Segunda chance

Segunda chance: Bahia tenta aproveitar intertemporada para evoluir

Tricolor contou com período exclusivo para treinos no início do ano, mas não conseguiu se afinar para restante da temporada


‘Começar de novo, e contar comigo. Vai valer a pena ter amanhecido, ter me rebelado, ter me debatido. Ter me machucado, ter sobrevivido’.

Sobrevivente, o Bahia terá nas próximas semanas a chance de se inspirar na canção de Ivan Lins para mostrar que aprendeu a lição do passado recente e recomeçar tudo do zero. Pela segunda vez na temporada, o Tricolor terá um longo período sem jogos para se dedicar exclusivamente aos treinos e conquistar dentro de campo a evolução sonhada pela torcida desde o início de 2013. No total, serão 29 dias para integrar reforços ao restante do elenco, criar um padrão de jogo eficiente e colocar todo o time em ponto de bala, oportunidade que a equipe baiana também teve após a eliminação na Copa do Nordeste, mas não soube aproveitar.

Bahia tenta aproveitar segunda intertemporada do ano para encaixar o time

Contratado junto com Cristóvão Borges, o preparador físico Rodrigo Polleto é um dos responsáveis por dar um novo caminho para a intertemporada tricolor. Observar o que foi feito no passado para dar um rumo diferente ao futuro é uma das metas do novo membro da comissão técnica, que se apoia na boa fase do Bahia no Campeonato Brasileiro para colher bons frutos no período exclusivo para treinos no Fazendão.

– O Bahia teve bastante tempo para treinar, e os resultados não vieram. Isso faz com que a equipe tenha um desgaste maior. Esperamos reverter isso. Teremos tempo para treinar, e tenho confiança que os resultados positivos podem ajudar. Os atletas treinam com outra motivação, o que ajuda na conquista dos nossos objetivos – pontuou Polleto.

A fase realmente é outra. Em fevereiro, o Bahia iniciou o período de 38 dias sem jogos em baixa, com o elenco abalado após a eliminação na fase de grupos da Copa do Nordeste. Agora, o Tricolor navega pelos mares tranquilos de um time que ocupa a parte de cima da tabela de classificação da Série A. A temporada, que até agora não passou de uma piada sem graça para a torcida, pode mudar de rumo após mais um período de treinos, aumentando a autoestima e recolocando um sorriso no rosto de cada torcedor que ostenta as cores azul, vermelho e branco.

'Quaresma' desastrosa

Jorginho não conseguiu afinar o time na primeira intertemporada tricolor

Seis de fevereiro de 2013. Favorito ao título da Copa do Nordeste, o Bahia empata em 0 a 0 com o Itabaiana, em Sergipe, se despede da competição ainda na fase de grupos e começa um longo e amargo período sem jogos oficiais. A ‘quaresma’ tricolor tinha início e dividia opiniões dentro do Fazendão. Para alguns, o período serviria para reforçar a curta pré-temporada da equipe, feita às pressas por conta do calendário apertado. Outros lembravam que, apenas treinando, o time perderia ritmo de jogo e a ‘pegada’ das competições. No fim, prevaleceu a avaliação feita pela ala pessimista. Em 38 dias, o técnico Jorginho mudou o time, promoveu diversos treinamentos e fez inúmeras avaliações. A fase, no entanto, só piorou. De nada adiantou a primeira intertemporada do clube.

Após os quase 40 dias sem jogos, o Bahia voltou a campo no dia 17 de março para enfrentar o Vitória da Conquista no estádio Lomanto Junior, pela rodada de estreia da segunda fase do Campeonato Baiano 2013. A expectativa da torcida era grande. Durante a intertemporada, Jorginho havia promovido cinco mudanças no time titular. Os jogadores falavam de uma postura diferente da apresentada durante a Copa do Nordeste, alegavam uma evolução conquistada no período de treinos e prometiam alegrias para o torcedor.

– Quando entramos na Copa do Nordeste, tínhamos apenas dez dias de trabalho. Tivemos 40 dias para trabalhar fisicamente, tecnicamente, taticamente. A exigência sempre aumenta. Sabemos que o termômetro da torcida somos nós. Se a equipe estiver bem dentro de campo, a torcida vai nos apoiar. O Bahia está muito bem preparado para o resto do ano. Tenho certeza que vamos trazer um título, se Deus quiser – disse Fahel, antes da estreia no Baianão.

