Postado por - Newton Duarte

Jurando inocência, Del Nero é ouvido na CPI do Futebol e é confrontado por Romário; Veja

Romário confronta e pede saída de Del Nero, que ensaia defesa de Marin

Acompanhado de alguns aliados políticos, Del Nero depôs à CPI do Futebol (foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

A CPI do Futebol colocou Del Nero frente a frente com Romário, opositor ao presidente (foto: reprodução)

A quarta-feira está sendo bastante movimentada na CBF. Além da eleição que escolherá o novo vice da Confederação, o presidente Marco Polo Del Nero depôs na CPI do Futebol e foi confrontado pelo Senador Romário, ex-atacante da Seleção Brasileira e um dos principais oposicionistas ao trabalho do mandatário.

“Vou falar por mim. O senhor é uma pessoa muito mal vista dentro do futebol e uma das pessoas que mais fazem mal ao futebol brasileiro e, consequentemente, ao futebol mundial. Queria fazer o pedido de que o senhor se retire da CBF para que a gente possa voltar a ter uma confederação menos corrupta. Pelo bem do futebol e da Seleção Brasileira”, afirmou o Baixinho.

“Esses atos de corrupção do senhor, do Ricardo Teixeira, José Maria Marin e outros aliados, são realmente o câncer do nosso futebol. Por isso estamos vivendo esse momento ridículo tanto dentro quanto fora de campo”, encerrou Romário, antes de pontuar: “Isso não é pergunta não, é afirmação (…) Além de corrupto, o senhor é ladrão e mentiroso”. A resposta de Del Nero arrancou sorrisos dos presentes. “[A CBF] Não é corrupta, não que eu saiba. Eu não sou corrupto. A CBF é formada pela sua presidência e 200 funcionários. Eu respeito todos”, garantiu.

Durante a sessão – na qual depôs apenas na condição de suspeito, que não lhe obriga a ser totalmente verdadeiro e a produzir provas contra si mesmo –, Del Nero foi exposto a uma série de perguntas. Além de negar as supostas irregularidades levantadas pela comissão, o depoente também se defendeu do indiciamento feito pelo FBI, principal órgão investigativo dos Estados Unidos.

“Senador, as pessoas podem ser indiciadas, mas com o direito de fazer a sua defesa. Eu vou ter esse direito. Vou provar que há um equívoco nesse indiciamento do governo americano”, comentou. “Eu pedi licença da CBF para poder me defender, e da Fifa e da Conmebol da mesma forma. Para fazer a preparação e entregar para o advogado fazer a defesa. Há uma presunção de inocência que todos nós temos e é garantido pela Constituição Federal, Carta Magna sobre o nosso povo. Eu tenho o direito e vou provar a minha inocência”, prosseguiu, ainda explicando o motivo de não viajar com a Seleção. “Os meus advogados me aconselharam a não viajar.”

Acompanhado de alguns aliados políticos, Del Nero depôs à CPI do Futebol (foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Acompanhado de alguns aliados políticos, Del Nero depôs à CPI do Futebol (foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Detido em prisão domiciliar em Nova York, para onde foi extraditado após meses de reclusão na Suíça, José Maria Marin também foi pauta dos questionamentos feitos a Del Nero. “Eu não vi nada que provasse alguma irregularidade. Ele tem o direito de defesa, não posso falar por ele. Pode ser que as provas sejam equivocadas. Preso não significa que é culpado, ele não está condenado”, ponderou o atual mandatário da CBF sobre o ex-chefe da entidade.

“Eu era vice-presidente da casa e sempre respeitava as decisões da presidência. Eu não era fiscal do presidente, e não estou dizendo que ele fez qualquer coisa errada na CBF. As contas dele foram aprovadas no exame do conselho fiscal e de uma auditoria terceirizada”, lembrou, alegando que não tinha conhecimento de tais irregularidades quando ainda era vice de Marin. “Agora eu sei porque sou presidente, mas antes não. O regime é presidencialista, tem que respeitar o presidente. Cheguei a ver alguns contratos, vi sim, mas não dá para ver todos. São centenas. Eu entrei em abril de 2015. Vice é vice, vice não manda”, replicou.

Embora ainda não fosse presidente da CBF, Del Nero se viu confrontado com a decadência do futebol brasileiro, evidenciada pelo 7 a 1 sofrido diante da Alemanha. “Eu entendo que nós temos que fazer algumas melhorias, mas não podemos dizer que o futebol morreu, é fraco, que o futebol brasileiro não serve para nada. Aquele dia, 7 a 1, foi uma tragédia. Caiu um prédio em cima dos jogadores brasileiros. Mas falar essas coisas eu não posso. Temos os melhores jogadores do mundo e temos tudo para voltar a ser campeões agora nas Olimpíadas (2016), e muito provavelmente em 2018”, atestou.