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Veto a investidores: o que pode mudar na base brasileira

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Veto a investidores no futebol: o que pode mudar na base brasileira

O anúncio de que a Fifa proibirá a participação de terceiros nos percentuais econômicos dos jogadores de futebol, feito na semana passada, deixou um clima de incerteza entre clubes e empresários brasileiros. A indefinição sobre o que é um "terceiro" na negociação ainda existe e começará a ser resolvida no início de novembro, e pode ser determinante para reconfigurar o mercado brasileiro.

No entanto, se nos profissionais a tendência é que os clubes não consigam segurar seus principais jogadores sem o apoio financeiro dos investidores, na base, alguns dirigentes veem a situação com bons olhos. Confira o que pode mudar na base:

Clubes com maior poder de negociação

Em tese, com menos empresários no mercado, os clubes poderão ter maior percentual de suas principais promessas.

– Atualmente, a legislação dá muitos direitos para os jogadores e muitos deveres para os clubes. Vai acabar essa história do amigo que cola no jogador, chega no clube e pede 10%. Isso acontece muito hoje, e se o clube não atender, o jogador vai embora – afirma João Paulo Sampaio, coordenador técnico do Vitória, que trabalhou por oito anos na base do clube baiano.

João Paulo diz enxergar a medida com bons olhos para clubes como Vitória, Goiás e Coritiba, que não possuem jogadores com investidores, e diz que esta situação será ainda mais benéfica para os clubes.

– O jogador será do clube, que efetivamente é quem o forma. Quem gasta com viagens internacionais, tratamento, comissão técnica, é o clube, e não a família, ou o empresário.

Empresários poderosos sobrevivem. Os menores agonizam

Na base, é muito comum ver donos de comércios representando jogadores, sobretudo os mais novos. Isso deve acabar, porque eles perdem uma perspectiva de faturamento futuro. O risco do investimento ter retorno, portanto, se torna muito menor.

– Hoje eu não quero mais investir em jogadores de 14 anos, porque não se sabe se o jogador vai vingar ou não, é difícil prever – diz Guilherme Stoco, empresário paranaense que trabalha com jogadores como Thiago Primão e Paulo Octávio, formados na base do Coritiba.

No caso de empresas mais estruturadas, como a Traffic, o fato de terem um clube à disposição (no caso, o Desportivo Brasil) faz com que a medida não tenha muito efeito.

Empresários dentro de clubes

Após a medida, já há empresários que buscam lugares como conselheiros de clubes para poder colocar seus jogadores na base e nos profissionais. Essa medida, no entanto, é arriscada, pois daria ao clube a possibilidade de brigar com o empresário quando conveniente, sem que haja prejuízos em relação aos jogadores.

Diminuição dos "pais profissionais"

Atualmente, "pai de jogador" é uma profissão, e vários pais de garotos de 14, 15 anos, ganham quantias financeiras de empresários para se dedicar única e exclusivamente ao filho. Essa fonte de receitas deve secar.

Possibilidade de restruturação e maior aproveitamento da base

De acordo com o advogado Marcos Motta, a diminuição da participação de empresários no mercado do futebol pode ter um efeito positivo para a base brasileira.

– Sem poder contratar jogadores caros, os clubes vão precisar olhar mais para a base, e os garotos da base, sem empresários, vão ter uma relação muito mais próxima com o clube. Em longo prazo, isso pode representar uma restruturação da base brasileira. Sem contar que a relação entre clubes e jogadores pode ser muito mais próxima, o que pode facilitar as negociações para renovações de contrato.

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