Contudo, as promessas não viraram realidade. Mesmo após passar mais de um mês treinando, o Bahia pouco mudou no geral e mais uma vez acumulou vexames. A má fase incluiu goleadas para o principal rival, resultados ruins diante de times de menor expressão, a eliminação na Copa do Brasil e a demissão dos técnicos Jorginho e Joel Santana. Insatisfeita com o desempenho do time, a torcida iniciou uma série de protestos contra o presidente Marcelo Guimarães Filho. A sonhada evolução após a 'quaresma' não passou de uma ilusão e chegou a enganar alguns sonhadores, que só perceberam se tratar de um pesadelo quando era tarde demais.

Pausa bem vinda

Diferentemente da primeira intertemporada, o período de treinos provocado pela pausa do Campeonato Brasileiro para a realização da Copa das Confederações virou unanimidade no Fazendão. A comissão técnica tricolor comemora o período para treinos, já que o técnico Cristóvão Borges quase não teve tempo para aprofundar os trabalhos com a equipe. Desde que o treinador chegou em Salvador, o Tricolor cumpriu uma tabela recheada, com jogos às quartas e domingos, o que impossibilitou a realização de atividades mais específicas dentro do grupo.

Tricolor tenta aproveitar segunda chance para entrar em forma

– A gente precisava dessa folga para recuperar a parte mental e física. Vamos integrar muitos treinamentos diferentes, que é uma metodologia que utilizamos, juntar a parte tática e técnica com a parte física. Com isso ganhamos tempo, os atletas sempre têm contato com bola. Sempre são treinamentos intensos que voltam o atleta para as características do jogo. Priorizamos o trabalho integrado por isso – declarou Rodrigo Polleto.

Durante o novo período exclusivo para treinamentos, a meta é fazer com que os jogadores incorporem ainda mais a filosofia de jogo de Cristóvão Borges. O objetivo do trabalho é claro: dar sequência na boa fase e manter o Bahia na parte de cima da tabela do Brasileirão.

Para tanto, a comissão técnica tricolor realizou uma avaliação minunciosa com os jogadores e descobrir a melhor forma de trabalho para cada um. Sessões intermináveis de musculação durante vários dias estão fora de questão. Segundo Polleto, as atividades serão mescladas para fazer com que cada atleta chegue a seu ápice no retorno do Brasileirão.

– A gente sempre diz que a condição ideal tem relação com o esquema tático do treinador. Quando o técnico colocar o que ele quer e o atleta conseguir cumprir nos 90 minutos, isso será o ideal. A gente tem que adaptar os atletas do Bahia ao esquema de jogo do Cristóvão. Vamos buscar fazer exercícios que adequem eles ao esquema de jogo. Tivemos muitos jogos, temos conversado muito com os fisiologistas. Primeiro verificamos a equipe e agora estamos avaliando pontos individuais. Vamos procurar fazer o trabalho com o grupo todo e priorizar alguns que já fizemos avaliações – disse o preparador físico.

Jogos-treino também estão na pauta tricolor. Para Polleto, um amistoso realizado dentro do Fazendão pode ajudar a comissão técnica a avaliar o desempenho de todos os atletas em situações parecidas com a de uma partida oficial.

– A gente não tem programado nada para essa semana, mas as outras terão jogos-treino. Não é o principal, mas pode ser colocado como uma sessão de treino. É interessante para avaliar o nível da equipe após os treinos. Temos muito trabalho para fazer – afirmou.

Generoso, o destino concedeu ao Bahia uma nova chance para entrar nos trilhos. Dentro do Tricolor, todos sabem que a oportunidade pode ser a última para salvar a temporada e dar ao time um novo rumo. Esquecer a 'quaresma' está fora de questão. A ordem é a de aprender com os erros para que a pausa no Campeonato Brasileiro não vire tempo perdido.

Fonte: Thiago Pereira – GLOBOESPORTE.COM.

Fotos: ECB Divulgação