Postado por - Newton Duarte

No 'gogó da ema', Consórcio Fonte Nova quer cortar custos em cima Bahia

Com ações bloqueadas, Fonte Nova quer cortar custos no contrato com Bahia

Após a Justiça de São Paulo determinar o bloqueio das ações da empreiteira OAS sobre o consórcio Arena Fonte Nova, que opera o estádio baiano da Copa de 2014, a empresa administradora busca "minimizar custos" para viabilizar a operação do equipamento.

Na avaliação do consórcio, o passo a ser dado agora é redefinir um contrato com seu principal cliente: o Esporte Clube Bahia.

Assinado em 2012, o convênio entre clube e consórcio vence no fim deste mês. No novo acordo jurídico que está sendo formulado a Arena quer reduzir o pagamento anual que oferece ao clube, hoje calculado em R$ 9 milhões.

O Bahia, entretanto, tem resistido em aceitar a oferta em valores menores.

No entendimento da empresa, desde que o contrato passou a vigorar, o Bahia não conseguiu manter uma constante de alto público, gerando despesas recorrentes à administradora.

Neste ano, por exemplo, em quatro jogos disputados na arena, somando todos os públicos, o Bahia só conseguiu levar 30.170 pagantes aos seus jogos.

Isto corresponde a 60% da lotação do estádio em uma única partida -- uma vez que o equipamento possui espaço para 50 mil pessoas.

Para forçar o acordo aos seus moldes a Arena Fonte Nova tem duas cartas na manga. A primeira é o fato do Bahia não possuir estádio próprio. E a segunda, e mais contundente, é a cláusula 12.3 do contrato de Parceria Público Privado (PPP) assinada entre consórcio e governo do estado.

Esta cláusula versa que, para dar viabilidade a Arena Fonte Nova, o governo da Bahia impedirá realizações de jogos oficiais no Estádio de Pituaçu, salvo com permissão da Arena.

Ou seja, dentro de Salvador o Bahia não tem estádio público onde atuar. Restando aceitar os termos da Arena ou jogar fora da capital baiana. Há ainda uma terceria via -- bem improvável --, que seria tentar um acordo para atuar no Barradão, estádio privado do arquirrival Vitória.

Contactado pela reportagem, o presidente do Bahia, Marcelo Sant'Ana, não foi encontrado para falar sobre o assunto.

DEMISSÕES E CORTES

O consórcio Fonte Nova admite que está diminuindo gastos e enxugando a folha de funcionários, porém, nega que haja relação entre estas ações e o arresto de bens promovido pela Justiça.

Em nota, o consórcio diz opera "dentro da absoluta normalidade" e "sem nenhuma interferência das questões relacionadas aos seus acionistas".  E atribue os desligamentos e redução de custos ao "atual cenário econômico" do país.

Além da redução no contrato com o Bahia, a Arena tem diminuído outros custos nos dias de jogos para desonerar a receita.

Por exemplo, os refletores estão sendo desligados mais cedo após o término da partida. Da mesma forma que tem se buscado economia como a luz solar artifical que fica sobre o gramado para melhorar seu desempenho.

DIFICULDADE FINANCEIRA

O consórcio Arena Fonte Nova é formado pelas empreiteiras baianas OAS e Odebrecht, ambas investigadas na Operação Lava-Jato da Polícia Federal.

Em dificuldade financeira e com executivos presos pela PF, a OAS pediu um empréstimo de R$ 50 milhões ao Banco Caixa Geral - Brasil S.A, mas não conseguiu pagar os juros das dívidas nos primeiros meses, conforme acertado em contrato.

Como garantia, o banco pediu arresto das ações da OAS sobre a Fonte Nova, o que foi acatado pela Justiça.

A OAS possui 49,6% das ações da Arena Fonte Nova Participações, além de manter a presidência do conselho da empresa. A presidência geral está sob o comando da Odebrecht, hoje é representada pelo atual mandatário Marcos Lessa.

Nota Luis Peres @BahiaClub: Quando me interpus ainda em 2012, sendo radicalmente contrário ao fechamento do contrato com a Arena nos moldes propostos, fui questionado. Estaríamos “retornando” para nossa casa, “Estadio da Copa” e blá, blá, blá.

Quando o Ex-”Presida” de muitos começou a negociar o TOB (dele e o dos outros), mais uma vez fui contrário e me taxaram de doido. E lembrem que àquele momento, MGFilho “Deputa” negociava o referido plano mediante pagamento. Fato que se consolidou na gestão anterior a título gratuito.

Quando surgiu o movimento #PúblicoZero, sugeri que isto ocorresse em todos os estádios. Menos na AFN. Dizia que lá deveria ter “casa cheia e manifestações”. Mas, a torcida hipnotizada e cooptada pelo movimento Bahia da Torcida (MGF está meio enrolado... 'Tá serto?' e 'Apocalípse now' ou apenas mais um 'Ensaio sobre a cegueira') preferia acreditar que o Esquadrão e o Estádio eram tudo uma coisa só. Ledo engano. Sensacional o estelionato verbal. “Tomaram o doce das crianças”.

Agora, com o mundialmente vergonhoso escândalo de corrupção demonstrado pela operação Lava-Jato, quem eles querem que pague a conta é o Bahia.

O Bahia está manietado pelo contrato. Se não jogar lá, jogará em que estádio? Mas, se o Bahia sair, eles terão mais o quê?

Mais uma vez rogo ao Presidente Marcelo Sant'Ana que lembre-se do Jornalista Marcelo Sant'Ana e busque a completa independência. Não se renda ao ditâmes da política. Confronte, Não aceite imposições externas. Senão, isto será apenas o começo.

O Bahia nada tem a ver com o comportamento deletério de ninguém. “Quem participou de suas “licitações”, que preste seus serviços”. O Bahia é apolítico. Ou não?

Chegou a hora de ver quem é quem, e o que relamente vieram fazer.

Para não dizer que não falei de flores, ou das flores: Se continuar como está, o Consórcio vai exigir que os sócios executem a limpeza da Arena após os jogos. O pior é saber que veremos alguns de saia curta e avental se oferecendo para tanto. É tudo muito lamentável.

Hora de descobrir quem realmente é Bahia e está lutando por ele.