchebo no meio do segundo tempo.
Nota: 6,0
UCHEBO - ATACANTE
Deu mais velocidade ao time nigeriano e passou a ser um ponto de ligação entre o meio de campo e o ataque, melhorando a equipe.
Nota: 6,5
ODEMWINGIE - ATACANTE
Apesar de ter sido escalado como parceiro de Emenike no ataque, fez função praticamente de lateral-direito, posicionando-se sempre ao lado dos zagueiros centrais. Porém, não mostrou bom papel na função e pouco ajudou. Foi substituído no fim do jogo por Nwofor.
Nota: 5,0
NWOFOR - ATACANTE
Teve apenas 10 minutos para mostrar serviço e pouco conseguiu fazer.
Sem nota
EMENIKE - ATACANTE
Isolado no ataque, buscou o jogo no meio de campo. Sua principal aparição foi no lance do segundo gol nigeriano, quando fez bem o pivô em cima de Garay e deu ótimo passe para Musa marcar.
Nota: 6,5

ROMERO - GOLEIRO
Nada pôde fazer nos dois gols nigerianos. De resto, quando foi testado, mostrou segurança.
Nota: 6,0
ZABALETA - LATERAL-DIREITO
Subiu muito ao ataque no primeiro-tempo, aproveitando a pouca movimentação de Agüero e acabou dando espaço a Musa no primeiro gol. Com a entrada de Lavezzi, teve papel menos importante no lado direito e ajudou mais na defesa.
Nota: 6,0
FERNÁNDEZ - ZAGUEIRO
Sempre último homem da defesa argentina, mostrou muita segurança e conseguiu anular bem Emenike quando ele se movimentava pelo centro da área.
Nota: 6,5
GARAY - ZAGUEIRO
Não teve a mesma segurança de seu companheiro e foi facilmente enganado pelo pivô feito por Emenike no segundo gol nigeriano. No ataque, desviou de cabeça o cruzamento completado por Rojo no terceiro gol argentino.
Nota: 5,5
ROJO - LATERAL-ESQUERDO
Mais discreto no ataque, teve bom papel defensivo e deixou Odemwingie sem espaço para incomodar e realizar jogadas com Emenike. Foi figura fundamental para a Argentina ao marcar o terceiro gol.
Nota: 7,0
MASCHERANO - VOLANTE
Mostrou que tem papel fundamental no time de Alejandro Sabella ao dedicar-se tanto em cobrir as subidas dos laterais quanto à armação das jogadas, sendo quase sempre o ponto inicial delas. Na origem do primeiro gol, deu belo lançamento para Di María.
Nota: 7,5
GAGO - MEIA
Foi o mais discreto do meio de campo argentino, tendo o papel de ocupar o lado direito nos avanços de Zabaleta.
Nota: 6,0
DI MARÍA - MEIA
Ao lado de Messi, foi o grande condutor do time argentino e deu enorme trabalho com suas jogadas pelo lado esquerdo. Não hesitou em tentar chutes de fora da área e teve papel fundamental no primeiro gol da equipe.
Nota: 7,5
MESSI - ATACANTE
Concentrou-se no lado direito do campo e buscou armar as jogadas a partir da intermediária, sempre arriscando seus passes nas costas da zaga e dedicando-se também aos desarmes. Além de mostrar sua precisão ao aproveitar a sobra de bola na área no primeiro gol, converteu a cobrança de falta no segundo. Deixou o campo reverenciado para dar lugar a Álvarez.
Nota: 8,0
ÁLVAREZ - MEIA
Substuindo o astro do time, naturalmente não teve o mesmo papel de destaque, mas conseguiu apoiar Di María na armação das jogadas.
Nota: 6,0
AGÜERO - ATACANTE
Apagado em campo, não conseguiu auxiliar a Argentina nos ataques pelo lado direito, pois pouco se movimentou ou mesmo tocou na bola. Depois, deixou claro que não estava bem fisicamente, e precisou ser substituído por Lavezzi no fim do primeiro tempo.
Nota: 5,0
LAVEZZI - ATACANTE
Tirou a Argentina de um momento de pouca criatividade na partida, quando a decisão das jogadas ficou sempre nos pés de Messi e Di María. Deu ótima opção pela direita e infernizou a marcação nigeriana, gerando dois cartões amarelos para o time adversário.
Nota: 7,0
HIGUAÍN - ATACANTE
Tentou as jogadas pelo lado esquerdo e acabou ofuscado pela ótima atuação de Di María. Pouco apareceu na área com perigo e, quando teve boa chance no primeiro tempo, desperdiçou ao tentar driblar o goleiro Enyema. Deixou o campo no fim do jogo para a entrada de Biglia.
Nota: 5,5
BIGLIA - MEIA
Entrou aos 45 minutos do segundo tempo e nada pôde fazer
Sem nota
Fonte: Cahê Mota e Jorge Natan/GE.COM – GENET – Felipe Lobo/Trivela
Fotos: AFP – Reuters - AP