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Pará se espelha em Roberto Carlos; Lateral foi campeão Sub-20 com a Seleção

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Campeão Sub-20, lateral Pará se espelha em Roberto Carlos

Pará vem em bom ano: titular do Bahia, gol em clássico e convocação para a seleção sub-20

A Fase do Bahia no Campeonato Brasileiro não é boa. Último colocado no torneio, o time baiano tem mostrado dificuldades para bater os adversários e ganhar posições na tabela.

A mesma dificuldade não é encontrada, no entanto, na hora de revelar jogadores. Ano passado, o volante Feijão caiu nas graças da torcida após boas atuações. A partir do fim de 2013, o meia Anderson Talisca amadureceu, marcou gols importantes e se tornou peça fundamental na equipe, até que foi vendido para o Benfica, de Portugal. Após Talisca, o Bahia revelou ainda o lateral esquerdo Pará, peça importante da equipe neste Brasileirão.

Alçado ao time principal em 2014, para a disputa do estadual, Pará acumulou boas partidas, fez um gol decisivo no clássico contra o Vitória e empatou um Ba-Vi nos acréscimos, ganhando o apreço da torcida tricolor. Na época, o jogador ainda morava no alojamento do Fazendão, centro de treinamentos do clube. Com o passar do campeonato, Pará manteve a boa fase e chegou a ser chamado para a Seleção Brasileira Sub-20, pela qual foi campeão do Torneio de Cotif, na Espanha, no final de agosto.

Nesta quarta(10), Pará deu entrevista exclusiva ao Terra, na qual comentou sobre a primeira experiência com a camisa verde e amarela e o momento negativo do Bahia, além das dificuldades enfrentadas até se tornar profissional. O jogador ainda revelou que se espelha em Roberto Carlos, um dos principais laterais esquerdos da história do futebol brasileiro. Confira o papo na íntegra.

Terra – Como foi a campanha do título do Torneio de Cotif para você? Como foi a convivência com o técnico Alexandre Gallo na Seleção Sub-20, nessa sua primeira convocação, e o que ele te ensinou?

Pará – Foi uma ótima experiência, pude demonstrar o meu trabalho e aprender com o professor Gallo e meus companheiros. Ele e o pessoal da comissão técnica são excelente pessoas e grandes profissionais, te dão a tranquilidade para trabalhar, isso é muito bom.

Terra – Você começou o Torneio de Cotif como titular, mas chegou a perder a posição durante o torneio, voltando só na final, contra a equipe do Levante. No Bahia, tanto o Marquinhos Santos, antigo treinador, quanto o Gilson Kleina, atual, tem preferido escalar o Guilherme Santos como titular algumas vezes. Acha que é por uma questão ligada a força física? Como vê isso no futebol de hoje?

Pará – Acho que nesses casos todos isso aconteceu por opção dos treinadores. Respeito isso, porque eu trabalho sempre para ajudar o Bahia e também a Seleção, se estiver convocado. O importante é estar sempre preparado para fazer boas partidas. O futebol hoje em dia é muito competitivo, mudou um pouco em relação ao que era antes. Então é importante ter um bom condicionamento físico para atender o que os treinadores pedem.

Terra – Houve um momento em que você chegou a ser afastado por Marquinhos Santos por problemas disciplinares, mesmo estando em boa fase. O que de fato aconteceu e o que ficou de lição?

Pará – Não foi bem por uma questão de indisciplina, porque indisciplinado, graças a Deus eu nunca fui. Mas naquele momento, o professor Marquinhos Santos achou que naquele momento era melhor eu ficar de fora. Foi uma decisão técnica dele. Mas eu sempre estive focado em jogar meu futebol e ajudar o Bahia a sair dessa situação ruim, inclusive naquele momento.

Terra – Você é um dos melhores laterais do Brasileiro, segundo avaliações da mídia esportiva especializada. Como é pra você ser a maior revelação do Bahia no setor desde Daniel Alves, que jogou duas Copas do Mundo e é um jogador importante mundialmente? Você se inspira nele ou vê alguma pressão em ser "herdeiro" do Daniel?

Pará – Não sinto a pressão, porque estou focado no meu trabalho. Cheguei onde estou agora porque fui ajudado por ótimos profissionais, que me fizeram desenvolver o meu futebol. Ele é um grande jogador, mas para falar a verdade, o que me inspira mesmo é a minha família. Procuro assistir jogos de grandes jogadores e ver em que posso melhorar e buscar aprender mais coisas, mas a verdadeira inspiração é a minha famíia.

Terra – Mas não tem mesmo nenhum jogador em que você se inspire? Algum jogador que até já tenha se aposentado e que você procure se espelhar?

Pará – Na verdade, tem. Sempre admirei o Roberto Carlos, que sempre conseguiu aliar a força física a um grande futebol, chegando bem ao ataque. Me espelho nele.

Terra – Duas semanas atrás você estava sendo campeão sub-20 pelo Brasil e, hoje, você está de volta ao Brasil e vê o Bahia na última posição do campeonato, tentando fugir do rebaixamento. Como é pra um jogador jovem atuar com essa pressão toda no clube e, ao mesmo tempo, estar na seleção de base? Como faz para equilibrar momentos tão diferentes?

Pará – Nesses momentos tem que ter cabeça. Futebol é assim mesmo, às vezes você está no céu e em outras, no inferno. A gente sabe que está numa fase não muito boa no Bahia, mas temos que continuar trabalhando. Estamos trabalhando bastante e até jogando um bom futebol, mas as oportunidades de gol não estão se concretizando. Mas tenho certeza que iremos sair dessa situação.

Terra – Até agora você trabalhou por pouco tempo com o Gilson Kleina, já que você estava na Seleção Sub-20 quando ele foi contratado. Mas o que você nota de mudança nos métodos de trabalho dele em relação ao do Marquinhos Santos, que o antecedeu?

Pará – Tem pouco tempo que trabalho com ele, mas ele me procura me ajudar bastante. É uma ótima pessoa e um ótimo técnico, conhece bastante de futebol. Todo treinador tem uma forma de trabalhar diferente do outro. O Marquinhos tentou ajudar o Bahia do jeito dele, mas infelizmente não deu para a gente jogar do jeito que a gente queria. Agora o Gilson está com a gente, fazendo um trabalho bom com os jogadores, e estamos bastante focados em sair dessa situação.

Terra – Hoje você está vivendo um momento difícil no Bahia junto com seus colegas, mas certamente você passou por dificuldades maiores na sua carreira, desde que saiu do Pará e veio tentar a sorte na Bahia. Ainda enfrentou a morte do seu pai, no ano passado. Como tem sido a sua trajetória, da base ao profissional?

Pará – Já passei por muitas dificuldades no futebol. Fiz teste no Santos e não passei. Depois passei em um teste no Remo, e depois vim para o Bahia, ganhei um torneio pelo sub-17 e depois fui dispensado. Cinco meses depois me chamaram de volta e pude demonstrar mais o meu futebol. Minha família ficou no Pará por um tempo e foi um pouco difícil ficar longe deles, mesmo estando focado nos meus objetivos de dar o melhor para a minha família. Nesse ano o professor Marquinhos felizmente gostou do meu futebol e me subiu pro profissional. Estou muito feliz com essa oportunidade e por estar fazendo boas partidas. Graças a Deus estou realizando um sonho que não é só meu, mas do meu pai e dela também. Hoje eu sei que eu tenho uma responsabilidade muito grande e fico muito feliz em ajudar e cuidar da minha família.

Matéria de 11/09

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